sábado, 17 de março de 2012

Opinião - Tristão e Isolda

Título Original: Le Roman de Tristan et Iseut
Autor: Joseph Bédier
Editora: Bibliok
Nº de Páginas: 194

Sinopse
 A missão do cavaleiro Tristão é muito simples: tem de viajar até à Bretanha e levar consigo Isolda a Loira, uma bela princesa que deverá casar com o Rei Marco da Cornualha. Mas um desafortunado incidente faz com que Tristão e Isolda bebam uma poção do amor e fiquem irremediavelmente apaixonados. Juntos, deverão enfrentar a ira do Rei Marco, fugirão pelas terras da Cornualha e demonstrarão a todo o mundo a força do seu amor.

Joseph Bédier, um dos romancistas mais importantes do século XX, popularizou a história de amor entre Tristão e Isolda ao escrever esta novela, que reunia todos os detalhes da lenda numa só obra.


Opinião 
 Há histórias intemporais de amor que duram vidas e são transmitidas de geração em geração como exemplo do amor cavaleiresco. Remontando ao tempo de Artur, Camelot e Merlin, este amor proibido advém de várias versões da lenda que foi popularizada por vários autores, principalmente entre os séculos XIX e XX.
Joseph Bédier recontou algumas das lendas do imaginário arturiano e esta foi uma delas, imortalizando mais uma vez, uma história de amor, que no fim, venceu tudo e todos e inspirou românticos em todas as épocas e lugares.
Shakespeare contou-nos aquela que seria a mais bela história de amor de todo o sempre mas essa foi inspirada numa lenda muito mais antiga, a de Tristão e Isolda. Posso dizer-vos que não é uma lenda que eu conheça bem. Vi o filme adaptado mais recentemente e gostei muito, o que levou ao aumento do meu interesse por esta temática que tenho vindo a explorar mais fortemente nos últimos tempos.
Graças a uma daquelas colecções de revistas tive acesso a esta versão da lenda, datada do século XX e que me permitiu conhecer mais aprofundadamente esta história e que, ao mesmo tempo, lhe retirou algum do seu encanto. Isto acontece porque eu tinha uma certa imagem deste amor trágico, possivelmente errada admito, e esta imagem não se manteve nesta obra e senti até que muito do encanto e do ideal deste amor acabou por ficar estropiado ao longo das páginas. Mas já lá vamos.
Antes de mais, o que se nota neste livro é o palavreado caro dos escritores do século XX a imitar os medievais. Os diálogos têm uma qualidade fantástica, subjectivos e profundos que me levam a viajar no tempo mas quanto à restante escrita, definitivamente, não gostei. Sabem quando estamos a ver um filme com os comentários dos realizadores em fundo? É essa sensação que o livro dá e não é lá muito agradável. No fundo, o escritor está a dar a sua opinião/posição em relação à história e não tanto a contá-la, para além de parecer uma imitação do estilo shakespereano e daí se calhar a qualidade dos diálogos e falta dela no restante. Não é um estilo de escrita que me agrade e que me aborreceu ao longo da leitura.
Quanto à versão de Bédier, parece que o senhor ou não acredita neste tipo de amor ou decidiu mesmo retirar-lhe a magia que costuma estar ligada a este tipo de enredo. Segundo a visão do escritor, eles nunca se amaram realmente e eles próprios têm noção de que o amor deles não é real. O que, no meu ver, torna então ridículo as situações inerentes aos apaixonados que eles também vivem porque se não se amam mesmo, então para quê aquilo tudo? Não sei se esta é a versão oficial mas se é então acho que não fiquei fã.
De resto, tem todos os componentes típicos de uma lenda arturiana moderna ou adaptada ao mundo cavaleiresco, desde demandas a dragões, desafios e provas, o que lhe acabou por dar mais encanto que a história de amor em si.
Acabou por ser uma leitura que me passou um bocado ao lado e que não devo repetir.

3*

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