quinta-feira, 8 de março de 2012

Opinião - Eneida

Título Original: Eneida
Autor: Vergílio
Editora: Bertrand
Nº de Páginas: 367


Sinopse
« Canto as armas e o varão que nos primórdios veio das costas de Tróia para Itália e para as praias de Lavínio, fugitivo por força do destino, e muito padeceu na terra e no mar por violência dos deuses supernos, devido ao ressentimento da cruel Juno; muito sofreu também na guerra, até fundar uma cidade e introduzir os deuses no Lácio; daqui provêm a Raça Latina, os antepassados Albanos e as Muralhas da Grandiosa Roma.»

Opinião 
 Há livros que perduram para além de um Império, para além de uma língua, para além da História. Este é um desses livros. A quem diga que Vergílio ameaçou queimar a sua maior obra para as gerações seguintes não lerem aquilo que era uma propaganda e, a qual se havia arrependido de escrever, ao Imperador Octávio César Augusto e que foi morto por isso. Especulação à parte, verdade ou lenda, pela sua mente ou pela de Octávio, Vergílio escreveu uma obra que eternizou não um herói mas uma civilização e um homem: Roma e Octávio.
E, finalmente, reeditaram o raio do livro! Desculpem lá mas eu andava a três anos a procura desta edição e nada de nada. Mas mais vale tarde do que nunca neste caso. Apesar de ter sido uma leitura obrigatória, confesso que ao longo dos anos tenho ganho um carinho especial a estas epopeias escritas tão brilhantemente à tanto tempo atrás e sentia uma grande curiosidade em relação a esta, pois ainda só havia lido as de Homero e a do nosso Camões, que foi inspirada nesta.
Eneida é mais do que um livro sobre heróis, é uma lição de história sobre uma época brilhante de Roma. Através da versão de Vergílio sobre as origens de Roma, conhecemos o pensamento, o palco político e entre subterfúgios não muito subtis, vimos ser enaltecido um homem que marcou a História de uma Civilização que muitos quiseram imitar ao longo dos séculos.
Não senti por esta a afeição que sinto pela Ilíada mas é impossível negar-lhe a destreza e a beleza com que foi escrita. Mais directa, menos cansativa acaba por ser uma leitura mais fácil que as de Homero, apesar de eu preferir as deste. Tenho pena que não esteja em verso como as outras mas paciência, é o que se pode arranjar.
Para os que não sabem, este livro é antes de tudo um exemplo sublime como no século I a.C. já se fazia boa propaganda política. O sentido desta obra era dizer aos romanos que Octávio César Augusto era o homem que ia dar a glória ao Império, o herdeiro de heróis e que com ele Roma ia atingir o seu auge. Não foi muito subtil mas tendo em conta que os pequenos romanos aprendiam a ler e escrever com esta obra, foi sem dúvida um acto de génio.
Quanto a história do herói que lhe deu o nome, temos os ingredientes que existem nas suas antecessoras: um herói com destino traçado, uma deusa que vai fazer de tudo para o impedir, uma descida aos infernos, uma luta por um novo território, amores impossíveis, perigos iminentes no mar. Mas mesmo assim o escritor conseguiu com que esta não parecesse uma cópia das outras mas algo  mais inovador e, tendo em conta as voltas que teve de dar para criar uma nova lenda, algo de original, unindo duas civilizações e heróis mais antigos à novos.
Obviamente, esta é uma obra como poucas. Através de pormenores, simples frases, o escritor estava a transmitir às próximas gerações o ideal de um romano, os valores morais de um povo, o respeito aos deuses e a sua história. Ou seja, através de um livro eram educadas milhares de crianças com os mesmos ideais. Onde é que já viram isto?
Este livro tem, além disso, alguns pontos que puderam ajudar historiadores a entender algumas pontas soltas, tanto de Roma como da Grécia, em vários aspectos, um deles a sua religiosidade, tendo a sua descrição dos três patamares do Hades servido para a descrição mais tarde concebida por Aligheri em Divina Comédia.
Obra obrigatória a qualquer estudante, apaixonado ou curioso da História, mitologia ou Roma, este é um dos livros intemporais de sempre e vale a pena descobrir o porquê.


6*

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