segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Opinião - Duna

Título Original: Dune (#1 Dune Chronicles)
Autor: Frank Herbert
Editora: Saída de Emergência
Nº de Páginas: 574


Sinopse
 O Duque Atreides é enviado para governar o planeta Arrakis, mais conhecido como Duna. Coberto por areia e montanhas, parece o local mais miserável do Império. Mas as aparências enganam: apenas em Arrakis se encontra a especiaria, uma droga imensamente valiosa e sem a qual o Império se desmoronará. O Duque sabe que a sua posição em Duna é invejada pelos seus inimigos, mas nem a cautela o salvará. E quando o pior acontece caberá ao seu filho, Paul Atreides, vingar-se da conspiração contra a sua família e refugiar-se no deserto para se tornar no misterioso homem de nome Muad'Dib. Mas Paul é muito mais do que o herdeiro da Casa Atreides. Ao viver no deserto entre o povo Fremen, ele tornar-se-á não apenas no líder, mas num
messias, libertando o imenso poder que Duna abriga numa guerra que irá ter repercussões em todo o Império...


Opinião 
 Chamam-lhe o Senhor dos Anéis da ficção científica e é considerado um dos maiores clássicos desta área. Foi considerado a grande obra do seu autor, Frank Herbert. Através de uma história ímpar em que todos os assuntos são abordados como a política, a religião ou a ecologia, torna-se um livro brutal em que nada é deixado ao acaso e cada pormenor foi estudado e inserido de forma a várias gerações se puderem identificar com ele. Forte, aguerrido e viciante são alguns dos adjectivos que se podem dar a um dos grandes livros do século XX.
Primeiro que tudo devo avisar-vos que não sou fã de Ficção – Científica visto que nunca me identifiquei com o género, muito possivelmente por causa do Star Wars, já que nunca consegui gostar dos filmes ou de qualquer coisa que tivesse a ver com eles. Por isso, considero que tive um grande acto de coragem ao pegar neste livro. Devido ao Clube de Leitura Bertrand – Fantástico em que vou participar fui “coagida” a comprar Duna, uma vez que é a primeira obra que irá ser tratada e, num espírito de aventura, decidi comprá-lo e experimentar algo totalmente diferente do que estou habituada a ler.
Dizer que não estava a espera de nada do que é este livro é uma realidade, já que apesar das excelentes críticas, eu não tinha qualquer expectativa ou noção do que esta leitura seria. Considero-a o meu “encontro às cegas”. Mas daqueles que acaba da melhor maneira. A primeira coisa porque me apaixonei foi pelo apêndice. Coisa parva, não é? Mas é que é tão brilhante e detalhado que não pude deixar de me sentir fascinada com ele. Deste para a história em si, foi um passo. Não estava preparada para a grandiosidade, para a brutalidade ou beleza crua que Duna é. Ao longo das páginas senti-me cativada e fascinada de uma forma tão intensa que só conseguia pensar “Há quanto tempo não leio algo assim?”.
Cada pormenor em termos políticos ou religiosos, a questão da ecologia e da sobrevivência, foram explorados até ao seu âmbito, mostrando-nos neste livro o que acontece quando se chega à obssessão e ao fanatismo pelo poder, pela riqueza, pelo controlo total do universo. Através dos meandros mais obscuros, de profecias e manipulações, algo é tão gigantescamente criado que até aqueles que o previram não o podem controlar. Observar como quer seja no passado, quer seja no futuro longínquo, os homens são aprisionados pelo sistema ou pelos seus ideais, chegando ao ponto de se tornarem peões nas mãos de um único indivíduo, é algo que aqui é conseguido brilhantemente. Ver um sistema feudal funcionar de uma forma tão bem conseguida em territórios e ambientes diferentes é algo que me faz querer deslindar cada pormenor das leis, das corporações, das Grandes Casas. E é algo que Herbert nos cede de uma forma tão soberba que não há leitor que não se encante pela maneira com que o escritor constrói o seu mundo de uma ponta à outra, sem deixar escapar nada.
A viver num mundo tão brutal como corrupto, temos personagens surpreendentes. Fortes e manipuladoras, cada uma vai até ao fundo da essência do ser humano. Em cada uma pudemos ver o que de pior e melhor, o Homem pode fazer pelas suas causas. E depois temos Muad’Dib, concentrando em si todos os desejos e ambições, todas as profecias e construindo uma imagem que perdurará em lendas, que é não um mas vários homens num só, aquele que pode destruir ou construir com uma palavra. O tipo de homem que cria seguidores fanáticos.
Através de um entrelaçamento perfeito, temos aqui todo um novo sistema, um novo governo, um novo “petróleo”. Viajar pelas páginas deste livro é reconhecer o Mundo onde vivemos e aquele que ele será. Sinto que não disse tudo o que este livro me transmitiu mas espero que pelo menos vos leve a querer lê-lo porque não o ler, é perder toda uma forma de ver um mundo.



7*

4 comentários:

  1. Olá

    Para mim foi o melhor livro que li em 2010 e graças a ele já li mais autores de FC, tal como Jack Vance, Philip Farmer, Urusula Le Guin e Roger Zelazny, tudo excelentes escritores, isto em 2011.

    Grande livro que funciona muito bem como stand-alone ;)

    BJ

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  2. Olá,
    A trilogia de Terramar já a tenho ali para a ler, aproveitei a edição Argonauta já que estava a um preço muito bom (€1,5 cada um). Mas estou em dúvida se será necessário ler também o quarto livro que está editado pela Presença. Achas que sim?

    Grande livro mesmo mas fiquei com curiosidade de ler o segundo =p

    Beijo e boas leituras

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  3. Sim a piada é leres a continuação desses livros, pois tem continuidade.

    fica um pouco mais caro, mas no final vais sentir que valeu bem a pena o dinheiro empregue 8mais uma vez as minhas desculpas à tua carteira :P)

    Quanto ao 2º volume do Duna, não gostei tanto, mas tem uma parte final muito potente e é um livro mais curto ;)

    BJ

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  4. Então vou seguir o teu conselho ;) A tua sorte é que esses livros na Feira do Livro estão muito baratos lool Eu já tenho "Num Vento Diferente", só me falta esse quarto livro.

    Quanto ao "Messias de Duna" acho que vale a pena arriscar =p

    Beijo e boas leituras

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