sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Opinião - Os Leões de Al-Rassan

Título Original: The Lions of Al-Rassan
Autor: Guy Gavriel Kay
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 548

Sinopse
 Imagine uma Península Ibérica de fantasia, durante o período sangrento e apaixonante da Reconquista, onde realidade e fantasia se entrelaçam numa história poderosa e comovente.

Inspirado na História da Península Ibérica, Os Leões de Al-Rassan é uma épica e comovente história sobre amor, lealdades divididas e aquilo que acontece aos homens e mulheres quando crenças apaixonadas conspiram para refazer – ou destruir – o mundo. Lar de três culturas muito diferentes, Al-Rassan é uma terra de beleza sedutora e história violenta. A paz entre Jaddites, Asharites e Kindath é precária e frágil, mas é precisamente a sombra que separa os povos que acaba por unir três personagens extraordinárias: o orgulhoso Ammar ibn Khairan – poeta, diplomata e soldado, o corajoso Rodrigo Belmonte – famoso líder militar, e a bela e sensual Jehane bet Ishak – física brilhante. Três figuras cuja vida se irá cruzar devido a uma série de eventos marcantes que levam Al-Rassan ao limiar da guerra.


Opinião 
 Terá sido graças a influência do filho de J. R. R. Tolkien, Christopher, que Guy Gavriel Kay terá esquecido a Filosofia e o Direito para se dedicar à escrita, iniciando em 1984 uma das trilogias mais aclamadas da fantasia A Tapeçaria de Fionavar, com a qual venceu o prémio Aurora e que foi lido por gerações de amantes de literatura fantástica mesmo depois do seu grande sucesso. Foi nomeado três vezes para o World Fantasy Award e venceu o Internacional Goliardos Award pelo seu contributo à literatura fantástica. Ao inspirar-se em factos reais do passado e em períodos históricos para os seus livros, colocando a acção em locais reais onde os instrumentos da fantasia tomam lugar e controlam a narrativa, Kay mereceu o ímpeto de escritor de historical fantasy mesmo continuando a afirmar que os seus livros fogem de qualquer género.

Se eu for contar há quanto tempo este livro me tem perseguido, muito provavelmente rir-se-iam de mim. Este era um daqueles livros que eu queria mais do que tudo mas que nunca vinha para casa até eu finalmente bater com a cabeça na parede. Para uma amante de História e de Fantasia, Os Leões de Al-Rassan parecia ter todos os ingredientes para me fazer salivar por mais um parágrafo, por mais um capítulo, por mais e mais, ou seja, tenha as expectativas lá bem no alto e, graças aos deuses, elas não me defraudaram.
Este é o livro que um fã de fantasia jamais esquecerá, quer pelas personagens magníficas, quer pela narrativa capaz de um maravilhamento incontestável. Guy tem um dom com as palavras que faz com que os seus leitores se prendam à subtileza das suas histórias, apresentando-nos uma escrita crua, sensível e absorvente que nos lembrará de odes e velhas lendas com fundos de verdade. Este livro é uma homenagem aos antigos guerreiros, aos velhos povos, que sem certezas do dia seguinte, lutaram, acreditaram e marcaram uma época que mudou tudo o resto. Entre aquilo que era o passado de ontem e o futuro porque ansiavam, Kay soube transmitir através desta história de coragem como era viver entre esses dois tempos com desejo de mais e melhor, dando-nos a conhecer três pessoas que guardavam em si os anseios e temores de cada um dos seus povos, representando o melhor e o pior de cada um.
Uma história envolvente e única, digna de se saborear lentamente, ao mesmo tempo que é absorvida pela nossa mente, Os Leões de Al-Rassan é constituídos por momentos negros de crua beleza, de uma sensibilidade apenas tangente à sabedoria dos muitos anos vividos e do conhecimento apreendido, num relato onde os valores antigos como a honra, o respeito e a fidelidade eram mais caros que o amor e a amizade, onde os valores superiores eram seguidos acima de qualquer coisa, onde sem haver nação, existia um patriotismo que hoje não se conhece. Percorrer os caminhos destes reinos vastos e tão diferentes ao lado de personagens tão para lá do simples ser humano, é uma aventura que qualquer leitor não quererá perder pois aventuras inimagináveis nos esperam, mortes inesperadas, amores capazes de tudo, reis que caem e heróis que se levantam enquanto os bardos contam as suas histórias.
Por trás de uma narrativa de cortar a respiração, pude mais uma vez, constatar o talento de Kay para construir personagens verosímeis, fortes, transcendentes, que ultrapassam em tudo a nossa imaginação. É impossível escolher uma preferida entre personalidades tão vastas e tão imponentes, caracterizadas de uma forma tão rica que não conseguimos evitar admirá-las do fundo do nosso ser. Outro ponto forte deste livro é o misto de culturas que encontrámos, tão bem caracterizadas, que enchem as páginas de forma rica e opulenta e que está bem entranhada nas personagens, conseguindo o leitor entender a todas, querer conhecer cada uma de uma ponta a outra sem deixar nada por revolver. O certo e o errado perdem-se durante esta história que apela a compreensão religiosa, ao amor do homem sem olhar a deuses ou a cor da pele, pois independentemente a quem rezem, os ideais percorrem o mesmo caminho.
Depois da Tapeçaria de Fionavar, eu pensava que já tinha visto tudo o que este autor era capaz mas estava redondamente enganada. Este autor é capaz de mais, muito mais e este livro transcende tudo o que eu esperaria dele, e só fez com que o admirasse ainda mais. Se leram apenas a trilogia, leiam este. Se não conhecem o autor, primeiro leiam Fionavar e depois este, valerá a pena. Leitura obrigatória para fãs de fantasia ou de história, Os Leões de Al-Rassan é um regalo para qualquer leitor. Esperemos agora que Tigana esteja próximo.

7*


Do mesmo autor, A Tapeçaria de Fionavar:
A Árvore do Verão opinião
O Fogo Errante opinião
A Senda Sombria opinião

8 comentários:

  1. Yay! Mais uma fã dos Leões de Al-Rassan. :D

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  2. Ah! Finalmente acho uma crítica a este livro! Quando o vi pensei lê-lo mas confesso que nunca mais me lembrei! E agora a crítica deixou-me novamente curiosa! Um livro a adquirir brevemente sem dúvida!

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  3. Ki é um livro fantástico e, infelizmente, difícil de arranjar nas livrarias =( Mas se não encontrares vale a pena adquirires pelo site da SdE =)

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  4. Olá,

    Ai tanto que o corvo te avisou que estavas na presença do um excelente livro, mas lá o leste, para mim ainda é melhor que a trilogia A Tapeçaria de Fionavar, penso ter outra qualidade ;)

    Agora é esperar que a SDE se decida e invista nestas verdadeiras pérolas, que são trocadas por Cast, Harris, Briggs, no fundo se não fosse Martin a vender sempre queria ver lol...a publicar que seja algo com qualidade ;)

    E pelo que sei os outros livros do escritor ainda são melhores, por exemplo o Tigana ;)

    BJS

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  5. Olá!

    É,sem dúvida, outro patamar, outra qualidade, outro universo e muito melhor do que podia esperar! Os conselhos do corvo nunca falham!=D

    Sinto-me triste porque até ao final do ano dos meus escritores preferidos só Anne e Robin vêm para casa, já que de resto, foi tudo adiado para o ano enquanto essas escritoras vêem três livros ou mais publicados por ano. É triste...

    Pode ser que Tigana esteja de vez a caminho!

    P.S. Ao menos as receitas dessas servem para pagar os nossos livros especiais ;)

    beijinhos

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  6. Homónima, não resisti! Após ter lido a tua opinião há uns tempos... fiquei com a pulga atrás da orelha. Agora? Agora este menino já está na prateleira a aguardar vez. Yey! *.*

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  7. Muito bem Homónima!!=D espero que gostes tanto quanto eu, é um livro fantástico *.*

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