quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Opinião - Mathilde

Autor: Max Gallo
Editora: Bertrand Editora
Número de páginas: 340

Sinopse
Entre Junho de 1848 e a repressão terrível que se seguiu à Comuna de Paris, houve a chegada de Napoleão III, o desenvolvimento industrial, as grandes construções urbanísticas de Haussmann que esburacaram a capital francesa e alargaram ainda mais o fosso que já separava o povo da classe privilegiada.
Do lado do povo está um descendente de Maximilien Forestier, marechal do Império, acompanhado pela  família Mercoeur. Do lado oposto, e no meio do esplendor da «festa imperial», o clã do banqueiro Dussert não pára de enriquecer.
Mas o destino baralha as cartas... Mac-Mahon, Gambetta, o escândalo ocorrido no Panamá, que destrói a estabilidade de Clemenceau, e o caso Dreyfus que o leva de novo ao poder, contando com a ajuda das famílias Forestier e Taurignan no seu combate republicano.
E existe Mathilde, jovem, magnífica, que arrasa os corações de quem gosta e mata os perigosos traidores. Até ao momento em que a sombra da I Guerra Mundial começa a desenhar-se no horizonte.
O círculo das seis famílias continua a atravessar a História nesta saga romanesca. Os filhos e os netos dos heróis de Mariella não sairão tão depressa da nossa memória, pois com eles ficamos a saber de onde veio e quem é o povo francês...

Opinião
No segundo volume de Azul, Branco e Vermelho existe uma tonalidade de familiaridade que nos une ao presente e futuro das gerações daqueles que nos deram a conhecer o espírito francês em todos os seus estrados sociais, sexos e ideais em plena Revolução Francesa. Três, quatro gerações depois redescobrimos que as paixões e as lutas mudam mas a forma de as viver e sonhar nunca sofrem transformações. Retrato de uma sociedade em mudança na transição do século XIX para o século XX até ao início da I Guerra Mundial, Mathilde é mais liberal e passional do que Mariella mas não esquece as questões de honra e de família que advieram do primeiro livro.
Embarcando mais espaço de tempo e uma variedade maior de personagens, este livro arrasta-nos entre as recordações passadas e os momentos do presente, apresentando-nos a história de cada personagem e as suas ligações às restantes não deixando nada ao acaso. Apesar de se tornar algo confuso os “saltos” de tempo que ocorrem de uma página para a outra e que nos deixa desnorteados e de haver personagens que acabamos por não conhecer tão bem quanto outras e existir uma infinidade de nomes e ligações que nos deixa meio perdidos na sua leitura, este livro é um romance histórico conciso e humano onde não faltam os pormenores.
Ao ler este livro lembro-me porque gostei do primeiro. É uma história realista acerca de uma época de que pouco se sabe e de uma realidade social igual a tantas outras na Europa e não só. Mesmo como muito mais informação que o volume anterior, consegue “dar-se” de uma forma mais nítida e, apesar destas personagens não serem tão notáveis quanto as anteriores, conseguem a nossa simpatia e rancor nas mesmas proporções. Uma das coisas que mais me agrada é o facto de que as personagens femininas que têm dado o nome aos livros que constituem esta trilogia, serem um retrato fiel da sua época, do seu meio e classe social. É como se elas fossem a própria personificação da História.  
Max Gallo demonstrou aqui que se pode contar História através dos seus próprios protagonistas e que a natureza humana, as suas ambições e desejos são muitas vezes relegados e esquecidos. A História fez-se e faz-se por mãos humanas, sejam nobres ou do povo. Este livro está “vivo” através da sua excelência na descrição de um povo e da sua história.
Para quem gosta de romances históricos, aconselho vivamente.

5/7

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Booking Through Thursday - História

As vezes sinto que sou a única pessoa que conheço que acha que ler História é fascinante. É tão cheia de surpreendentes contudo verdadeiras histórias de pessoas levadas ao limite e que reagiram. Continuo a dizer aos meus amigos que um bom livro de História (em oposição aos livros escolares que são todos listas e datas) faz tudo o que um bom romance faz - agarra-te com personagens verdadeiras que fazem coisas incríveis.
Sou REALMENTE a única pessoa que se sente assim? Quando foi a última vez que leste um livro de História? Biografia histórica? Tu sabes, algo que aconteceu no passado, mas era REAL.

Quando vi o tema desta semana não pude deixar de sorrir. Os livros e a História estão lado-a-lado no primeiro lugar dos meus "amores". Desde a primeira aula que tive sobre História que tive a certeza que era aquilo sem o qual eu não podia viver. Nove anos depois ingressei no curso de História e tenho a certeza de que era isto que eu queria.
Assim, não é estranho haver na minha estante romances históricos e livros de História "a sério". É a minha vida, aquilo de que mais gosto e aquilo que escolhi seguir. Ler livros de História é, por isso, tão normal quanto respirar. Mesmo em férias, não consigo largar a História sendo que as minhas duas últimas leituras foram romances históricos. A partir de Setembro, então, vai ser uma correria à livraria da faculdade para comprar os próximos livros em que vou estar embrenhada. Mal posso esperar. Mais do que por obrigação, por estudo, para o próximo exame ou para aquele trabalho que me está a dar uma enorme dor de cabeça, pegar num livro em cujas páginas momentos que construíram este mundo desfilam na forma de palavras perante os meus olhos é um calmante para a minha mente e coração.
Mais que fascinante, é paixão.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Booking Through Thursday - Fofo

Tiveste um dia longo, difícil e cansativo, e tudo o que queres fazer é enroscares-te com algo leve, divertido, fácil, fofo, que distraia e entretenha. 
Que livro escolherias? 

Se tivesse de escolher só um, por mais infantil que possa parecer, escolheria Victoria e o Charlatão de Meg Cabot por me lembrar de todos sorrisos e gargalhadas que este livro me deu nos maus momentos. É um livro simples com uma história romântica previsível e com o humor característico da escritora que nos deixa esquecer as coisas más e rir com vontade mesmo que não nos apetecesse. 
Para mim este livro engloba todas as características descritas em cima mas, no geral, qualquer livro serve para desanuviar pois depois de um dia difícil aquilo que mais gosto é esticar-me no sofá com um livro.

sábado, 13 de agosto de 2011

Opinião - O Desejo

Autor: Alexandra Bullen
Editora: Planeta Manuscrito
Número de páginas: 272

Sinopse
Para a infeliz Olívia Larsen nada pode alterar o facto de que a sua irmã gémea, Violet, morreu… Vive angustiada e isolada e um dia as suas incursões levam-na a uma velha loja onde uma misteriosa costureira lhe oferece um vestido, dizendo-lhe que é mágico e que lhe pode conceder um desejo. Céptica, veste-o e pede a única coisa que deseja: que Violet volte. 
Com Violet de novo ao seu lado, ambas têm uma segunda oportunidade na vida. Mas nem tudo é o que parece, como em breve descobrem… Por insistência de Violet voltam à loja e obtêm mais dois vestidos – e mais dois desejos. Mas a magia não pode resolver tudo e Olívia é obrigada a confrontar os seus fantasmas para aprender a rir, amar e viver outra vez.
O Desejo é uma impressionante estreia literária de Alexandra Bullen e faz-nos a seguinte pergunta: Se pudéssemos ter o que quiséssemos, o que pediríamos?


Opinião
E se encontrássemos uma lâmpada mágica ou, neste caso, um vestido que nos concedesse um desejo? Um qualquer? Uma questão que muitos de nós já devemos ter colocado a nós mesmos. E é esta a questão que Alexandra Bullen nos coloca neste seu primeiro livro, na pessoa de Olivia, uma menina doce que sempre viveu na sombra da irmã gémea, Violet que morreu e que Olivia trará de volta através de um desejo.
O Desejo é sobre o certo e o errado, os desejos e vontades humanas, a perda e o amor. Retrata os sentimentos de forma doce e fala-nos sobre situações tão dolorosas como a de perder alguém que amámos e ver o nosso mundo desabar aos poucos e poucos. Infelizmente não consegue estar à altura dos temas escolhidos. Em vez de encontrarmos uma história forte, capaz de nos pôr a pensar e de sensibilizar, encontrámos uma história estereotipada acerca de uma adolescente que é a personalização da perfeição, que só pensa nos outros e que precisa que a irmã, que em vida era a estouvada das duas, regresse para ela "crescer"... Entretanto, tudo gira à volta de um rapaz e de entrar numa escola nova e ter amigas e ser popular. Conclusão: é mais uma história de adolescentes e não tem nenhuma da profundidade que se pensa que este livro tem.
Como se não bastasse a desilusão de ver as minhas expectativas de uma leitura "profunda" completamente furadas, há uma razão para a leitura ser ainda mais dolorosa: a perfeita, doce e aborrecida Olivia. Deve ser uma das protagonistas mais "sem sal" que eu já vi. Não traz nada de novo, não tem um pingo de personalidade e quase nós faz desistir do livro tal é pouca graça que ela tem. Já Violet, essa sim, é a alma do livro. Nela pudemos ver a transformação que ocorre quando perdemos tudo. É nela que assistimos ao crescimento psicológico e à alteração/aceitação da nova "vida". Violet é o centro desta história e o grande ponto positivo deste livro.
 A escritora parece dar a impressão de querer dar uma lição de moral que acaba por não ser entendida e no meu ver, desnecessário. Cada pessoa é uma pessoa, cada vida é uma vida e a perfeição é uma coisa que não existe e, se me permitem, ainda bem. Pois cada um de nós escolheria um desejo diferente, tomaria um rumo diferente. E a diferença é uma coisa que é boa. Já imaginaram se fôssemos todos iguais?

3/7

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Booking Through Thursday - Semana Nacional do Livro

É a Semana Nacional do Livro. Regras: Pega no livro mais perto de ti. Vai à página 56. Copia a 5º frase.

 "Desmontou sem deixar sequer que o cavalo parasse, elevando a sua perna direita por cima do pescoço do animal e descendo com um salto próprio de um saltimbanco de feira, dando mostras da sua excelente forma física."

A Paixão Secreta do Inquisidor



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Booking Through Thursday - Antecipação

Qual foi o último livro que te deixou realmente entusiasmada?
E estavas entusiasmada com a perspectiva de o leres ou o entusiasmo cresceu enquanto lias?
Há alguns livros que esperes ansiosamente de momento? 


O último livro que me deixou realmente entusiasmada foi O Despertar do Crepúsculo, por ser, não só, de Anne Bishop e ter as minhas personagens preferidas mas também por ser o último livro acerca deste mundo que eu tanto adoro. Obviamente enquanto não peguei nele não descansei e como podem ver pela minha opinião, foi uma leitura bastante emotiva e apesar de todas as sensações contraditórias, é impossível perder o entusiasmo durante a leitura deste livro.
Os livros que aguardo ansiosamente são Dança com Dragões e Acácia - Ventos do Norte.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Opinião - Beastly

Autor: Alex Flinn
Editora: Caracter Entertainment
Número de páginas: 304

Sinopse
Sou um monstro. Um animal. Não sou bem um lobo nem um urso, nem um gorila nem um cão. Sou uma nova criatura horrível, que caminha na posição vertical - uma criatura com presas e garras e pelo a brotar de todos os poros. Eu sou um monstro.
Acham que estou a falar de contos de fadas? Nem pensar. O local é a cidade de Nova Iorque. O tempo é o de hoje. Não é uma deformidade nem se trata de uma doença. E vou ficar assim para sempre - arruinado - a não ser que consiga quebrar o feitiço.
Isso mesmo, o feitiço, aquele que a bruxa da minha aula de Inglês lançou sobre mim. Porque é que me transformou num animal que se esconde durante dia e vagueia pela noite? Eu digo-vos. Vou contar-vos como costumava ser Kyle Kingsbury, o tipo que toda a gente gostava de ser, com dinheiro, de aspeto perfeito, a vida perfeita. E depois, vou contar-vos como me tornei perfeitamente... monstruoso.


Opinião
A Bela e o Monstro é, desde sempre, o meu conto preferido. Tinha, em criança, dezenas de livros e versões deste conto. Via a vhs da Disney, umas quantas vezes por dia. Se me perguntassem qual das princesas eu era, eu respondia, a Bela. Ainda hoje vejo no Monstro a minha idealização de príncipe. Por isso,não consigo evitar ser sentimentalista ao dar esta opinião. É sempre com prazer e saudade que regresso a esta história e recordo-me de todas as vezes que ao longo da vida me deliciei ao desfrutá-la.
Beastly, é mais uma das inúmeras versões que eu faço questão de ler ou ver daquele que ainda hoje é o meu conto de fadas de eleição. Uma versão do século XXI, com a mesma linha de todas as outras versões de A Bela e o Monstro mas que procura aprofundar um pouco mais os detalhes muitas vezes inexplicados das outras versões. Existem pormenores subjacentes a esta época que acrescentam uma lufada de ar fresco a esta história. Não é uma obra-prima e é completamente previsível mas qualquer um que goste tanto desta história como eu, saberá apreciar a leitura deste livro.
Tenho pena que a autora não tenha seguido uma vertente mais adulta e sombria deste conto mas não haja dúvida que soube juntar os ingredientes para emocionar qualquer um. A Lindy está longe daquilo que idealizo da Bela mas Kyle é sem dúvida uma personagem prometedora mas algo mal explorada. Enfim, é difícil ser original com uma história que já todos ouvimos e conhecemos.
Para mim, foi um regresso à minha infância e trouxe-me muitas doces recordações e não consegui evitar um sorriso saudoso ao longo desta leitura.

5/7

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Opinião - O Punhal do Soberano

Autor: Robin Hobb
Editora: Saída de Emergência
Número de páginas: 384

Sinopse
Fitz mal escapou com vida à sua primeira missão como assassino ao serviço do rei. Regressa a Torre do Cervo, enquanto recupera do veneno que o deixou às portas da morte, mas a convalescença é lenta e o rapaz afunda-se na amargura e dor. O seu único refúgio será a Manha, a antiga magia de comunhão com os animais, que deve manter em segredo a todo o custo. 
Enquanto recupera, o reino dos Seis Ducados atravessa tempos difíceis com os ataques sanguinários dos Navios Vermelhos. A guerra é inevitável e preparam-se frotas de combate para enfrentar o inimigo, mas o rei Sagaz não viverá por muito mais tempo. 
Sem os talentos de Fitz, o reino poderá não sobreviver. Estará o assassino real à altura das profecias do Bobo que indicam que o rapaz irá mudar o mundo?

Opinião
 Uma das coisas de que mais saudades tinha, antes de ler O Aprendiz de Assassino, era de me "apaixonar" novamente por uma saga. Depois de o ler, não tive qualquer dúvida, Robin Hobb conquistara o meu coração ansioso por uma nova e excitante saga. Num estilo muito próprio, Robin eleva a demanda épica a um novo patamar sem o qual já não conseguimos viver e demonstra que na "velha" high fantasy ainda existe muita originalidade capaz de (re)conquistar os leitores da fantasia épica. Regressar aos Seis Ducados, depois de tanto tempo, apenas aumentou a minha curiosidade e a minha vontade de devorar o segundo volume sobre as aventuras de FitzCavalaria e redescobrir todas as personagens geniais com que a autora nos havia presenciado.
Descobri que "desilusão" é uma palavra que não vai constar no meu vocabulário quanto ao que A Saga do Assassino concerne. Descobri, sim, que sou capaz de me apaixonar ainda mais! O regresso de Fitz à Torre de Cervo após o seu envenenamento vai proporcionar-lhe mais respostas do que estava à espera e ainda mais mistérios. A sua evolução de rapaz a homem, de bastardo a príncipe, de solitário a alcateia, dá-nos uma sensação de expectativa única ao assistirmos ao crescimento do nosso protagonista e ao seu amadurecimento emocional, catapultando-nos para uma leitura ainda mais intensa e embriagante do que anterior, onde é impossível não nos sentirmos na pele do jovem Cavalaria e sentir os seus amores e ódios e não termos vontade de lutar as suas batalhas. A magnitude das personagens de Hobb, a sua beleza humana e complexidade, fazem-nos amá-las, odiá-las e compreendê-las sobre uma forma de entrega absoluta enquanto assistimos ao decorrer desta história de uma forma completamente entregue sem nunca levantarmos o olhhar das páginas.
Entrar no mundo criado por Robin é uma aventura fantástica que nos agarra e fascina sem dar tempo sequer para respirar, e que se tornou num dos meus preferidos com todo o direito.

7/7