sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Quem Faz Anos Hoje?

Hoje seria o 166º aniversário de um dos meus escritores de eleição, Eça de Queiroz. Para mim, um dos nomes mais sonantes e importantes da nossa literatura e, sem sombra da dúvida, um dos factores que me faz ter orgulho em ser portuguesa.

Eça de Queiroz

Biografia

José Maria Eça de Queirós nasceu na Póvoa do Varzim em 25 de Novembro de 1845. Curiosamente (e escandalosamente para aquela época), foi registado como filho de José Maria d`Almeida de Teixeira de Queirós e de mãe ilegítima.
O seu nascimento foi fruto de uma relação ilegítima entre D. Carolina Augusta Pereira de Eça e do então delegado da comarca José Maria d`Almeida de Teixeira de Queirós. D. Carolina Augusta fugiu de casa para que a sua criança nascesse afastada do escândalo da ilegitimidade.
O pequeno Eça foi levado para casa de sua madrinha, em Vila do Conde, onde permaneceu até aos quatro anos. Em 1849, os pais do escritor legitimaram a sua situação, contraindo matrimónio. Eça foi então levado para casa dos seus avós paternos, em Aveiro, onde permaneceu até aos dez anos. Só então se juntou aos seus pais, vivendo com eles no Porto, onde efectuou os seus estudos secundários.
Em 1861, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Aqui, juntou-se ao famoso grupo académico da Escola de Coimbra que, em 1865, se insurgiu contra o grupo de escritores de Lisboa, a apelidada Escola do Elogio Mútuo.
Esta revolta dos estudantes de Coimbra é considerada como a semente do realismo em Portugal. No entanto, esta foi encabeçada por Antero de Quental e Teófilo Braga contra António Feliciano de Castilho, pelo que, na Questão Coimbrâ, Eça foi apenas um mero observador.
Terminou o curso em 1866 e fixou-se em Lisboa, exercendo simultaneamente advocacia e jornalismo. Dirigiu o Distrito de Évora e participou na Gazeta de Portugal com folhetins dominicais, que seriam, mais tarde, editados em volumes com o título Prosas Bárbaras.
Em 1869 decidiu assistir à inauguração do Canal do Suez. Viajou pela Palestina e daí recolheu variada informação que usou na sua criação literária, nomeadamente nas obras O Egipto e A Relíquia.
Por influência o seu companheiro e amigo universitário, Antero de Quental, entregou-se ao estudo de Proudhon e aderiu ao grupo do Cenáculo. Em 1870, tomou parte activa nas Conferências do Casino (marca definitiva do início do período realista em Portugal) e iniciou, juntamente com Ramalho Ortigão, a publicação dos folhetins As Farpas.
Decidiu entrar para o Serviço Diplomático e foi Administrador do Concelho em Leiria. Foi na cidade do Lis que elaborou O Crime do Padre Amaro. Em 1873 é nomeado Cônsul em Havana, Cuba. Dois anos mais tarde, foi transferido para Inglaterra, onde residiu até 1878. Foi em terras britânicas que iniciou a escrita d` O Primo Basílio e começou a arquitectar Os Maias, O Mandarim e A Relíquia. De Bristol e Newcastle, onde residia, enviou frequentemente correspondência para jornais portugueses e brasileiros. No entanto, a sua longa estadia em Inglaterra encheu-o de melancolia.
Em 1886, casou com D. Maria Emília de Castro, uma senhora fidalga irmã do Conde de Resende. O seu casamento é também sui generis, pois casou aos 40 com uma senhora de 29.
Em 1888 foi com alegria transferido para o consulado de Paris. Publica Os Maias e chega a publicar na imprensa Correspondência de Fradique Mendes e A Ilustre Casa de Ramires.
Nos últimos anos, escreveu para a imprensa periódica, fundando e dirigindo a Revista de Portugal. Sempre que vinha a Portugal, reunia em jantares com o grupo dos Vencidos da Vida, os acérrimos defensores do Realismo que sentiram falhar em todos os seus propósitos.
Morreu em Paris em 1900.

Fonte

Bibliografia

A Cidade e as Serras
A Ilustre Casa de Ramires
A Relíquia
A Tragédia da Rua das Flores
As Farpas
Contos
Correspondência de Fradique Mendes
O Crime do Padre Amaro
O Mandarim
O Mistério da Estrada de Sintra
O Primo Basílio
Os Maias
Uma Campanha Alegre
Prosas Bárbaras
São Cristóvão

Eu e as suas obras
 Tudo começou com Os Maias. Como ia dar esta obra no 11º ano, decidi ler o livro durante o verão para me preparar. Eu já tinha tentado ler antes mas os primeiros capítulos, de tanta descrição, haviam-me estudado. Hoje não faço a mínima ideia do porquê. Passado esses capítulos iniciais entrei por completo na história de Carlos e Maria Eduarda, conheci o Ega (e que belo momento foi esse!), deliciei-me com a sátira e ironia do autor, ri as gargalhadas e desesperei. Quando chegou o início do ano lectivo andei desejosa que a professora chegasse rapidamente às aulas sobre a obra e depois, tive um lindo 19 *.*
Ainda esse ano li O Crime do Padre Amaro. A ironia de Eça está outra vez presente neste livro. Não é tão magnífico digamos como o anterior mas a imagem que transmite da sociedade portuguesa é mais uma vez escarninha e real, mostrando-nos mais uma vez a hipocrisia que abundava no século XIX.
Só mais tarde li A Tragédia da Rua das Flores. Foi o que menos gostei, talvez por me fazer lembrar em demasia Os Maias e não ser tão bom mas continua a ter aquele estilo inconfundível.
Entretanto, tenho ali na estante A Relíquia e Correspondência de Fradique Mendes e parece-me que tenho de ir a casa dos meus avós ver o que para lá há...

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