segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Opinião - O Crepúsculo dos Elfos

Título Original: Le Crépuscule des Elfes (#1 La Trilogie des Elfes)
Autor: Jean-Louis Fetjaine
Editora: Europa-América
Número de Páginas: 277

Sinopse
 Há muito, muito tempo, mesmo antes de Merlin e do rei Artur, o mundo não era mais do que uma floresta sombria de carvalhos e faias, povoado de elfos e de raças estranhas, cuja memória se perdeu nos nossos dias.
Nesses tempos antigos, os elfos eram um povo poderoso e temido pelos homens, seres cheios de graça de pele azulada, que sabiam ainda dominar as forças obscuras da Natureza.
Este livro é uma narração das suas derradeiras horas, depois do encontro do cavaleiro Uter e de Lliane, rainha dos elfos, cuja beleza fascinava todos os que dela se aproximavam. A história de uma traição e da queda de todo um mundo, há muito esquecido, de um combate desesperado e de um amor impossível.
Numa Idade Média onde o maravilhoso ladeia a violência e a crueldade, este romance fabuloso, alimentado por uma imaginação inesgotável e um profundo conhecimento do mundo medieval, estabelece uma ligação entre o universo das lendas célticas, a fantasia e o ciclo arturiano.


Opinião 


Considerado um dos grandes representantes da literatura fantástica francesa, Jean-Louis Fetjaine é licenciado em História e Filosofia, foi jornalista e tradutor e tem, actualmente, quatro séries publicadas: A Trilogia dos Elfos, Merlin, As Crónicas dos Elfos e As Rainhas de Púrpura.

O primeiro volume da série Merlin, O Caminho de Merlin, venceu em 2003 o prémio Imaginales du meilleur roman de fantasy mas foi com o seu primeiro romance, este O Crepúsculo dos Elfos, que o seu sucesso ficou consolidado. Entre as lendas célticas, a fantasia e o ciclo arturiano, o autor tem conseguido criar obras de grande impacto onde as fontes históricas não são esquecidas como a história romana ou a corte merovíngia.
Tenho procurado as obras deste autor ao longo dos anos mas devido aos preços e aos poucos exemplares que podem ser encontrados nas livrarias, só através de uma troca, muito recentemente, é que tive acesso a esta sua primeira trilogia que, entre os primórdios da história do rei Artur e influências tolkenianas, tem um lugar bastante representativo na Fantasia.
Apesar de não ter, quer a magnitude, quer a intensidade da obra de Tolkien, é fácil perceber porque é que fãs deste se deixam levar por esta leitura. Num livro onde se sente as influências do chamado “pai da fantasia épica” e onde o principal tema é o mais adorado por leitores de todo o mundo, a história de Artur, a Távola Redonda e Merlin, o resultado só pode ser o sucesso, até porque Fetjaine tem uma visão muito própria destes temas, que de tão repetidos ao longo de décadas, se encontra, dificilmente, algo original.
Este primeiro volume tem uma premissa prometedora e um mundo de aventuras a aguardar os seus leitores, onde perigos estão onde menos se espera e as intrigas podem vir do mais inesperado dos lugares. A acção decorre antes do nascimento de Artur, antes mesmo dos seus pais se unirem, num local onde a magia e o sangue antigo ainda não estão esquecidos. Ao olharmos para os povos que habitam este mundo, somos levados para o imaginário de Tolkien misturado com as lendas celtas, e esta conjugação é o que agradará mais aos leitores de ambos os tipos.
Numa junção perfeita entre influências, lendas e história, Fetjaine tem uma escrita mágica, antiga e poderosa, tão própria dos autores do seu tempo, que levará os seus leitores a percorrer estas páginas com a sensação de estarem a ler algo tão puro quanto cruel, onde os valores antigos se misturam com magia que ultrapassa o entendimento do simples ser humano. Não é difícil deixar-nos arrebatar pelos diálogos cuidados e descrições que nos permitem conhecer este mundo inspirado por uma época que ainda hoje inspira os escritores, a chamada Idade Verde ou Idade Média, a mais propensa em lendas, imaginação e crenças no fantástico, recheada de povos que ainda hoje vivem no nosso imaginário.
Se a caracterização dos homens vai buscar muito a essa época, a caracterização dos restantes povos é muito influenciada por Tolkien. Entre os elfos, anões e orcs, estes não fogem muito aos que podemos ver no Senhor dos Anéis, mesmo que aqui eles possam mais facilmente ser cruéis, instigadores e mais afastados da raça humana, prestes a caírem em decadência neste mundo em mudança. O que torna a leitura mais rica será a quantidade de hierarquias e histórias dentro desses povos, que enchem as páginas de informação para melhor entendermos a história que o autor criou.
Aqui não temos anéis mas também existem objectos que unem estas raças e permitem a paz e um controlo equilibrado do mundo por eles, estando entre esses objectos, um sobejamente conhecido pelos leitores de todo o mundo. As lendas celtas e o ciclo arturiano são utilizados como pontos de ligação, sendo este último o ponto central da narrativa e onde está a grande inspiração. O autor coloca a lenda do rei Artur na época mais utilizada, apesar de errada, sendo justificada exactamente por esta época ser mais rica e promissora para este tipo de narrativa.
Por entre cenários de desolamento e cruéis criaturas, lugares de uma beleza divina e de uma grande serenidade, conhecemos as nossas personagens, que não foram em nada descoradas pelo escritor. Cheias de uma ambiguidade que enaltece o bom e o mau em cada povo, cada uma delas é imperfeita. Uns guerreiros, outros feiticeiros, outros ambos, uns com mente mais arguta, outros mais brutos mas puros de coração, temos o típico elenco deste tipo de narrativa, aquele que o leitor apreciará sem dúvida.
Numa demanda para salvar a paz, este é apenas o início da aventura de um grupo peculiar que vos fará lembrar uma grande obra da fantasia. Para os fãs de Tolkien, para os amantes da fantasia épica, para aqueles que percorrem a história do rei Artur em todas as suas vertentes, este é o livro para todos eles. 

6*

4 comentários:

  1. Adorei a resenha e fiquei com muita vontade de ler o livro.

    Beijos!

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  2. Obrigada Paula!=D Espero que tenhas a oportunidade de ler ;)

    beijos

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  3. Olás

    Ai é sempre uma tentação ler os teus comentários e fiquei com imensa curiosidade de ler os livros. Por acaso tenho a sensação de ver estes livros, quando existem feiras no metro, mas posso estar enganado.

    Apenas temo ler mais do mesmo, pois sobre o rei Artur há muita coisa escrita, As Brumas de Avalon da MZB (adorei), li recentemente o Gavriel Gay, embora não seja propriamente a história deste personagem, e queria ver se comprava a saga Arturiana do Cornwell.

    Mas depois deste comentário estarei mais atento sem duvida ;)

    BJS

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  4. Olá!

    Este livro não se centra tanto no rei Artur por isso, está descansado, que até é uma pausa no "mais do mesmo" ;)

    Se quiseres, faço-te a oferta que fiz a Maria, eu empresto!xD

    beijinhos

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