sábado, 19 de maio de 2012

E se os primeiros livros da cultura ocidental nunca tivessem existido?


Imaginem que a Ilíada e a Odisseia nunca tivessem sido transmitidas a gerações de um povo ou que nunca tivessem sido escritas ou, mesmo, que nunca tivessem chegado a outras épocas, que tivessem sido esquecidas ou só fossem descobertas hoje...
 Será que a literatura como a conhecemos teria sido a mesma?

Muito possivelmente não.

 A verdade é que ambas as obras abriram um caminho no pensamento ocidental que em pleno século XXI se mantém pois a maneira de escrever pode mudar, o formato pode evoluir, ideias podem se alterar mas na essência, por mais racional e científica que a Humanidade hoje seja, o homem ainda sonha, ainda acredita em heróis e há "receitas" que irão funcionar sempre, quer tendo como cenário a Antiguidade ou um futuro onde as naves espaciais e os alienígenas proliferam.


 Se há séculos atrás Alexandre, o Grande dormia com os poemas homéricos debaixo da almofada e sonhava conquistar a glória dos grandes homens que ficaram enaltecidos para a eternidade, o que de facto, conseguiu, hoje são outras obras que povoam o imaginário dos homens e mulheres deste século, mas será que existe uma diferença? Claro que sim, houve evoluções técnicas, culturais e sociais mas, mais uma vez, a base dos nossos ideais foi construída a partir das motivações desses outros povos que originaram a Europa Ocidental, foram eles a base para tudo o que se lhes seguiu, mais tarde ou mais cedo.

O sentido de epopeia, no sentido lato, é de uma narrativa de feitos grandiosos de um único indivíduo ou de um povo, de acontecimentos excepcionais e servem para enaltecer um "homem ideal", um exemplo para a sociedade. Ora, esta ideia não vos parece familiar?

Dos grandes poemas, passou para romances, para a ficção científica, para a fantasia. Da literatura ao cinema, até à ópera, quantas das obras da cultura ocidental têm parecenças com os poemas de Homero? Será que a lenda do Rei Artur seria a mesma sem estas influências?

Deixo-vos alguns desses exemplos:


  • Eneida  século I a.C.; Vergílio
  • Argonáutica século III a.C.; Apolónio de Rhodes
  • Canção de Roland século XI; Turoldo (?)
  •  Tristão e Isolda  século XII; Béroul
  • Demanda do Santo Graal século XIII; origem desconhecida
  • El Cantar de Mio Cid século XIII; origem desconhecida
  •  Gesta de D. Afonso Henriques século XIII; origem desconhecida
  •  Divina Comédia século XIV; Dante Aligheri
  • Peregrinação século XVI; Fernão Mendes Pinto
  • Lusíadas século XVI; Luís Vaz de Camões
  • D. Quixote de La Mancha século XVII; Miguel de Cervantes
  •  Paraíso Perdido século XVII; John Milton
  • Viagens de Gulliver século XVIII; Jonathan Swift
  • Robinson Crusoé século XVIII; Daniel Defoe
  • Guerra e Paz século XIX; Leon Tolstoy
  • Tetralogia O Anel do Nibelungo século XIX; Richard Wagner
  • 2001 - Odisseia no Espaço século XX; Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke
  • Guerra das Estrelas século XX; George Lucas
  • Ulisses século XX; James Joyce

Como estes, tantos outros livros, filmes, óperas, não seriam a mesma coisa sem as primeiras influências que caracterizaram a cultura ocidental. Sem Heitor, Aquiles ou Ulisses e Páris, não teriam existido Aragorn, Romeu, Gulliver, Tyrion Lannister, Paul Atreides ou tantos outros.
Ou melhor, poderiam mas não seria a mesma coisa.





2 comentários:

  1. Olá.

    Vim espreitar o teu blog...

    Esses livros foram uma inspiração para outros grandes livros e filmes.

    Boas Leituras :)

    http://paginassoltas-cc.blogspot.pt/

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  2. Olá!

    Sim é verdade mas não é fácil fazer uma lista de tudo o que foi influenciado por eles, por isso decidi só dar alguns exemplos =)

    Boas leituras!

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