sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Opinião - O Rapaz de Olhos Azuis

Título Original: Blue Eyed Boy
Autor: Joanne Harris
Editora: Edições ASA
Nº de Páginas: 432

Sinopse
 Ele conhece-a há uma eternidade e, contudo, ela nunca o viu. É como se fosse invisível para a mulher que ama. Mas ele vê-a a ela: o cabelo; a boca; o rosto pequeno e pálido; o casaco vermelho-vivo na neblina matinal, como algo saído de um conto de fadas.
Até agora, ele nunca se apaixonou. Assusta-o um pouco: a intensidade dessa emoção, a maneira como o rosto dela se intromete nos seus pensamentos, a maneira como os seus dedos traçam o nome dela, a maneira como tudo, de algum modo, conspira para que ela nunca lhe saia da cabeça…
Ela não sabe de nada, claro. Tem um ar muito inocente, com o seu casaco vermelho e o seu cesto. Mas por vezes os maus não se vestem de preto e por vezes uma menina perdida na floresta é bem capaz de fazer frente ao lobo mau…


Opinião 
 Muitos de vocês conhecem-na por Chocolate quer em livro, quer em filme. É autora bestseller e este livro recebeu um dos mais aclamados prémios de literatura inglesa. Escreve livros que são êxitos internacionais e tem milhares de cópias vendidas. Para mim, é uma das escritoras importantes da minha estante.
Ler um livro de Joanne Harris é como regressar a um local sobejamente bem conhecido mas que a cada regresso nos dá uma novidade como uma prenda de boas-vindas a casa.     Há anos que me apaixonei por esta escritora e pela sua escrita através de um livro que ainda hoje é um dos livros da minha vida e, apesar de à alguns anos não ler nada seu e ainda não ter lido tudo o que se encontra publicado, sinto que é uma forma de eu saber que sempre que precisar posso comprar um livro seu e voltar a sentir esta sensação de redescoberta. E, finalmente, deu-me uma dessas vontades de ler um livro dela que, como sempre, não me desiludiu.
Uma das coisas que eu venero em Joanne é a sua escrita. A forma como nos confunde para depois nos dar a luz, como as palavras parecem que escorrem pelos nossos olhos, pela maneira como nos descreve as mais variadas situações sem nunca nos dar um vilão e um herói mas sim emoções e sentimentos, o caos e a glória quer da maneira mais lunática, quer da maneira mais racional. Depois são as suas histórias. Não é para todos aquilo que ela faz, de nos contar uma história e a virar do avesso e não há ninguém que use as aparências e os espelhos como ela, de tal maneira que é sempre capaz de surpreender e no último minuto dar-nos a maior reviravolta. Para isso constrói personagens enigmáticas e misteriosas que são tudo menos o que aparentam ser.
O Rapaz de Olhos Azuis tem todos os ingredientes típicos de um livro desta escritora: o suspense, as mentiras e um grande segredo obscuro por trás de uma aparência polida. Não é um dos meus preferidos mas não deixa de ser excepcional. Não sei se foi por estar à muito sem ler nada desta escritora mas este livro agarrou-me de uma forma viciante em que eu não descansei até saber o desenrolar da história toda e, mais uma vez, foi apanhada de surpresa.
Com uma história diferente das que estou habituada desta escritora, este livro tem um conjunto de ingredientes explosivos que o tornam um dos que tem o rumo mais surpreendente. Através das reviravoltas mais inesperadas e com temas tão diversificados como o voyeurismo, a violência doméstica, o que se esconde por trás da Internet, Harris dá-nos uma obra mais forte e pode se dizer, mais obscura. Os seus livros já são por norma intensos e dramáticos mas este forma-se de uma maneira tão insuspeita que cada momento nos arrebata e deixa de queixo caído, tendo vários clímaxes que acabam num dos melhores finais que eu já li.
A juntar a um cenário inesperado temos personagens extremistas com demasiados segredos e vícios e uma personalidade nada evidente que aos poucos vai saltando cá para fora. Tenho a sensação que neste livro se juntou o grupo das personagens mais escuras que saíram da imaginação da escritora e também das mais frágeis, o que nos leva a querer deslindar as razões porque cometem certo tipo de acções e que relações existem entre elas.
Fiquei com a sensação que este livro tinha demasiada informação e que muita coisa pode ter passado ao lado dos leitores mais desatentos já que temos um enredo que contém subterfúgios dentro de subterfúgios dentro de subterfúgios. Mas apesar de um enredo mais complicado, Joanne continua a deter um timming perfeito.
Como disse não é um dos meus livros preferidos mas mantém o estilo inconfundível da escritora para além de ter uma das capas mais bonitas da editora. Permitiu-me passar umas horas de extrema concentração e foi uma leitura que me deixou mais que satisfeita.
Agora pergunto-vos: Ainda não leram Joanne Harris? Vão já arranjar um livro dela! Eu se calhar vou ver o Chocolate


6*

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