terça-feira, 25 de janeiro de 2011

"As Memórias de Agripina"

Autor: Pierre Grimal
Editora: Lyon Edições (Publicações Europa - América)
Número de páginas: 381

 É raro que um escritor que é igualmente um grande erudito nos dê uma visão tão viva e sobretudo tão «autêntica» da Antiguidade. Pierre Grimal possui um conhecimento aprofundado do pensamento romano e. muito em particular, deste período do Império e dos tempos neronianos.
A partir de todos os documentos históricos existentes, textos, vestígios arqueológicos, inscrições, e sem jamais fazer qualquer juízo de valor, o autor teve como primeira preocupação compreender em profundidade a sua heroína, Agripina, a mãe de Nero, de lhe captar os motivos secretos, de apreender o indizível que fez a complexidade desta vida que se anima aos nossos olhos.
Filha de Germânico, bisneta do deus Augusto, e também da sua irmã Octávia, bisneta de António e de Lívia, irmã de Calígula e sobrinha do imperador Cláudio, com quem um dia casará, Agripina teve sempre consciência do seu sangue divino.
Como mulher, ela não pode reinar, mas pensa que Nero, seu filho, se deve tornar o senhor do mundo. Se os astros o permitem, a perspectiva é terrível: ela própria deverá morrer, e às mãos do seu próprio filho.
Ela aceita e, durante toda a sua vida, trabalha para conquistar o poder que não pode exercer e que acabará por a matar! Sacrificando tudo a essa ambição mortal, as suas armas são as de uma mulher, todas as de uma mulher...
Este livro oferece-nos páginas que são simultaneamente pungentes e patéticas, ternas, inteligentes, cínicas e sempre ricas em emoções e humanidade. Através de uma simpatia que lhe é própria, Pierre Grimal faz unirem-se aqui criação  e verdade. 

Ao longo destas páginas acompanhamos o crescimento da jovem Agripina para a mulher inteligente e gananciosa até à sua morte. Páginas que reflectem a história de uma mulher que só não foi imperador porque nasceu com o sexo errado. O livro está dividido em capítulos dedicados aos homens da sua vida que realmente importaram: o pai Germânico, o tio-avô Tibério, o irmão Caio (Calígula), o tio e marido Claúdio (havendo por isso um capítulo denominado "O meu tio Cláudio" e outro "Cláudio, o meu marido") e o filho Nero. Afinal foram eles que condicionaram ou influenciaram as suas acções e pensamentos e que lhe deram o seu poder "divino".
Como leitora não pude deixar de apreciar o desenrolar da história desta mulher formidável. Num minuto rimos, noutro estamos a sofrer com ela. Mais, chegamos a odiar os seus inimigos. Mas há alturas em que só queremos esganá-la. Isto porque existe muito de humano nas personagens que costumam estar em pedestais e das quais ouvimos falar nas aulas de história e de repente parece que as conhecemos desde sempre. Uma escrita simples e deliciosa que nos relata uma vida de altos e baixos.
Como aluna de História tenho de salientar o mestre que Grimal é. Conhecido historiador e especialista na história romana nota-se um cuidado extremo de respeitar a História ao mesmo tempo que relata memórias que nunca conheceremos, misturando a verdade comprovada com literatura. Um bom exemplo que se pode contar uma história sem desrespeitar a História. E é claro, uma atenção especial para a introdução brilhante do Prof. Dr. Nuno Simões Rodrigues da FLUL.
Uma leitura agradável e com a qual podemos aprender a conhecer grandes personagens da História de Roma.

7/7

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