segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Opinião - Divergente

Título Original: Divergent (#1 Divergent)
Autor: Veronica Roth
Editora: Porto Editora
Número de Páginas: 352

Sinopse
 Na Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco fações, cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de 16 anos devem decidir a fação a que irão pertencer para o resto das suas vidas. Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família... e ser quem realmente é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem.

Durante o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo tempo que se enamora por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo, que nunca contou a ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive, percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama... ou acabar por destruí-la.

Opinião 
 Depois do sucesso da trilogia Os Jogos da Fome, as distopias chegaram para marcar um lugar sólido nas estantes de vários leitores. Divergente é o herdeiro mais directo desta nova vaga e a sua publicação foi um sucesso. Saído da mente de uma jovem estudante de Escrita Criativa, é já um sucesso nos mais de 15 países onde foi publicado e hoje Veronica é escritora a tempo inteiro estando neste momento a preparar o terceiro volume da série que saíra no Outono de 2013.

Nascida em Chicago, cidade onde se desenrola a acção de Divergente, Veronica viu o seu primeiro livro receber os prémios Katherine Tegen Books de 2011, o Favorite Book of 2011 e Best Young Adult Fantasy&Science Fiction 2011 do Goodreads, entre outros, tendo o livro recebido opiniões entusiasmantes da parte dos seus leitores.
Este livro estava na lista dos que eu quero muito comprar devido as comparações entre este livro e a trilogia Os Jogos da Fome que adorei mas acabei por o ler através do Clube Blog-Ring uma vez que a oportunidade surgiu. Também em mim este género de livro tem suscitado uma grande atenção, muito devido a forma como estas recentes autoras têm apresentando as suas distopias.
Divergente toca de uma forma muito parecida aos livros de Suzanne Collins, emergindo sobre os mesmos temas da falta de liberdade, controlo dos órgãos de poder, divisão acentuada de classes e a soberania da lei do mais forte. Ao escolher também uma rapariga que marca pela mesma personalidade rebelde e lutadora de Katniss, Veronica podia estar a chegar perto da cópia mas as semelhanças terminam aqui. A sociedade desta Chicago do futuro está dividida de uma forma mais linear, que prende o cidadão a uma única qualidade ou característica, criando não uma sociedade mas quatro que convivem entre si, nem sempre da melhor forma.
O que a autora nos apresenta é a decadência dessa forma de governo, os seus segredos e tiranias por trás de uma aparência não tão clara como seria suposto, e apresenta-nos Tris como a evolução ou solução dessa sociedade que apresenta em si um pouco de algumas facções, apresentando um perigo para essa sociedade ideal onde o cidadão não pensa e deve cingir-se a posição que cada facção guarda para si. Encontrámos portanto uma crítica a sociedade, uma visão quase perfeita que falha pela ambição de alguns dos seus membros e que poderá ser solucionada pela união das características de todas as facções. Divergente é, então, um grito pela individualidade própria, pelas decisões pessoais e uma amostra de que não se pode considerar o ser humano igual e que todas as diferenças são necessárias à sobrevivência e entendimento.
Transmitir algo tão forte num livro juvenil é arriscado e pode tal mensagem passar despercebida pelas crises e amores de uma jovem de 16 anos que, por mais forte que seja, também detém o direito aos seus medos de miúda e, daí, talvez não. A perda da juventude, das brincadeiras e graçolas pode afectar gerações como mais nada o pode fazer e, apesar da jovem vida de Tris, este é um alerta que em determinadas conjunturas a idade pode pouco importar. Este livro acaba por carregar em sim uma mensagem política e social mais forte do que aparenta a primeira vista.
Apesar de tudo isto poder ser absorvido neste livro, a autora dedicou-se em demasia ao romance da história e podia ter passado mais deixando a protagonista longe de tais condicionantes ou podia ter transmitido esse romance de uma forma mais chegada à maneira como nos apresenta Tris, acabando esta por ter falhas e disparidades na personalidade, que de alguma forma incoerente, consegue mesmo assim tornar o leitor seu companheiro e faz com que este a aceite melhor. As restantes personagens são mistérios que prometem ser desvendados e que passarão da clareza à profundidade, se a autora conseguir manter o ritmo da história, podendo tudo alterar-se no segundo volume.
De resto, é uma narrativa bem construída, uma leitura viciante que absorve o leitor e o deixa a desejar por mais. A escrita de Veronica é directa, crua, sem grandes malabarismos mas com um sentido de “preto no branco”, absorvendo através das emoções mais elementares aqueles que pegam no seu livro. Consegue, ainda, distanciar-se da trilogia de Collins e criar algo próprio que fará muitos dos seus leitores pensarem um pouco para lá da história entrelinhas.
Uma leitura revigorante que nos faz desejar que toda a YA fosse mais assim e, sem dúvida, um calmante para os fãs de Jogos da Fome que ansiavam por algo do género. Espero que o segundo volume seja muito melhor.

4* Opinião Clube BlogRing seguindo a classificação do Goodreads

5 comentários:

  1. Olá!
    Adorei sua resenha,aqui no Brasil esse livro está sendo lançado esse mês e já garanti o meu.Depois da sua resenha,tenho certeza que acertei na compra!

    Beijos!!

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  2. Sim, também gostei do livro. É um bom YA sem dúvida :) digno da comparação que fazes com Jogos da Fome.

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  3. Eu gostei bastante deste livro e até o li antes de ler Os Jogos da Fome, apesar de ter gostado mais deste último.

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  4. Obrigada a todas pelos comentários =)

    São livros com a mesma essência mas diferentes e por isso não temos a sensação de estar a ler o mesmo. Apesar que eu continuo a preferir os "Jogos da Fome" ;)

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