segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Opinião - A Revolta

Título Original: Mockingjay (#3 The Hunger Games)
Autor: Suzanne Collins
Editora: Editorial Presença
Número de Páginas: 275


Sinopse
 Katniss Everdeen não devia estar viva. Mas, apesar dos planos do Capitólio, a rapariga em chamas sobreviveu e está agora junto de Gale, da mãe e da irmã no Distrito 13. Recuperando pouco a pouco dos ferimentos que sofreu na arena, Katniss procura adaptar-se à nova realidade: Peeta foi capturado pelo Capitólio, o Distrito 12 já não existe e a revolução está prestes a começar. Agora estão todos a contar com Katniss para continuar a desempenhar o seu papel, assumir a responsabilidade por inúmeras vidas e mudar para sempre o destino de Panem - independentemente de tudo aquilo que terá de sacrificar…

Opinião 
 Depois de reviravoltas inesperadas, Katniss vê-se responsável por decisões que nunca pensou tomar, indecisa pela segurança dos que ama e por um papel que nunca quis, encontra-se rodeada por pessoas em quem não confia e que a usam como um peão em algo que nunca ambicionou, é confrontada com a dura realidade que as ambições muitas vezes não olham a meios para conseguir o fim desejado e apercebe-se que afinal, os Jogos ainda não terminaram e, que mais uma vez, é o alvo a abater.
Numa leitura frenética, acompanhei em poucos dias estes Jogos da Fome, deixei-me ir na crueza e despotismo que habitam nas suas páginas, fui levada aos extremos dos ideais, percebi o que acontece quando a natureza humana é levada ao limite. Mais do que isso, entendi que muitas vezes o “bem maior” leva a sacrifícios, e que aqueles que foram sacrificados, na sua maioria, apenas queriam viver a sua vida.
A Revolta porque esperamos desde o primeiro livro, ganha força e a sua dimensão atinge desproporções inesperadas, atingindo tudo e todos. A rebelião é uma ideia que quando chegámos a este livro já está intrínseca na nossa mente, por isso já era de esperar todo o ambiente bélico e extremista que marca este último volume, o que eu não esperava era não a ver de mais perto. O facto de a vermos a partir das altas patentes da revolta, só demonstra uma coisa. Quem fica a ganhar são sempre aqueles que não dão nada pelas causas que defendem, que deixam outros dar a vida por algo que nunca irão ver. Ficar tão ciente disto é um dos choques que este livro nos dá. Não é algo que todos nós já não saibamos mas mesmo assim é algo que nos atinge e nos faz pensar nos valores que têm movido muitos ao longo da Humanidade.
Não esperem por nada de bom. Não vai acontecer. Quando parece que há coisas boas a acontecer, tudo muda, quando a esperança ganha fôlego, ela esmorece. O espírito que encontrámos em A Revolta roça a irracionalidade, o instinto de sobrevivência e a vingança. Esta última está presente em cada acto, cada pensamento de todos aqueles que se envolvem na luta contra o Capitólio. Os ideais são esquecidos em detrimento de sentimentos mais humanos, os valores são colocados de parte e, de repente, vemos aqueles que lutam por algo melhor cometer as mesmas atrocidades dos seus oponentes. Ter a certeza que poucos vão ganhar alguma coisa, que as cicatrizes vão prevalecer acima de tudo, é algo que me perseguiu ao longo destas quase 300 páginas.
É em Katniss que vamos ver todos os sentimentos que uma guerra pode provocar num ser humano. Ela é o exemplo que Collins usa para nos apercebermos que as vitórias têm preços demasiado elevados. Aqui não há finais felizes mas sim pequenas compensações por demasiado sofrimento, pelas demasiadas perdas. Falar-vos do triângulo amoroso que se encontrou à parte em toda a história parece-me mesquinho porque nem mesmo a autora lhe deu importância, tendo-lhe dado um final abrupto.
Agora, sim posso falar-vos de Snow, a cobra venenosa que está sempre presente ao longo da trama, exercendo uma forte presença psicológica negativa em todos. Este senhor é de arrepiar até ao tutano. Desequilibrado, poderoso, uma mente inalcançável, percebe-se o porquê da sua demonstração de poder e o medo irracional que provoca.
A parte mais negativa é mesmo o facto de os momentos finais passarem-se tão rápido que mal nos apercebemos do que está a passar, acho que a escritora podia ter tido um pouco de mais calma e ter escrito um final muito melhor, pois este deixou-me com a sensação de insatisfação.
De resto, esta trilogia foi uma surpresa e deixou-me ansiosa pela estreia do filme. Parece-me que os Jogos ainda não terminaram… 

 6*

4 comentários:

  1. Adorei os Jogos da Fome, foram dos melhores livros que li em 2011 :)
    Apesar deste livro ter sido o menos "amado" da trilogia, acho que foi um final adequado... Realista e não idealista. No epílogo percebemos que, com o tempo, as coisas melhoram, mas que as cicatrizes ficam sempre...

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  2. Mariana, também achei. Se o final tivesse sido diferente, aí sim perguntava-me qual tinha sido o objectivo da escritora mas neste caso foi um bom final.

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  3. Gostei muito da tua opinião, parece que sentiste o mesmo que eu quando o li. :)

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  4. Olá Telma!
    Pois este livro provoca as mais variadas emoções =)

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