quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Opinião - A Demanda do Visionário

Título Original: Assassin's Quest (2ª parte #3 Farseer Trilogy)
Autor: Robin Hobb
Editora: Saída de Emergência
Número de páginas: 476


Sinopse
O verdadeiro rei dos Seis Ducados desapareceu numa missão misteriosa em busca dos Antigos para salvar o reino da ameaça dos Navios Vermelhos. O seu irmão usurpador está determinado a impor uma tirania cruel e não abrirá mão do poder, a não ser com a própria morte. Fitz sabe que a única forma de por fim ao reinado do príncipe usurpador é iniciar uma demanda em direção ao reino das Montanhas onde irá descobrir a verdade sobre as profecias do Bobo. Mas a sua missão enfrenta um novo perigo com a magia do Talento a precipitar a sua alma para a beira do abismo. Conseguirá resistir à magia e ainda enfrentar os obstáculos que surgem à sua demanda? 

Opinião
 
A Saga do Assassino é uma saga diferente de tudo o que já li na Fantasia. Desde a forma de escrever da autora, às suas personagens, às questões que os seus livros levantam, tudo acaba por nos puxar para estes livros apesar da lentidão já referida da autora. Depois de um primeiro livro que não me chamou assim tanto a atenção decidi voltar a esta saga e, quando dei por mim, estava completamente enredada nele. Foi com muita calma mas muita emoção que acabei por dar um lugar especial ao mundo de Hobb e, após meses de intensa leitura em redor desta saga, eis que finalmente cheguei ao fim.
Já foi discutido o facto de até este último volume ser lento em acção. De só nas últimas páginas se passar algo de importante. De tudo ficar em aberto. Final insatisfatório, é a opinião geral. Bem, sim têm razão, basicamente este livro poderia ser resumido assim. Só que esta não é uma saga de acção. Esta não é uma saga onde tudo se passa em aberto e em que os actos bastam para sabermos o que se passa. Se fosse, a Hobb era só mais uma escritora entre muitas e esta saga era mais uma entre muitas. Não, há uma razão porque muitos de nós se apaixonou por esta saga. E a razão, pura e simplesmente, é que este não é um livro de fantasia comum.
Nada foi comum em cinco livros. Nem protagonista, nem vilão, nem enredo. E o fim não podia ser diferente. É lento, introspectivo, pessoal e daqueles que põem uma pessoa a pensar na vida, nos sentimentos, em tudo o que a rodeia. A Demanda do Visionário é tudo ele uma carga emocional. É um livro de descobertas e desgostos, de se aceitar a realidade e viver com isso. Onde os sonhos se realizam mas sempre com um preço a pagar. É o livro onde todas as escolhas são feitas. Finalmente, abarcámos todo o significado do que é “Sacrifício”.
Por isso, não, não me desiludiu como pensei que iria fazer. Talvez por já cá ter a continuação e saber que isto continua, o que é um factor importante, mas também porque a autora não fugiu ao seu estilo e deu-nos aquilo que havia prometido no início. Algo real.
Apesar disso houve dois pontos que deixaram a desejar. Toda a demanda ter sido tão cheia de obstáculos para mal sentirmos o sabor do fim foi muito aquém. Esperava mais uns pormenorzinhos. E depois, Majestoso. Queria algo mesmo em grande para ele. Consigo perceber qual foi a ideia de Hobb mas não foi suficiente. Depois tanta coisa ter aquele fim patético foi uma desilusão.
Mas depois temos o Bobo, Esporana, Panela, Veracidade, Kettrichen, Castro. Todos os desenvolvimentos, as descobertas e mudanças, foi de chorar e rir até ao último fôlego. São personagens que marcam e ficam na nossa memória. E depois temos o Fitz. Acho que já deu para perceber que sinto uma grande afinidade com esta personagem. A sua complexidade, os seus ódios e paixões, tudo com ele é vivido até ao extremo. Este não era o fim que eu desejava para ele mas, mais uma vez, é bom saber que não tarda vou puder regressar a ele.
Portanto, depois de um livro detalhado, lento e fraco em acção, eu acabei por viver cada um desses momentos como se fosse realmente o último. Houve vezes que odiei a Hobb ser tão cruel, dá mesmo vontade de lhe perguntar se ela não sabe o que é finais felizes mas depois percebi que se não fosse assim, este livro não me tinha dado tanto, nem tinha sentido tanto com ele. 

7*

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