quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Opinião - A Condessa

Título Original: The Countess: A Novel
Autor: Rebecca Johns
Editora: Edições ASA
Número de Páginas: 336

Sinopse 
 A bela condessa Erzsébet Báthory nasceu num berço de ouro da aristocracia húngara. Nada faria prever que acabaria os seus dias encarcerada na torre do seu próprio castelo. O seu crime: os macabros assassínios de dezenas de criadas, na sua maioria jovens raparigas torturadas até à morte por desagradarem à sua impiedosa senhora.
Pouco antes de ser isolada para sempre, Erzsébet conta a apaixonante história da sua vida. Ela foi capaz dos mais cruéis actos de tortura mas também do mais apaixonado e intenso amor. Foi mãe, amante, companheira… uma mulher que teve o mundo a seus pés e se transformou num monstro.
Os seus opositores retrataram-na como uma bruxa sanguinária, um retrato que fez dela a mulher mais odiada da História. Erzsébet inspirou Drácula, inscreveu-se na literatura clássica e contemporânea, deu azo a filmes, séries de TV e até jogos de computador.


Opinião 
 Professora de Escrita Criativa, Rebecca Jonhs nasceu no Illinois e licenciou-se em Jornalismo e Inglês. Escreve artigos em várias revistas, desde as dedicadas à literatura, publicações noticiarias, revistas universitárias até às comerciais Cosmopolitan e Seventeen. A Condessa é o seu segundo livro, um romance histórico que irá deliciar os fãs de Drácula, os desejosos de visitar a Europa do Leste, os que adoram histórias sobre crimes ou simplesmente os amantes de História.

Bram Stocker criou para o mundo moderno uma personagem fascinante, terrorífica, assustadora e imortal que, ainda hoje, inspira muitos autores e realizadores devido ao fascínio e horror que ele exerce no público, mais crédulo ou não. Falo-vos, claro, de Drácula, o vampiro todo-poderoso que renunciou a Deus e practicou os actos mais horrendos que se possa imaginar e que continua a mexer com o nosso imaginário. O que poucos sabem, é a que a personalização do terror na cultura popular se baseou numa mulher poderosa, bela e inteligente que foi a primeira assassina em série da História, contemporânea de Elizabeth I, sua homónima e que simbolizou o poder da aristocracia húngara e o medo na sua própria casa. Erzsébet Báthory, descendente das famílias mais poderosas do Sacro Império Romano-Germânico, foi uma mãe dedicada, uma amante apaixonada e uma senhora cruel, capaz de assassinar sem piedade dezenas de jovens que estavam ao seu serviço e sobre a sua protecção.
Rebecca Johns dá vida a esta personagem numa narrativa que exala crueldade, amor e pena, onde os crimes de Erzsébet nos são contados da sua perspectiva, tal como as suas perdas, amores e conquistas, num cenário de encanto e beleza gótica, por entre salões de baile, quartos frios e caves escondidas. A autora consegue de uma forma peculiar e sensacional transmitir-nos cada momento da vida da Condessa, provocando no leitor um conjunto de sensações díspares que vão desde a pena à admiração, do terror ao ódio, da compreensão ao desprezo, demonstrando o seu imenso talento com uma narrativa poderosa, intensa e tão bela quanto horrenda, que vai prender-nos a cada palavra como um feitiço.
Ao longo da leitura dei por mim a desejar que houvesse uma explicação plausível para os crimes desta mulher, que ela fosse feliz, que cada esforço para honrar a sua família fosse recompensado e, muitas vezes, justifiquei os seus actos, entendia-a, chorei por ela, uma mulher brilhante culpada por ambicionar a perfeição e desejosa de satisfazer os que amava. Tal é a força dos sentimentos provocados pela autora, o seu talento para contar histórias que, apesar de nos apresentar a frieza e crueldade da protagonista num realto cru e sincero, o leitor não deixa de se sentir fascinado pelo poder de sedução da Condessa.
A protagonista é nos apresentada de forma a atacar os nossos sentidos, a mexer com os nossos pensamentos e coloca a descoberto o mal que pode estar embrenhado no fundo da alma humana. Dona de uma beleza fria e de uma personalidade tão profunda que rivaliza com a da terra que a viu nascer, Erzsébet é o resultado de uma educação privilegiada, de uma linhagem antiga e de um poder ancestral, sendo uma das personalidades mais importantes do seu tempo. Se pode confundir o facto de uma mulher assim ter tomado atitudes tão cruéis, ao ler este livro pode-se entender como alguém de uma superioridade inata pode descer à mais animalesca das acções e como surgiu o destorcimento da mente da Condessa. Caracterizada de uma forma humana e complexa, a nossa protagonista é brilhantemente recriada neste livro, onde mais do que uma assassina, é uma mulher, uma filha, uma irmã, uma mãe, capaz de comandar um salão de baile com a sua graça enquanto a fúria lhe fervilha no interior. Magnetizante, controla-nos ao longo do livro com o seu charme e quase que podemos sentir o seu doce sorriso enquanto o seu olhar nos arrepia.
Num ambiente de luxo, ostentação e mistério, as personagens exalam o mesmo espírito enfeitiçante do mundo em que vivem e encaixam nas descrições desta Europa Oriental, tantas vezes esquecida. A autora cria personagens fortes, profundas e misteriosas e cada uma delas representa um papel nesta peça macabra, seja como testemunhas, catalisadoras ou vítimas. A recriação soberba deste mundo pela autora merece uma atenção especial pelos pormenores que nos são dados, quer sociais, religiosos ou políticos, e que se enquadram na perfeição com o ambiente negro da história, com os adornos góticos e as mudanças espirituais que começam a entranhar-se vindas do Ocidente.
Superando as minhas expectativas em larga escala, A Condessa é um livro brilhante que deve ser lido por fãs de Stocker, História ou personalidades únicas ou por aqueles que tenham coragem suficiente para lerem esta história e conhecerem uma nova definição do Mal. Uma narrativa que exala mistério, crueldade e beleza e que vai prender a vossa respiração, assolar a vossa mente e atiçar a curiosidade até lerem as últimas palavras.

7*

4 comentários:

  1. Bem, vamos lá a contas então! Assim de memória, surgem nomes como Kushiel, Rothfuss, Pearse e agora Johns. Mas dúvidas não me restam de que muitos mais nomes ficaram esquecidos... mas será que me queres levar à loucura «literária»? Ando com formigueiro nas mãos desde que li aquela tua opinião do Rothfuss... e agora com maior formigueiro vou andar, ao juntar este livro também. Raios! :P

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    1. Loucura literária... penso que sim!=D
      Não te esqueças da Bishop e do Martin, para já xD
      Este é um livro daqueles, por isso tens de ler!eheheh =D

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  2. Thank you for the kind review!

    Rebecca Johns

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    1. Welcome Rebecca!

      Thank you so much for your comment and by the amazing book

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