segunda-feira, 12 de março de 2012

Opinião - Os Túmulos de Atuan

Título Original: The Tombs of Atuan (#2 Earthsea Cycle)
Autor: Ursula Le Guin
Editora: Livros do Brasil
Nº de Páginas: 184

Sinopse
 «O Ciclo de Terramar», tantas vezes comparada a clássicos como «O Senhor dos Anéis» de J.R.R. Tolkien, traz à fantasia e à ficção científica uma nova sensibilidade e um número de admiráveis, impressionantes e simpáticas personagens. É uma tetralogia magnífica; uma saga admirável que despoleta com «O Feiticeiro e a Sombra» – livro premiado com o 'Boston Globe Horn Book Award of Excellence' de 1969 – e continua com a publicação de «Os Túmulos de Atuan». O universo destas narrativas envolve-nos, desde o princípio, numa atmosfera mágica e deveras inquietante. Este segundo volume é uma obra onde impera o suspense, os encontros místicos, os horrores inomináveis, mas também o sentido de humor. É neste cenário que os destinos dos heróis, Tenar e Gued, irão entrecuzar-se. Tenar, a grande sacerdotisa, é uma criança que foi despojada da própria identidade e afastada da família para se dedicar às entidades do além: Aqueles-Que-Não-Têm-Nome, as forças misteriosas dos túmulos de Atuan. Gued, o jovem feiticeiro, é o bravo herói que arrisca a vida no labirinto proibido em busca do grande tesouro, o famoso Anel de Erreth-Akbe. Ao mesmo tempo, é também sua missão libertar Tenar daquele local tenebroso. Esta tetralogia é considerada uma das maiores criações da literatura fantástica, quer pela beleza formal quer pela sensibilidade e sabedoria emanadas pelas personagens. «O Ciclo de Terramar» é, sem dúvida, uma das obras mais marcantes do percurso literário de Ursula K. Le Guin.

Opinião 
 Ursula Le Guin é um dos nomes incontestáveis da ficção-científica e Earthsea é uma das maiores obras de sempre da literatura fantástica. Com milhares de cópias vendidas por todo o mundo, Earthsea tem feito parte do imaginário de miúdos e graúdos, demonstrando que os ingredientes mais básicos podem criar uma história inesquecível e que ultrapasse tudo o que se pode imaginar.
Neste segundo volume, Le Guin vai mais longe e traz-nos mais uma aventura do nosso mago que virará lenda, desta vez num dos locais mais recônditos e assombrosos de Terramar, em busca de um objecto de extremo poder, de respostas a enigmas e encontrará muito mais do que estava a espera…
Depois de ler o primeiro volume, rapidamente me decidi a ler o segundo pois o “bichinho” que O Feiticeiro de Terramar deixou não é fácil de combater e, verdade seja dita, a vontade também não era muito. Neste Os Túmulos de Atuan vemo-nos confrontados com um ambiente mais escuro, personagens mais obscuras e um poder antigo que aí ainda domina. Tenho a dizer que gostei mais deste cenário. Os rituais inerentes ao culto dos Sem-Nome, o crescimento e formação de Tenar enquanto sacerdotisa de um culto esquecido e temido, o descobrimento do Labirinto, todo o ambiente em redor dos Túmulos de Atuan está tão bem pensado, tão intensamente “negro” que é difícil não vivermos cada momento com a jovem que vai descobrindo os seus domínios. Através das páginas é fácil a percepção do quão antigo e poderoso aquele local é e o medo e o assombro que ele provoca salta sobre nós sem o conseguirmos evitar. Mais uma vez a escrita soberba de Le Guin transporta-nos para onde ela quer sem qualquer resistência da nossa parte.
A própria construção das personagens torna-as inerentes a este mundo que elas protegem. Existe uma escuridão e algo sobrenatural nas acções de cada uma, sendo possível sentirmos o domínio dos Sem-Nome sobre elas e percebermos que elas fazem tão parte daquele sítio esquecido que é difícil desligarem-se dele. Em cada uma está personificado algo de mau, cada uma delas mostra-nos as consequências de quem leva a crença ao exagero, à obsessão.
Quanto a Ged, cá está ele outra vez num combate contra um inimigo antigo, em busca de um objecto de valor concedido por uma desconhecida. Este livro está menos centrado nele mas quando Ged faz a sua aparição, a profundidade desta personagem é notada até porque aquela que nada teme. A forma como a relação deste com Tenar é descrita, a maneira como se desenvolve até ao momento final, tem uma beleza tão crua que não deixa ninguém indiferente. Senti-me arrebatada pelos momentos de diálogos entre os dois, pois é tal a sua profundidade que se tornou difícil esperar por cada reencontro.
Num livro que anda a um passo vagaroso, é no seu final que está o clímax. Le Guin construí um final digno daquilo que construiu e sabe encaminhar as suas personagens para momentos tanto de ternura como de solidão, e passar do poder para a fraqueza em poucos segundos. Temos o que mais primitivo há dos sentimentos descritos de uma das formas mais poéticas, digamos assim, que alguma vez li.
Depois deste livro é ainda mais difícil não ficar fã desta escritora. Definitivamente estou rendida e espero em breve ler o resto das suas obras e aconselho a quem ainda não leu a pegar nesta autora porque isto é mesmo das coisas mais formidáveis que já li. 

7*

2 comentários:

  1. Olá,

    Fico contente ao ver o teu entusiasmo por esta saga, pois também à pouco tempo a li e me marcou de uma maneira especial, não sei se é por ser escrito à alguns anos, pela simplicidade das coisas mas que nos cativa imenso é um facto.

    Vais gostar dos seguintes onde a nossa amiga Tenar manterá um papel importante nisto tudo ;)

    BJ

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  2. Boa noite,

    Mas dá para não me entusiasmar?lool eu penso que é pelo facto da escrita dela ter uma pureza e uma profundidade que hoje em dia já não encontras.

    Também estou a pensar ler "Lavínia" e "A Mão Esquerda das Trevas". Acho que vou aproveitar na FdL =)

    beijinhos e boas leituras!

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