domingo, 29 de janeiro de 2012

Opinião - O Diário a Rum

Título Original: The Rum Diary
Autor: Hunter S. Thompson
Editora: ASA
Páginas: 204


Sinopse
 Paul Kemp, um jovem jornalista, viajante incansável, bebedor de rum e alter ego do autor, abandona Nova Iorque com destino a Porto Rico, conseguindo emprego como redactor num jornal onde trabalha uma fauna colorida de misantropos e fracassados, mas também de jovens ambiciosos dispostos a refazer o mundo.
A paradisíaca tríade tropical de rum, sexo e calor rapidamente dará lugar a bebedeiras prolongadas, rixas, festas desinibidas e de uma sexualidade selvagem. Estamos na década de 1950 e, com a visão entorpecida pelo rum, Paul assiste à lenta agonia de uma ilha corrompida pelo dinheiro, pelas ambições dos Estados Unidos e o compromisso hipócrita dos jornalistas.
Diário a Rum é a crónica mordaz e sincera de uma desilusão. Iniciado em 1959, quando Hunter S. Thompson tinha vinte e dois anos, é o primeiro romance do criador do jornalismo gonzo e cabeça de cartaz da contracultura, ao lado de Jack Kerouac e William S. Burroughs.

Opinião 
 Esta é a primeira obra de Hunter S. Thompson. Escrita aos vinte e dois anos de idade, marcou o início de uma carreira, dedicada a contracultura americana, daquele que foi o criador do jornalismo gonzo. Recentemente adaptado para o cinema, O Diário a Rum volta as livrarias para voltar a deixar a sua marca.
Este livro foi uma das prendas de Natal da mãezinha, e ela comprou-mo… sim, porque tinha o Johnny Deep na capa. Ridículo, eu sei mas como até tinha tenções de ver o filme porque lá está, sou fã do senhor, fiquei esperançosa para ver como era afinal este livro. Resultado, ainda não fui ver o filme mas já li o livro!
Sendo um livro pequeno, e com uma história sem grandes detalhes, O Diário a Rum é daqueles que se lê bem e dá para passar o tempo, principalmente se for o vosso género. Pessoalmente não tenho muito a dizer do livro. Não sei se foi por causa do tamanho, se do enredo em si, foi um livro que gostei de ler mas que não vai deixar grandes marcas. Percebe-se a mensagem que o autor nos quer dar, afinal, ataques ao capitalismo ou qualquer outra coisa que venha da América, é o que não tenho faltado nas últimas décadas, mas parece ser apenas mais uma dessas mensagens, sem grande pensamento ou esforço.
Muitos dizem que este não é o melhor trabalho do autor, o que eu acredito. Basicamente, encontrámos ao longo de 200 páginas um grupo de bêbedos, sem ideias ou objectivos, muitos sonhos mas nenhuma vontade de os concretizar. São freelancers americanos dos anos 50 em Porto Rico, que vão fazendo asneira atrás de asneira na companhia do rum. Por trás de algo que nos parece quase ridículo de tão simples, existem mensagens como as da violência gratuita, da perdição de uma geração, ou do controlo que os EUA passam a ter na América do Sul, em zonas como esta, capitalizando-as e sobrepondo-se às autoridades locais, demonstrando que os “gringos” é que são os civilizados e vieram para controlar tudo a seu bel-prazer. Corrupção, é a palavra-chave deste livro.
Este é, por isso, um livro sobre a queda do ser humano, sobre o que acontece quando as ambições e o álcool sobem demais a cabeça. Se eu conseguia tirar mais do que isto do livro? Nem por isso.
Provavelmente isto acontece porque este não é o meu tipo de leitura, e pode ter-me passado algo ao lado. Mesmo assim, duvido que um grupo de bêbedos que ora têm muita moral, ora não têm nenhuma, me tivesse muito mais para dizer.


3*

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