terça-feira, 13 de março de 2012

Opinião - Minha Querida Inês

Título Original: Minha Querida Inês
 Autor: Margarida Rebelo Pinto
Editora: Clube do Autor
Nº de Páginas: 216

Sinopse
A história trágica de D. Inês de Castro, pela sua universalidade e intemporalidade, é inesgotável. Margarida Rebelo Pinto revela-nos os meandros deste universo fascinante, desmontando todos os passos da vida de D. Inês na semana que antecede um destino inelutável: a sua execução no dia 7 de Janeiro de 1355. Através da perspectiva de D. Inês vamos conhecendo os segredos da alma desta heroína e as maquinações das razões do Estado que determinaram o fim de uma vida mas não do amor.
Uma estreia surpreendente no romance histórico de uma escritora que, pela sua extraordinária capacidade de penetrar no íntimo de cada personagem, dá voz a D. Inês, D. Pedro, D. Afonso IV e a outros protagonistas deste momento inesquecível da nossa História. Despidos das suas máscaras, ficamos a conhecer melhor as suas forças, fraquezas, motivações e desejos íntimos. Novas e surpreendentes revelações deste período único da História de Portugal dão sentido à frase que eterniza o amor de D. Inês e de D. Pedro: “Até ao fim do mundo”.


Opinião 
 É a escritora nacional mais lida por terras lusas. Os seus livros são bestsellers. Amada por uns, odiada por outros, Margarida Rebelo Pinto é um caso de sucesso na literatura portuguesa com os seus livros light e femininos. Agora, atreveu-se a escrever algo que nunca havia experimentado e, pegando na mais bela e trágica história de amor portuguesa, estreia-se no romance histórico contando-nos em primeira pessoa os últimos dias de vida daquela que foi rainha depois de morta e que inspirou escritores ao longo da nossa História: Inês de Castro.
Esta escritora fez parte de uma fase da vida. Não é daquelas que adore mas algumas das suas citações marcaram-me ao longo de outras fases da minha jovem vida mesmo depois da professora de Português ter dito que isto não era leitura para uma menina com tão bom gosto em livros. Bem, eu pensava que a professora era parva e que se o livro me fazia rir então valia a pena. Mas à alguns anos que não lia esta autora e confesso que estava de pé atrás com este livro. Conhecendo a sua escrita e depois das más opiniões que li, tive a certeza que não o ia ler mas como a minha avó não me ouve e comprou o livro, decidi pegar nele e ver pelos meus próprios olhos o resultado.
E há coisas que os meus olhos não deviam ler. Não sou sensível ou pudica, aceito bem as coisas mas a minha alma de amante de História e a menina que adorava a história de Pedro e Inês sentiu-se muitas vezes ao longo da leitura completamente abismada e ultrajada porque esta é uma história de amor que a escrita vulgarizou por completo. Não há gestos do amor intenso que fez Pedro desafiar tudo e todos por Inês mas antes uma obsessão da parte dela e uma total indiferença da dele. Diria mesmo que a relação deles acaba por se cingir à relação carnal, não existindo cumplicidade enquanto casal senão pelas palavras de Inês.
O facto de termos uma pequena, intensa e nada abonatória imagem de Pedro não contribuiu. O aparecimento curto juntamente com todos os falatórios acerca da personalidade e orientação de Pedro faz cair por terra qualquer imagem dourada que se tenha do infante. E, confesso, eu nunca tinha ouvido falar acerca do assunto que a autora aborda mas vou investigá-lo mais a fundo. Ou seja, a típica imagem do homem é mau que a autora repete, até aqui aparece e, lá se foram os meus (poucos) sonhos cor-de-rosa ao ar e não fiquei nada agradecida.
A obra concentra-se nos últimos dias de vida de Inês de Castro que é a voz que mais se faz ouvir neste livro mas que me desiludiu. Eu sei qual era o papel da mulher nesta época mas vá lá, alguma coisa de diferente tinha de haver neles para terem provocado aquele estrago todo! Esta Inês é insonsa, desconfiada e mais obcecada que apaixonada por Pedro. Quanto aos restantes POV’s houve uns que me suscitaram interesse e existiram ideias que já me haviam passado pela cabeça acerca daquilo que levou à morte da castelhana mas parece que a escritra está a tentar desculpar um dos momentos mais horrendos da nossa história que é coisa que não consigo atingir. Houve outros que eu dispensava por completo. Credo.
Quanto à escrita, sim, temos aquelas citações maravilhosas e depois temos uma junção horrenda da escrita antiga com a nossa. A sério, tanto cuidadinho com as falas deles e depois mete-me “traficar” ali no meio? Compreendo o esforço e gostei mas preferia a fala corrente para evitar estas gaffes tão visíveis ali no meio. Depois existe uma repetição das mesmas ideias de uma forma tão abusiva que quando voltava aparecer só me irritava. Eu percebi a primeira, sim?
No fundo este livro é sobre sexo, o quanto as mulheres intrigam e manipulam, sexo, no quanto os homens são fracos de mente, sexo e no quão santa era a Rainha D. Isabel. Fim da história. Esqueçam lá o amor eterno. Sinopse mentirosa, podem ter a certeza.
Resumindo: têm uma adoração pela história romântica nacional e gostam de História? Não leiam. Evitam irritação, uma dor de cabeça e a vossa mente e olhos. Vão por mim. E tenho de ter uma conversa com a minha avó acerca dos livros que ela compra.

2*

9 comentários:

  1. Também tive uma fase MRP, mas depois comecei a achar que os livros dela eram sempre mais do mesmo e deixei de ler. Este parecia-me diferente e como adoro a história de Pedro e Inês, estava a pensar lê-lo, mas depois de ler a tua opinião, mudei de ideias...

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  2. Esquece lá a conversa com a avó porque elas tem sempre boas intensões :) mas concordo contigo quanto à MRP.
    Embora não tenha lido este livro em particular. li os primeiros 3 que ela escreveu e na altura gostei imenso mas hoje em dia (uns 15 anos depois) definitivamente não é uma escritora que compre livros dela.

    Parabéns pela critica!

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  3. Detesto esta senhora e, muito sinceramente, na minha opinião não há nada nela nem na escrita dela que se safe. Acho muito sinceramente uma vergonha que com tantos livros e autores fantásticos neste país este tipo de autora seja a mais lida. Uma tristeza...
    E, sim, correndo o risco de ser indelicada para com ela, Margarida Rebelo Pinto é uma ogra!
    Mas de qualquer modo, e por pior que tenha sido o livro, ao menos leste-o e tiraste os macaquinhos do sótão! Fizeste bem :P
    Quanto a mim, dispenso! XD

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  4. Landslide, se temos uma fase e um dia deixámos de a ter é porque não valia a pena e não deixes os teus olhos lerem uma frase que seja disto pelos deuses! Não o faças!

    Oh Liliana eu sei mas as vezes deviam de nos ouvir -.-' Com este livro dei a machadada final com ela. It´s over! A minha mente nunca vai conseguir esquecer isto ;_; O Pedro e a Inês devem estar a revolver-se na tumba! Obrigada =)

    Mar vou ter de concordar contigo! Estou tão traumatizada que cá em casa já ninguém me pode ouvir -.-' Ogra é soft xD Tirei mas não devia!

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  5. Eu sei que devemos apoiar autores portugueses. Mas devemos apoiar por apoiar? Nem pensar. MRP está na minha lista a não ler pela simples razão de achar a sua escrita redundante e sem história nenhuma. E deduzi isto através de alguns capítulos que li em tempos de um livro dela. Quando saiu este de Inês, fui à livraria e li algumas páginas. Não me cativou nadinha! Já li livros sobre Pedro e Inês muito bons e não apetecia nada ficar com uma valente dor de cabeça com este.:p

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  6. Fizeste muito bem Jojo porque este trauma vai custar a passar-me =s digam o que disserem, eu fiquei curada de ler livros só por ler, nunca mais!

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  7. Desculpa o livro é liiinddooo e sabem o que é romance???
    Bem, a esritora decidiu dar a sua versão, ninguem sabe ao certo o que aconteceu e este livro mostra uma versão romantica e simples do que possivelmente podera ter acontecido .... tudo veio da mente da escritora e é ficção, logo nao é verdade, a escritora apenas escreveu um romance baseado naqueilo que sabemos e acrescentou mais alguns detalhes que ela propria "inventou" e assim escrever um romance original e próprio.
    O livro é bastante bom e se não respeitam a criatividade de um escritor, então sim: não devem ler livros.

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  8. Daniela,
    Todos os gostos, pontos de vista, etc. são aceitáveis pois, graças aos deuses, não somos todos iguais mas isto de vir insultar em vez de dar a sua opinião é de muito...como hei-de dizer...mau tom??

    Infelizmente este é um romance histórico e, infelizmente ou felizmente, esta é a minha área de estudo e,se cada uma de nós tem uma visão de romance, que eu respeito, cada um sabe de si, a verdade é que este livro é um monte de asneiras, coisas não provadas, e um atentado a maior história de amor de Portugal, história essa que eu adoro e tive de ver deturpada neste livro.Há rumores, há lendas, há FACTOS e há que haver um equilíbrio.

    Aviso: Esta é uma história real, a autora usou personagens reais e como qualquer escritor/a que escreve neste género devia ter tido RESPEITO pelos factos. Lamento, mas há ficção e há ficção histórica e nesta todo o cuidado é pouco. Criatividade e originalidade? Esta história já existia, lamento informar, por isso, não veio toda da mente da dita. E o que ela supostamente "inventou" são os chamados rumores da má língua, portanto também não veio da cabeça dela.

    Quanto a última parte, sinceramente, não merece resposta porque este país é livre e cada um lê o que quer.

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  9. Só tenho a acrescentar que, quando alguém escreve o que auto-intitula "Ficção Histórica", então a história tem de ter um papel preponderante.
    Não se trata de acrescentar detalhes, trata-se de denegrir a imagem de uma icónica história de amor. Pessoalmente, considero que esta senhora não tem a capacidade de escrever ficção histórica, porque isso exige mais do que passar para o papel boatos e rumores tão ou mais antigos do que ela própria.
    Uma boa ficção histórica NÃO ALTERA OS FACTOS, apenas joga com eles por forma a prender o leitor, uma boa ficção histórica leva o leitor a uma determinada época, narra um determinado acontecimento como pano de fundo a uma determinada história.
    Enquanto fã incondicional dos bons romances históricos, acho que a MRP está muito fora do seu elemento aqui, devia reduzir-se aquilo que sabe realmente escrever: romances pouco profundos e crónicas estériotipadas.

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