domingo, 15 de janeiro de 2012

Opinião - Entrevista com o Vampiro

Título Original: Interview with the Vampire (#1 The Vampire Chronicles)
Autor: Anne Rice
Editora: Europa-América
Número de Páginas: 276


Sinopse
 Obra já clássica no seu género, Entrevista com o Vampiro é o primeiro volume da saga «Crónicas dos Vampiros» e granjeou o estatuto de livro de culto, comparável a Drácula de Bram Stoker.
Das plantações oitocentistas do Luisiana aos becos sombrios e cenários sumptuosos de Paris, do Novo Mundo à Velha Europa, Claudia e Louis fogem de Lestat, o seu criador e companheiro imortal. E o cruel vampiro que tirara partido do desespero de Louis e da fragilidade da órfã Claudia, no bairro francês da Nova Orleães assolada pela peste, move-lhes uma perseguição sem tréguas no submundo parisiense, entre a trupe Théâtre des Vampires do misterioso Armand e criaturas das trevas.


Opinião
 
É chamada a mãe dos vampiros, a senhora por excelência do Gótico. Autora de bestsellers, já viu alguns dos seus livros tornados em filme, com este Entrevista com o Vampiro, protagonizado por Tom Cruise, Brad Pitt e Antonio Banderas. Este é o primeiro volume da sua obra mais famosa, Vampire Chronicles, que lhe valeu o seu estatuto como a maior escritora de sobrenatural e como a criadora dos “vampiros a sério” na literatura do século XX.
Ler Anne Rice é um objectivo que tenho a tantos anos que quando pude finalmente ler o livro que levou a um dos meus filmes preferidos, não cabia em mim de tanto entusiasmo. Apesar de já conhecer a história pelo filme, como sabem, ler o livro é sempre uma experiência diferente e resistir a ler a maior obra desta grande senhora é um desafio tremendo, ao qual não resisti. Por isso, mesmo tendo como regra não ler livros depois de ver o filme, pôr finalmente as mãos em cima de um livro desta escritora foi demasiado tentador.
Assim que comecei a ler soube que o filme não faz justiça ao livro. A forma como Louis vai relatando a sua vida ao rapaz, como cada memória o faz pensar no porquê das coisas, de como se sentia, a forma como coloca as suas perguntas infinitas sobre Deus, a imortalidade, a sua própria existência, o Bem e o Mal, transforma logo este livro em algo mais do que um livro de vampiros. Mais, a forma como tudo nos é relatado e brilhante e crucial para que nós próprios nos questionemos e nos enredemos em cada página com um misto de terror e curiosidade que não nos vai deixar largar o livro.
Todo o enredo é um desenrolar de acontecimentos que nos deixa pregados à cadeira sem conseguirmos levantar os olhos do livro. Cada momento inesperado pode levar-nos a maior das surpresas e, ao mesmo tempo, ao maior dos desesperos. Esta é uma história que nos promete emoções fortes, onde os vampiros caçam, matam e amam por uma só coisa: a sede de sangue. Aqui os ideais de beleza estão associados a morte, o desejo de possuir algo resulta na morte do objecto adorado. Aqui os vampiros são criaturas da noite que dormem em caixões, que sentem de maneira totalmente diferente da nossa, que se preocupam apenas com a sua sobrevivência.
Quanto às personagens, Lestat é sinónimo de tudo aquilo que abominámos e desejámos ao mesmo tempo. Os seus segredos e medos, as ambições e desejos, levam-nos a temer o que de mais profundo se encontra na alma de alguém. Louis por seu lado, é aquele que acredita em tudo e não acredita nada, o que questiona tudo, teme tudo e vive rodeado de incertezas, cheio de escrúpulos num mundo que passa por cima de qualquer valor moral. A pequena Claudia, é provavelmente, a maior antítese de todo o livro. Presa para sempre num corpo de criança mas com uma mentalidade de predadora, é das personagens que mais cativa e prende o leitor com a sua ambiguidade e as questões que a sua transformação levantam. 
Muitas vezes, ao longo da leitura, dei por mim a ler uma cena e a recordá-la do filme, e conseguir visualizar aquela cena só conseguia intensificar ainda mais o que estava a ler. Mesmo assim, sinto inveja daqueles que o leram muito antes de ver o filme pois essa deve ser uma sensação única.
Obscuramente belo, Entrevista com o Vampiro só é possível graças a escrita fenomenal de Anne Rice. Brutal e sincera, introspectiva e mórbida, é de uma forma brilhante que ela nos leva a estes vampiros dignos de Drácula e nos dá a sua verdadeira essência. 

7*

6 comentários:

  1. Também gostei imenso, apesar de ter gostado ainda mais de Drácula (o que me lembra que tenho de escrever uma opinião...)
    Seja como for, é um livro muito bom e que toda a gente deveria ler ;)

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  2. Olha aí está um livro que ando para ler há montes de tempo! Pois tens, estou à espera pa =o

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  3. Não li este da Anne Rice mas li os seguintes da saga sendo que, o vampiro Lestat é o vampiro mais fascinante deles todos:). Anne Rice tem uma escrita fantástica algo poética e ao mesmo tempo grotesca que é um verdadeiro parodoxo assim como as suas personagens. Um paradoxo fascinante!

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  4. É verdade Jojo, a escrita dela é aquilo a que pudemos chamar morbidamente bela!
    O Lestat é realmente o vampiro que me chama mais a atenção, tanto que espero ler "O Vampiro Lestat" em breve.

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  5. Eu acho que ainda não li este livro porque estava com medo que fosse pior que o filme, que é um dos meus preferidos. Mas, segundo a tua opinião, ainda é melhor!

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  6. Addle,

    A própria autora odiou o filme, principalmente a escolha de Tom Cruise para Lestat apesar de depois se ter arrependido disso. Eu também gosto muito do filme mas o livro bate em pontos, é soberbo *.*

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