segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Opinião - A Casa de Gaian

Título Original: The House of Gaian  (#3 Tir Alainn)
Autor: Anne Bishop
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 448

Sinopse
 O regresso de Anne Bishop para o final desta brilhante e misteriosa nova trilogia.

Começou como uma caça às bruxas, mas o plano do Inquisidor-Mor para eliminar todos os vestígios de poder feminino que há no mundo preveem agora a aniquilação dos barões de Sylvalan que se lhe opõem… e a destruição do berço de toda a magia: a Serra da Mãe. Humanos e feiticeiras formam uma aliança difícil com os Fae para fazerem frente a esse imigo terrível. No entanto, mesmo unidos, não têm força suficiente para resistirem aos exércitos mobilizados pela Inquisição. Procuram por isso o apoio do último aliado ao qual podem recorrer: a Casa de Gaian. As feiticeiras que vivem isoladas na Serra da Mãe têm poder suficiente para criarem um mundo… ou para o destruírem.

O antigo lema das bruxas: «Não fareis o mal», arrisca-se a ser esquecido por força de uma necessidade mais premente: a necessidade de sobreviverem.


Opinião
Antes das Jóias Negras, existiu Tir Allain. Antes dos Sangue, existiram as Filhas da Casa de Gaian. Mas que interessa isso desde que possamos visitar cada um destes mundos, conhecer todas as suas personagens e ler as suas histórias? Seja qual for o mundo obscuro e apaixonante com que Anne Bishop nos presenteie, a verdade é que estaremos perante algo único e mágico que nos ofuscará com o seu brilho e que nunca poderá ser comparado a nada porque nunca lerão nada como as histórias desta senhora da fantasia gótica.

Amante da jardinagem, da música e de histórias densas e românticas, Anne Bishop é uma autora como poucas. Com quinze livros publicados e uma estreia absoluta na fantasia paranormal prestes a chegar em Março de 2013, esta autora viu o seu sucesso crescer devido a uma trilogia que terá marcado todos os que a leram, tenham gostado ou não e, é hoje uma das autoras mais marcantes da fantasia.
Esta é a minha escritora preferida de todos os tempos e eu esperava com uma ansiedade crescente e algum desespero o fim desta trilogia, que tão longe mas tão perto do que eu adoro nesta senhora, me conquistou como tudo o demais que li dela e, que tenho a certeza, nunca será suplantado, leia eu o que ler. Num mundo de luz e sombras, de encanto e maldade, de doçura e morte, dois povos coexistiram até que um inimigo devastador veio desequilibrar tudo o que havia sido construído para o bem, desenterrando lendas antigas e vozes que não mais cairão no esquecimento.
Volume final de uma trilogia onde a magia anda lado a lado com a Natureza, onde a feminilidade é celebrada como um duo de poder e meiguice e onde o terror se pode esconder nas brumas mais escuras, este é o final perfeito para uma história que foi ganhando intensidade até terminar em soberba beleza neste livro.  A Casa de Gaian é, no seu todo, um livro poderoso, onde a escrita lírica e a voz insinuante da autora soa em cada expressão, em cada descrição e momento como algo de sobrenatural, que se insinua e nos absorve como uma tempestade de proporções gigantescas. Recheado de momentos que têm tanto de doce como de doloroso, tanto de violento como de apaixonante, este é mais uma narrativa onde os laços familiares ganham vida, onde os amantes vivem amores transcendentes, onde a amizade é algo mais valoroso que as questões de vida e morte, onde o ódio pode ultrapassar a lealdade às raízes.
Os mitos renascem para uma batalha que irá alterar tudo e todos de uma forma definitiva e para unirem o que se separou há demasiado tempo, criando ligações que nos ultrapassam, contando-nos histórias que nos deixarão tão maravilhados quanto aterrorizados. Numa narrativa onde beleza e grotesco, mais uma vez, caminham lado a lado, tornando esta leitura algo de singular, vamos aprender, sorrir e arrepiar com cada batalha épica, com cada gesto de aceitação e encontro, com toque de compaixão e antagonismo, apreendendo em cada frase, as emoções que emergem das personagens em ondas gigantescas que não nos deixarão largar a leitura por nada neste mundo.
Mais uma vez, as descrições de Bishop são um contraste entre luz e sombras, que tanto marcaram esta trilogia ao longo dos três livros e, mais uma vez, o leitor poderá apreciar os diálogos escritos e entender por entrelinhas o que as personagens emergem entre si, numa acção cheia de  sentimentos profundos que simbolizam o mais fundo de o ser e um entendimento que ultrapassa a razão. Quem conhece a autora, sabe que a dualidade de auras faz parte da sua escrita, escreva ela sobre que mundo for, mas neste é mais palpável, mais inocente e com menos subterfúgios, criando um final assolapado que está cheio de contrariedades, momentos imprevisíveis e chocantes e novas revelações inesperadas que alterarão tudo o que esperariam deste volume final.
Marcante como desde o início, são as personagens. Entre as antigas e as novas que nos chegam neste livro, temos almas tão selvagens quanto puras, que sofrerão por terem de abandonar o seu lema «Nunca fareis o mal» para um bem maior, a existência de tudo o que amam e faz delas, bruxas ou Fae, até mesmo humanos, aquilo que são. Tal como a escrita, também as personagens são um misto de ambiguidades que nos conquistam e nos fazem perceber aquilo que realmente são, aquilo que são capazes, conseguindo que o nosso coração torça a mesma por elas. Acompanhar a forma como as raças interagem entre si, como se começam a conhecer e, finalmente, a compreenderem-se, criando laços entre si tão fortes como as raízes de uma árvore enterradas nas profundezas da terra, é um dos pontos fortes deste livro, marcando o leitor com o entendimento e a percepção de quão diferentes mas tão iguais, todas as estas personagens, que vivem em mundos tão diferentes, com regras tão díspares, são capazes de complementarem de forma perfeita.
O leitor sofrerá com as perdas, irá revoltar-se com a injustiça, torcerá por aqueles que abandonam os medos para viverem algo com que nunca se atreveram a sonhar. Sentirá na pele a compaixão, fervilhará com a raiva contra aqueles que tudo destruem, tudo quebram, deixando um rasto de morte e terror atrás de si. Viver num mundo bishopiano por umas horas, umas quantas páginas, preenche-nos de uma maneira que poucos livros hoje fazem e transportam-nos, não para mundos idílicos, mas para um mundo onde a amizade, a lealdade e o amor são tão verdadeiros quanto o sol nascer ou a chuva cair.
Enquanto fã desta autora, deixar-me levar pelos seus livros é tão fácil quanto respirar e, em cada um deles, eu encanto-me e perco-me, sinto uma ligação com estas personagens como sinto com poucas. Pura e simplesmente, eu vivo dentro da história enquanto a leio. Como final, este livro é perfeito, pois conjuga em si tudo o que de melhor esta trilogia tem, culminando com toda a mestria com que a autora já nos habitou.
A quem já leu os outros dois livros, prepara-se para um final que vos deixará o coração a acelerar. Quem não leu, vão a loja mais próxima, comprem esta trilogia ou outra mas não percam a oportunidade de ler Bishop uma vez, pelo menos, na vida.


 7*

As minhas opiniões da trilogia:
Os Pilares do Mundo
Luz e Sombras 

2 comentários:

  1. Apesar de achar esta trilogia um pouco mais naif que os restantes livros que li da autora, passei um optimo fim-de-semana na companhia deste volume. Adorei. Foi um final e tanto, até me caiu uma lagrimita quando tiveram lugar os acontecimentos numa certa clareira, lá para o fim do livro, e percebi que alguém ia mesmo ter que cumprir certa promessa e "fazer o que for necessário".
    Dos três volumes de "Os pilares do Mundo" este foi aquele que mais me agradou.

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  2. Oh Alice essa cena =') ainda me está aqui atravessada mas é, sem dúvida, uma cena e tanto, bem digna de Bishop em toda a sua descrição.
    É sem dúvida o melhor e um final estrondoso.

    brijinhos e boas leituras

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