sexta-feira, 13 de abril de 2012

Opinião - Avatar de Kushiel

Título Original: Kushiel's Avatar (1/2 #3 Kushiel's Legacy)
Autor: Jacqueline Carey
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 400

Sinopse
 A nação de Terre d’Ange é um lugar de beleza e graça sem par. Diz-se que os anjos deram com a terra e a acharam boa… e que a raça resultante da semente dos anjos e dos homens se rege por uma simples regra: Ama à tua vontade.

Phèdre nó Delaunay é uma mulher atingida pelo Dardo de Kushiel, eleita para toda a vida experimentar a dor e o prazer como uma coisa só. O seu caminho tem sido estranho e perigoso, e ao longo de todo ele o devotado espadachim Joscelin tem estado a seu lado. A natureza dela é uma tortura para ambos, mas ele jamais violou o seu voto: proteger e servir. Agora, os planos de Phèdre põem a promessa de Joscelin à prova, já que ela jamais esqueceu o seu amigo de infância, Hyacinthe. Passou dez longos anos em busca da chave para o libertar da sua eterna servidão, um acordo por ele feito com os deuses — tomar o lugar de Phèdre em sacrifício e com isso salvar uma nação. Phèdre não pode perdoar — nem a si própria nem aos deuses. Está determinada a agarrar uma derradeira esperança de redimir o seu amigo, nem que isso signifique a morte.
A busca irá levar Phèdre e Joscelin mundo fora, para cortes distantes onde reina a loucura e as almas são moeda de troca, e por um lendário rio abaixo até uma terra esquecida de quase todo o mundo. E até um poder tão imenso que ninguém ousa proferir o seu nome.


Opinião 
 Geroge R. R. Martin, Robert Jordan e Juliet Marillier não pouparam elogios à esta trilogia. Desde sofisticada, elegante a inesquecível, O Legado de Kushiel ganhou um lugar no mundo da Fantasia através de uma imagem única da Europa Renascentista e de um enredo complexo fascinante pontuado por personagens únicas que deixaram rendidos os amantes deste género de leitura.
De livro para livro, a acção torna-se mais intricada, levando-nos por caminhos tão tortuosos quanto magníficos que nos tiram o fôlego a cada descoberta e nos deixam arrebatados perante a beleza obscura desta história. Neste Avatar de Kushiel, dez anos após os acontecimentos anteriores, o encanto mantém-se mas tudo o que podiam esperar é ultrapassado.
Como já devem ter percebido esta é uma das minhas séries mais queridas a par de Jóias Negras e de Crónicas de Gelo e Fogo. Depois de à três anos atrás o primeiro volume me ter chamado a atenção na montra da Bertrand do Colombo de tal maneira que tive de o comprar nesse mesmo dia, e sim tinha a primeira capa portuguesa, tem sido com ansiedade que tenho aguardado cada lançamento e com voracidade tenho lido cada um destes livros. Agora, a aproximarmo-nos do fim, já foi com nostalgia e ainda mais vontade que me agarrei a este quinto volume.
Encontrar algumas das minhas personagens mais queridas dez anos mais velhas, naqueles que foram anos de paz sobre o reinado de Ysandre, foi um dos motivos da nostalgia. Como o próprio Joscelin diz a Phèdre, eles já foram jovens e impulsivos, e é amadurecidos pela experiência e pela convivência que os vamos encontrar neste livro, longe da tempestuosidade que marcava o início da relação deles. Mais calmos e menos orgulhosos, é isso que vai proporcionar alguns dos maiores obstáculos à sua relação, momentos que nos deixam com o coração nas mãos e que demonstram que a perícia da autora aumenta de livro para livro, conseguindo ultrapassar-se a si própria.
Rever personagens como Hyancinthe, Melisande ou Ysandre e o Cruarch em panoramas completamente diferentes ao que estamos habituados é uma mais valia e torna este livro ainda mais intenso do que a restante série, a juntar a curiosidade que o leitor tem sobre o que aconteceu com cada um deles e restante elenco, cada reencontro é um intensificar das emoções do leitor. Também aparecem outras de livros anteriores, o que nos faz reviver as circunstâncias em que apareceram e ajudam, mais uma vez, a matar a curiosidade acerca dos acontecimentos que ocorreram do último livro para este.
A juntar a isto a nova demanda de Phèdre, entrelaçada com a do passado, esta leitura é muito mais intensa e complexa, mais pelo psicológico do que pela acção propriamente dita, que nos arrasta num turbilhão de emoções através da beleza indiscutível da escrita de Carey e de todos os novos cenários que autora nos oferece neste livro, tornando-se uma viagem alucinante pelo passado europeu transformado para esta narrativa. Em cada nova cidade e relato terão reminiscências de memórias de cidades já descritas e que neste livro ganham uma nova consciência e que vai mexer com os vossos sentidos. A provar que é uma mestra, Carey pega em coisas conhecidas de todas nós e torna-as algo deste seu mundo sofisticado e belo, dando-lhes um novo espírito. Descrições de intensa mestria que levarão os amantes mais eruditos desta trilogia à um novo patamar, transformando algo banal em algo de surpreendente.
Como se não bastasse, as almas mais sensíveis preparem-se para descrições de arrepiar que impressionam até um coração mais forte. Até a mim que nunca me senti atacada pelos pormenores únicos desta série, este livro impressionou. A autora pega no que de mais macabro existe no imaginário do ser humano e dá-nos a maior provação pelo que os nossos heróis já passaram. Para uma leitura calma no início, temos um final que nos vai deixar obcecados para saber o que irá acontecer a seguir.
Mais escuro, mais forte e imensamente mais intenso, Avatar de Kushiel é a preparação perfeita para um grande final que deixará os fãs arrebatados e que nos levará a loucura em cada página. E prova, mais uma vez, que Jacqueline Carey é um nome a guardar quando se fala de Fantasia.

7*

6 comentários:

  1. Ois,

    Estou mesmo curioso por ler este livro e depois de ler esta excelente opinião as expetativas aumentam ;)

    BJ

    ResponderEliminar
  2. Olá!

    Prepara-te porque este livro começa muito calmamente e vai aumentando as emoções até nos deixar estarrecidos =p

    beijos e boas leituras

    ResponderEliminar
  3. Pois... isto é, realmente, muito mau. Lembro-me de, há uns meses atrás, ter pegado no “Dardo de Kushiel” e, embora tenha gostado do que li, tive uma certa dificuldade em avançar na leitura, talvez por ter sido uma altura péssima para lhe pegar. Agora, com esta opinião, deixaste-me com vontade de voltar a este mundo... e isso é pessimamente péssimo, lol, porque tenho Martin e Bishop a gritarem por mim. :)

    ResponderEliminar
  4. Homónima lê, dá-lhe uma oprtunidade! É uma saga tão soberba, intrínseca e poderosa =)

    Mas porque é que tens os meus três autores preferidos de sempre para ler?xD Ai, ai!

    ResponderEliminar
  5. Ora aí está uma excelente pergunta! :) Ai... Acho que sempre preferi leituras mais rápidas e leves, sabes?! Mais numa de descontrair do que, propriamente, entrar a fundo num enredo poderoso. Mas isso está a mudar, o que é excelente. Bem, lá vou ter de ir intercalar estes três autores, a ver se nenhum agride o outro. :) Não quero cá confusões em casa. ;)

    ResponderEliminar
  6. Eu gosto mais de coisas complicadas e complexas, o simples deixa-me com água na boca...
    Pois vais e está descansada que eles dão-se todos bem =p Tenho a certeza que vais gostar *.*

    ResponderEliminar