sábado, 2 de junho de 2012

Opinião - Luz e Sombras

Título Original: Shadows and Light (#2 Tir Alainn)
Autor: Anne Bishop
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 368

Sinopse
 Desde o massacre das bruxas, os Fae, que deviam poteger as suas primas há muito esquecidas, ignoraram as necessidades do resto do mundo. Agora as sombras voltam a alastrar-se sobre as aldeias do oriente. Sombras negras e poderosas que ameaçam todas as feiticeiras, todas as mulheres e os próprios Fae. Apenas três pessoas podem fazer frente à loucura coletiva que se está a disseminar e impedir que mais sangue seja derramado: o Bardo, a Musa, e a Ceifeira. Aiden, o Bardo, sabe que o mundo está dependente da proteção dos Fae, mas estes recusam-se a escutar os seus avisos sobre o mal que se esconde nas florestas. Vê-se obrigado a partir com o amor da sua vida, Lyrra, a Musa, numa aventura arriscada em busca do único Fae capaz de fazer o seu povo despertar da indiferença. Se os Fae não agirem depressa, ninguém sobreviverá…

Opinião

Tir Alainn foi a trilogia de estreia de Anne Bishop, o primeiro passo para uma carreira de sucesso na literatura fantástica de uma das autoras mais amadas do género. Com um estilo único e inconfundível, Bishop não deixa ninguém indiferente, nem as críticas, os fãs ou aqueles que hesitam em lê-la, sendo uma presença incontestável do género.
Luz e Sombras é o segundo volume desta trilogia e leva-nos de volta a um mundo onde bruxas, Fae e Inquisidores caminham pelos mesmos trilhos numa luta opressora que pode destruir o mundo pelo qual as wiccanfae lutaram e trabalharam, inundando-o nas trevas da incompreensão e do temor e podendo levar a extinção da magia e de um povo.
Bishop é, como todos já devem estar fartos de saber, a minha escritora favorita de sempre. Por muitos livros que leia não há nenhum que me dê a mesma sensação que os desta autora e é sempre com ansiedade e muitas expectativas que me embrenho na leitura dos seus livros. Este não foi excepção, e depois de um primeiro volume fantástico, a minha curiosidade estava a ebulir para descobrir o que se seguiria neste livro e puder saber mais sobre os Fae e a Casa de Gaian
Como é típico nesta autora, não me desiludi e as minhas expectativas foram mais que ultrapassadas. Ao pegar neste livro, logo nas primeiras páginas sente-se a essência de um mundo bishopiano a inundar-nos e a agarrar-nos à história logo nas primeiras palavras. Se Os Pilares do Mundo fugia aquilo que a autora nos habitou, este segundo volume tem uma essência mais escura, uma alma mais forte e aconchega os fãs numa sensação mais familiar.
Este livro acaba por ter uma história mais dedicada a caça às bruxas, o que faz com que este enredo seja muito mais desenvolvido e dedicado especialmente aos dois grandes pesos desta história, os Fae e as wiccanfae. O encanto e a doçura terminam no livro anterior, e aqui a escuridão tenebrosa, a vendetta e aquilo que os Fae realmente são, salta cá para fora, dando-nos um mundo ao qual já estamos mais habituados e que somos capazes de apreciar ainda mais.
Num enredo que se desenvolve de forma natural, os mistérios vão surgindo e sendo descobertos, enquanto novas histórias se entrelaçam às antigas para nos dar as respostas que poderão solucionar as divergências. Apesar de ser mais negro, os Inquisidores não têm um papel tão activo mas as poucas vezes que marcam presença servem para demonstrar que são um perigo real, tal como as várias vezes que são referidos com temor pelos perseguidos. Este livro tem uma carga psicológica maior, sendo antes a história de um povo e dos seus heróis do que uma história de amor delicada, o que acaba por ser transmitido na perfeição pela escrita maravilhosa da escritora, e mesmo não sendo uma obra-prima, consegue satisfazer até o fã mais exigente.
Através das novas personagens, a história ganha outra vida, novos dilemas e aproximam-se mais daquilo que esperaríamos de uma personagem criada por Bishop, caracterizando-se pela força e tenebrosidade, debaixo de uma capa vulgar. Apesar da grande quantidade de personagens, não é difícil sentirmo-nos atraídos por cada uma das suas histórias e a consciência da importância de cada uma delas é palpável e, mesmo que algumas delas ainda permaneçam no mistério, aguça-nos a curiosidade para o último livro desta trilogia.
A voz única da autora traz-nos, mais uma vez, uma história magnífica, influenciada por épocas negras da Humanidade, cheia de magia e singularidade, onde os bons podem ser piores que os maus.

7*

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