quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Booking Through Thursday - Primeiros Passos

"Há algo maravilhoso no acto de 'descobrir' um autor em início de carreira - em ser dos primeiros a ler a sua obra e a admirar o seu talento, antes de se tornarem conhecidos.
Que autores tiveste a sorte de descobrir no início das suas carreiras? E, se nunca tiveste essa oportunidade, que autor gostarias de ter descoberto mesmo no princípio?"

Foi uma escritora portuguesa que tive o prazer de descobrir em início de carreira, uma autora de que gosto imenso e está entre os indispensáveis da minha estante: Sandra Carvalho. Lembro-me de estar numa fase em que precisava de algo diferente nas minhas leituras, algo mais "crescido" e que me captasse a atenção. Tinha "descoberto" a Juliet Marillier à pouco tempo e depois de ter acabado a trilogia Sevenwaters, queria continuar a investir numa leitura do mesmo género pois era realmente aquele o tipo de leitura que me chamava a atenção.
E depois de ter andado à procura de algo novo eis que, um dia, a minha mãe chegou a casa com um livro com uma capa linda em tons de azul em que as nuvens formavam uma rapariga quase etérea que parecia vigiar o mar onde um barco viking navegava. Eu sempre gostei de histórias de vikings e fiquei realmente entusiasmada com aquele novo e bonitinho livro mas o delírio foi mesmo depois de o ler. Amei, amei, amei! O seu mundo, as lendas, as personagens inesquecíveis, a história em si mesma conquistaram-me. Li o livro numa noite e A Saga das Pedras Mágicas está a par da trilogia Black Jewels como livros mais lidos. Como fã incondicional desde o primeiro livro tenho imensa pena que o próximo volume da saga esteja a demorar tanto mas tenho a certeza que vai valer a pena.
Gostava de ter descoberto duas autoras em especial em início de carreira: Anne Bishop e Jacqueline Carey. Como duas das minhas autoras preferidas teria sido um prazer acompanhar a sua carreira desde o início e ter tido o gosto de dizer toda orgulhosa: "Antes de sequer sonhares com elas já eu tinha lido tudo o que há delas!". Isso é que tinha sido!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Mosaico de Sombras

Autor: Tom Harper
Editora: Editorial Bizâncio
Número de páginas: 350

Constantinopla, 1096. Bizâncio, o maior Império da Cristandade, corre o risco de ser destruído quando uma mão misteriosa dispara uma flecha ao coração do imperador. Falha por pouco e o pânico estende-se pelo palácio imperial: aniquilado o imperador, Bizâncio cairá.
Demétrio Askiates, um ex-mercenário e caçador de recompensas ao serviço do império, é contratado para descobrir o criminoso e evitar que cumpra o seu funesto propósito. O veterano Demétrio penetra num mundo desconhecido, um mundo de príncipes, escravos, eunucos e mercadores onde terá de deslindar uma imensa trama de intrigas.
Dos bairros mais recônditos às torres douradas do palácio imperial, do hipódromo às cúpulas sublimes da caterdral de Santa Sofia, Demétrio abre caminho por entre um perigoso labirinto de traições e enganos antes que seja tarde demais e as ruas se tinjam de sangue.

Alguém tenta matar o imperador com uma arma desconhecida e é necessário saber quem está  por trás deste acto vil. Demétrio é chamado para descobrir quem são os culpados e vê-se enredado nas intrigas da corte. Ao longo da sua busca pelos culpados, Askiates vai conhecer os "grandes" do império e ter de voltar a conviver com o submundo de Constantinopla, numa corrida contra o relógio para evitar a queda, não só de uma cidade mas, também, de um império. Para além disso, os bárbaros estão à porta da cidade e preparados para uma guerra. Pelo meio irá descobrir o amor ao lado de uma mulher invulgar para o seu tempo e que a amizade está onde menos se espera.
Não é o que eu estava a espera. Não perde o ritmo e está repleto de cenas de acção sendo por isso uma leitura fácil e que entretém mas para quem está à espera de um mistério de perder o ar e descrições magníficas da bela Constantinopla é melhor esquecer isso. As descrições são quase nulas e não são a especialidade do autor nota-se, o que é uma pena, já que com tal cenário, espera-se algo de arrebatar, o que não acontece, chegando ao ponto de esquecermos em que cidade se passa a acção. Como romance histórico também não encanta, faltando-lhe pormenores, o que causa, por vezes, um certo desnorteamento quanto à época em que se situa.
Quanto ao grande mistério, parece que a dada altura perde importância e que afinal não era assim tão grande ao que se junta um final demasiado óbvio. E Demétrio é a verdadeira desilusão. Para ex-mercenário parece que pegar numa espada e andar em escaramuças ou ter alguma actividade do submundo não é muito habitual, o que a mim não parece nada de mercenário, para além de que, para quem nos é apresentado como um grande cérebro, não parece ter muito de génio mas enfim. Parece faltar algo às personagens e que nos escapou qualquer coisa pelo meio que, definitivamente, não estava lá.
Isto é a minha opinião mas não desistam do livro por isso. Tem uma acção corrente, sem cenas maçadoras, para quem quer uma leitura leve vale a pena tentar mas não peguem nele com muitas expectativas.

3/7


Já Chegaram, Já Chegaram!!


Chegaram ,chegaram, chegaram!!!
Vieram ontem pelo correio *.* são tão brilhantes e bonitinhos, tão lindos lindos, lindos! Só de pensar que ainda não lhes vou pegar...ai ai ai ;_;

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Rosa Rebelde

Autor: Janet Paisley
Editora: Editorial Bizâncio
Número de páginas: 378

Numa época em que a guerra civil dividia a nação, Anne acreditou que podia bater-se com os melhores guerreiros. Pela espada. Por convicção. Por paixão.
A Rosa Rebelde conta-nos a fascinante e turbulenta história de uma notável figura histórica, Lady McIntosh, que ficou conhecida como coronela Anne. Foi uma das heroínas das Terras Altas da Escócia, uma encantadora rebelde, uma Braveheart que arriscou tudo, incluindo a sua vida, por amor ao seu país e ao seu rei.
Fruto de uma cuidada investigação histórica, e com notável mestria, Janet Paisley criou uma extraordinária história de amor, conflito, lealdade e traição que se lê compulsivamente. Uma sensual aventura histórica, repleta de emoção, protagonizada por uma heroína apaixonada e irresistível. 

Anne era uma menina rebelde e com ideias próprias que sabia manejar uma arma tão bem como um homem quando no dia em que o pai morreu, conheceu Aeneas, o atrevido que lhe deu umas palmadas e um dia seria o seu marido. No entanto, o seu casamento e a vida do seu novo clã altera-se quando o príncipe que a Escócia esperou, finalmente, chega para os libertar da União e do jugo da Inglaterra. Lady McIntosh quer lutar pela liberdade do seu povo e pelo sonho do pai mesmo que isso signifique abandonar o homem que ama e criar uma ruptura entre eles que pode não sarar. Aeneas, para salvar o seu clã e a sua forma de vida, junta-se com alguns homens à Guarda Negra, uma força armada inglesa com o propósito de controlar os escoceses, acabando por lutar contra à mulher e aos amigos.
A denominada coronela Anne leva-os à vitória e torna-se uma lenda nos campos de batalha e motivo de conversa em Inglaterra, demonstrando que as mulheres podem usar a força e a inteligência como os homens. Entretanto longe do marido e cosiderando-o um traidor, Anne volta para os braços do seu primeiro amor. Mas no meio de tantas reviravoltas que uma guerra e um coração podem ter será que o destino dela é tão linear quanto ela quer?
Com pormenores históricos intrigantes ( mesmo que as vezes não muito bem descritos), uma heroína magnífica e uma história de amor e coragem que nos agarra da primeira à última página, A Rosa Rebelde não é um romance histórico excepcional mas cumpre os requisitos para uma lição de História simples e bem ensinada. Anne enche as medidas como heroína e a história do seu povo comove-nos e encanta-nos. Entre cenas de rir às gargalhadas e de chorar de comoção, é uma leitura que recomendo.

6/7


O Ladrão de Arte

Autor: Noah Charney
Editora: Civilização Editora
Número de páginas: 332

Roma: Na pequena igreja barroca de Santa Giuliana, uma obra de Caravaggio desaparece sem deixar rasto.
Paris: Na cave da Sociedade Malevich, a conservadora Geneviéve Delacloche fica chocada ao reparar que o grande tesouro da sociedade desapareceu.
Londres: Na National Gallery of Modern Art, a última aquisição é roubada apenas algumas horas depois de ter sido comprada por mais de seis milhões de libras.
Em O Ladrão de Arte, três roubos são investigados em simultâneo em três cidades diferentes, mas estes crimes aparentemente isolados têm muito mais em comum do que se possa imaginar...
Repleto de pormenores históricos fascinantes, diálogos intrigantes e um enredo enigmático, este primeiro romance de Noah Charney é sofisticado, elegante e tão irresistível e multifacetado como uma obra de arte.

O que têm em comum um quadro renascentista e um quadro pertencente ao Modernismo russo? À primeira vista nada, tirando o facto de terem sido roubados. O primeiro desaparece de uma igreja italiana e, para além dos Carabinieri, é chamado Gabriel Coffin, ex-Carabinieri e, actualmente, académico e consultor da polícia em roubos de arte, um especialista em arte, xadrez e em traçar os perfis de ladrões de arte, é chamado para ajudar a deslindar este caso. O mais estranho é que Gabriel pede a libertação de uma famosa ladra que se encontra na prisão para o ajudar.
Na Sociedade Malevich, a sua sub-directora, Geneviéve Delacloche descobre que, após uma conversa telefónica para a Christie's a denunciar que a "peça estrela" do seu leilão é falsa pois a verdadeira encontra-se na dita Sociedade, o Suprematismo de Branco sobre Branco de Malevich (a tal "peça estrela") acaba de desaparecer da caixa-forte. Para tentar descobrir o que se passa com o dito quadro, Delacloche vai assistir ao leilão onde o falso quadro é vendido à National Gallery of Modern Art por seis milhões e trezentas libras e donde desaparece umas horas após a sua venda. Os roubos acabam por se interligar pois Coffin e Delacloche são chamados em intervir.
À  parte destes três roubos centrais, um professor de História de Arte e raptado por uns executivos que o levam para um armazém onde tem de identificar a veracidade dos quadros roubados, ou seja, as obras de Caravaggio e Malevich e, um quadro suprematista anónimo horroroso que fora comprado no mesmo leilão da Christie´s.
Foi uma leitura agradável com bons momentos de suspense e de muitas gargalhadas graças aos inspectores franceses, Bizot e Lesgouges, que (quase) passaram todo o livro a discutir a sobremesa, o esquecido e trapalhão Inspector Wickenden, as aulas do professor de História de Arte, Barrow, sempre a "dar na cabeça" dos alunos e, claro, o facto da polícia, fosse de qual fosse a nacionaldade, de cada vez que precisava de uma Bíblia a roubar de um hotel.
Apesar de os pormenores históricos não serem tão aprofundados como se esperaria, dá para absorver o essencial, sendo a lição mais visível que, quando não se tem uma Bíblia , o hotel tem de certeza. O final que não parecia muito inesperado acaba por surpreender pela positiva sendo apenas de lamentar que não é muito bem explicado o motivo real para os roubos nem como as várias personagens acabam por se envolver umas com as outras na sua participação ou, por exemplo, onde encaixa a ladra Vallombroso e a sua vingança e consequente relação com as outras personagens.

4/5