segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Opinião - A Irmandade do Anel

Título Original: The Fellowship of the Ring (#1 O Senhor dos Anéis)
Autor: J.R.R. Tolkien
Editora: Europa-América
Número de Páginas: 468

Sinopse
 Em apreciação crítica à obra de Tolkien cuja edição portuguesa apresentamos, o Sunday Times escrevia que o mundo da língua inglesa se encontra dividido em duas partes: a daqueles que já leram O Senhor dos Anéis e a daqueles que o vão ler.
Não se enganava o crítico ao indicar assim que estamos perante uma obra de leitura obrigatória, que, sem qualquer sombra de exagero, se insere entre as mais notáveis criações literárias do nosso século. Situando-se na linha da criação fantástica em que a literatura inglesa é fértil (lembremos Lewis carrol com a sua Alice no País das Maravilhas), Tolkien oferece-nos uma obra verdadeiramente monumental, onde todo o mundo é criado de raíz, uma nova cosmogonia arquitectada por inteiro, uma irrupção de maravilhoso que é admirável jogo de criação pura. O sopro genial que perpassa na elaboração deste maravilhoso, traduzido sobretudo no realismo da narração, deixa no leitor o desejo irresistível de conhgecer «esse» mundo que, como crianças, chegamos a acreditar que existe.
A Irmandade do Anel é o primeiro volume da trilogia O Senhor dos Anéis, em que se integram também As Duas Torres e O Regresso do rei.

Opinião 
 Professor de Anglo-Saxónico em Cambridge, de Inglês e Literatura, poeta, filólogo e autor da maior obra de fantasia alguma vez escrita, John Ronald Reuel foi um dos membros mais notáveis do Inklings, juntamente com um dos seus amigos mais chegados, C.S. Lewis e é, para a maior parte dos fãs do género, o grande responsável pelo renascer da fantasia épica e o pai da fantasia moderna.
O Senhor dos Anéis e todos os outros livros pertencentes ao imaginário da Terra Média marcaram escritores, leitores e toda uma forma de escrever que elevou a fantasia a um patamar que nunca poderia ter sido sonhado pelos seus antecessores. O êxito foi tal que hoje esta é uma leitura obrigatória para qualquer fã do género e para aqueles que ainda irão aprender a gostar deste tipo de literatura. A trilogia junta faz parte da lista dos 10 Livros Mais Vendidos com mais de 150 milhões de cópias vendidas, mais 30 milhões que Harry Potter e a Pedra Filosofal.
Eu tinha 10 anos quando a adaptação cinematográfica de Peter Jackson estreou e 12 ou 13, quando depois de ver o filme, a minha mãe me ofereceu a trilogia completa no Natal. Na altura não passei da parte do Tom Bombadil e os livros aguardaram, tal como o Anel Um, por uma altura mais propícia que veio a surgir agora.
Pior que admitir que estive estes anos todos para ler a trilogia, é admitir que tinha medo de não gostar, que a sensação da primeira leitura não se tivesse desvanecido mas todos os medos foram expulsos quando voltei a pegar na Irmandade do Anel e reparei que estava à horas a ler e à muito tinha passado aquela parte fatídica e que estava a absorver cada linha com um prazer inebriante.
Eu sou uma fã de mundos complexos, com lendas próprias, genealogias completas, todas essas coisas aborrecidas, e Tolkien leva esse meu favoritismo ao extremo num mundo construído de raíz pela imaginação e conhecimento de um único homem, que dá ao meu género literário preferido toda uma beleza e complexidade que mais nenhum autor terá dado. Cada linha da Irmandade do Anel, cada canção e descrição, cada conversa, cada lenda ou história sobreposta é um regalo para os olhos de uma aluna de História que nunca deixará de amar a fantasia épica. Este livro é muito mais do que parece à primeira vista, não se destinava a ser uma grande obra mas uma história familiar de um pai para os seus filhos e, é por isso mesmo, que teve o sucesso que teve.
Tolkien é um contador de histórias que gosta de tomar o seu tempo e adicionar informações aqui e ali de tal forma gosta de encantar e de contar, que por mais que a narrativa possa parecer perdida, ela flui através de uma escrita soberba e magnífica que agarra o leitor e não o larga mais até ele puder saber mais e mais e mais e não ser o suficiente. As suas influências, vindas do imaginário vivo, tenham sido quais foram, levaram-no a criar uma dicotomia entre o Bem e o Mal complexa, clara e directa mas com todos os seus subterfúgios.
As descrições belíssimas, as aventuras maravilhosas que os nossos hobbits e companheiros vivem aguçam a criança que existe dentro de cada adulto, respeitando a maturidade conseguida pela idade pois ao ler este livro, a nossa mente perde-se e tudo o que queremos é fazer parte deste mundo. O Bem e o Mal estão de tal forma presentes que cada cenário ou momento nos transmite a energia própria de cada um. Podemos sentir medo, paz, raiva e desespero, uma alegria profunda. Cada coisa tem o seu lugar e cada lenda tem uma razão de ser.
Depois de ter visto os filmes já tinha algumas personagens preferidas que só confirmaram com a leitura do livro, uma vez que no filme elas não têm a complexidade, o brilho ou a vida que transmitem através das páginas. Cada personagem tem uma demanda, um destino, cada uma delas tem uma história e os seus segredos, uma razão de existir. Podemos atribuir qualidades específicas a cada uma delas mas desengane-se quem acha que tudo está “preto no branco”. À primeira vista não se pode conhecer a maior parte deles e só com o decorrer da aventura se poderá descobrir quem realmente são e o que os espera.
Dei por mim a esquecer os filmes e a ler o livro como se nunca tivesse sabido o que era O Senhor dos Anéis, pela primeira vez, vi, senti e descobri o que realmente esta história e sei que nunca mais olharei para os filmes da mesma forma. Encantamento, maravilhamento é aquilo que senti com cada palavra lida até terminar com satisfação e necessidade de mais.
Leiam esta trilogia, releiam-na quando nada mais vos satisfazer. Apreciem-na, apaixonem-se e vivam na Terra Média pois nunca mais irão encontrar algo como isto.

7*

6 comentários:

  1. Deixaste-me com vontade de ler outra vez os livros :)

    ResponderEliminar
  2. Esse é o melhor elogio que me podiam ter feito, obrigada =)

    ResponderEliminar
  3. *sigh* Vais ler os seguintes já a seguir? :D

    Curiosamente, nunca mais peguei nos livros, acho que tenho um bocadinho de receio de perder a magia da leitura. :/

    ResponderEliminar
  4. Já a seguir não, quero aproveitar bem a magia do Tolkien, devagar....até pegar nos livros lool Quero estar cheia de vontade quando pegar no segundo *.*

    É compreensível que te sintas assim mas se calhar é o que anda a faltar, reler um livro preferido ;)

    ResponderEliminar
  5. Ois espero que esteja tudo bem por estes lados, ai este corvo que é mesmo um desaparecido lol.

    Bem devo confessar que não gosto da escrita do Tolkien (massuda) e gosto muito mais dos filmes.

    Mas também confesso que li os livros à imenso tempo e talvez agora a leitura seria diferente.

    Também fiquei com vontade de reler Tolkien o problema é que temos tanta coisa para ler e ainda por cima ando na ideia que comprar o Hobbit, esse sim penso que tenha uma escrita muito mais acessível.

    BJS

    ResponderEliminar
  6. Olá corvo desaparecido! Ainda não foste de férias pa?=D

    Eu tinha de tentar novamente o Tolkien senão a minha consciência não me deixava em paz e hoje também tenho outra maturidade e consigo apreciar melhor a escrita do senhor (aleluia!)

    Não me fales em coisas para ler se faz favor!! Tenho uma pilha gigantesca -.-' Também me parece que seja e se calhar te puxe mais para leres o resto ;)

    beijinhos

    ResponderEliminar