segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Opinião - À Procura de Alaska

Título Original: Looking for Alaska
Autor: John Green
Editora: Edições ASA
Número de Páginas: 256

Sinopse
 Na escuridão atrás de mim, ela cheirava a suor, luz do sol e baunilha, e, nessa noite de pouco luar, eu pouco mais podia ver além da sua silhueta, mas, mesmo no escuro, consegui ver-lhe os olhos - esmeraldas intensas. E não era só linda, era também uma brasa."
Alaska Young. Lindíssima, esperta, divertida, sensual, transtornada… e completamente fascinante. Miles Halter não podia estar mais apaixonado por ela. Mas, quando a tragédia lhe bate à porta, Miles descobre o valor e a dor de viver e amar de modo incondicional.
Nunca mais nada será o mesmo.


Opinião


Livro de estreia de John Green, À Procura de Alaska foi publicado em 2005 e tornou-se um sucesso tal que irá ser adaptado para filme por Hollywood. Primeiro dos cinco livros de Green, venceu nove prémios literários e já foi traduzido para quinze línguas. O autor tornou-se conhecido não só no mundo literário mas na internet onde tem um espaço conjunto com o irmão, Hank, onde discutem livros, a sua vida e ocorrências do dia-a-dia. Actualmente o Brotherhood 2.0 foi substituído pelo “The Vlog Brothers” um vídeo blog que faz parte da iniciativa Nerdfighters.
Conhecido por escrever livros actuais e que abrangem temas vastos da nossa vivência, neste livro Green apostou no tema da adolescência, nas amizades e asneiras dos dezasseis anos, na simplicidade e exagero de uma mente que começa a abrir-se para as possibilidades, para o infinito das sensações, para o crescimento e as responsabilidades que a idade traz. Entre as opiniões mais que positivas que este livro recebeu e as não tão positivas, eu já esperava uma narrativa simples, sem grandes desenvolvimentos e, apesar de isto se ter verificado, o livro não foi definitivamente o que estava a espera e penso que a sinopse do livro consegue ser bastante enganadora dando azo ao leitor pensar que este é mais um típico romance juvenil.
Tal como o livro está dividido em Antes e Depois, também a minha opinião dele assim ficou dividida pois a surpresa, a beleza dele está na segunda parte onde o autor entra nas questões mais filosóficas e pensativas, onde as consequências vão revelar-se inesperadas e a vida e a morte se tornam inexplicáveis apesar da mente e do coração precisarem das respostas para o não aceitável. A escrita de Green é simples, divertida e enternecedora, muitas vezes com o mesmo espírito e idade das suas personagens e consegue relembrar os leitores mais adultos das suas fases dos dezasseis, as asneiras, os primeiros amores, as amizades mais fortes e dedicadas, as primeiras experiências, o que fará com que o leitor tanto se ria das parvoíces deste grupo de jovens como pode torná-lo nostálgico, levando-o através das recordações já há muito esquecidas.
Quando iniciámos a leitura deste livro deparámo-nos, não com a narrativa espectacular que estaríamos a espera mas com um relato, um relato sobre um grupo de adolescentes que se estão a descobrir, a aprender a crescer, a fazer asneiras, a descurarem o importante porque a mente deles está noutro lado, está nos primeiros pensamentos sobre as questões que assolam toda a vida do ser humano, o amor, a amizade, a família, quem é que eles são, quem querem ser e o que poderão ser. Entre conversas filosóficas e parvas acompanhadas por umas quantas garrafas, os primeiros cigarros, estes adolescentes, tão diferentes, de mundos tão opostos, identificam-se, são companheiros, são leais e dedicados mesmo no egoísmo da idade e é isso que pode enternecer o leitor mais atento a esta leitura. Quem passou por experiências parecidas vai compreendê-los, outros vão repreendê-los, há quem mesmo possa ficar indiferente às idiotices deste grupo mas é impossível, na segunda parte do livro, não ter vontade de os proteger, de sentar com eles e falar, explicar, que um dia tudo o que tem importância para eles não vai fazer sentido, que até a dor mais profunda se esconde, que até o amor mais forte quebra.
Para mim, a maior magia do autor foi ter pego em personagens com personalidades tão frágeis quanto indefinidas, em miúdos que ainda não sabem o que querem, que mal pensam no futuro pois apenas miúdos assim podem transmitir mil sensações, desde o desprezo à protecção. Miles não é perfeito, é apenas um adolescente normal, tímido, por vezes fraco mas com sentimentos tão fortes que é difícil não sentir simpatia por ele. É o típico personagem que não é protagonista e daí o seu encanto. Ao longo da leitura vai mostrando a sua personalidade através de citações que nos fazem pensa, através de pensamentos com que até nos poderíamos identificar, vai fazer com que voltemos a ter dezasseis anos e sejamos despreocupados, rebeldes e com o mundo pela frente. Alaska, é para mim, a típica miúda que a todos fascina ou que ninguém gosta, a rapariga que ninguém irá compreender pelo simples facto de ser uma adolescente mas ao mesmo tempo já ser mais madura, mais pensativa, com uma carga emocional pesada que não pode ser salva. Inconstante, tonta e para lá deste mundo, vai irritar-nos mas também nos vai fazer sorrir.
Tudo muda na segunda parte do livro quando estes jovens caem no dramatismo e na depressão que um acontecimento fatal lhes provoca. Como todos nesta idade, eles vivem tudo como se fosse o último dia, como se nunca mais fossem sentir algo assim na vida, como se a vida tivesse de ser vivida no agora e no já porque pode acabar tão depressa quanto o teste que foi aguardado com imenso desespero e depressa acaba. É aqui que se sente o brilho da simplicidade de Green, como um livro tão normal e simples pode transmitir tanto, dar tanto e em poucas páginas exaltar, explicar e redescobrir as questões mais simples da vida. Um momento mudou toda a minha opinião do livro e ao ler estas palavras que escrevo percebo o quanto este livro afinal mexeu comigo, o quanto ele me fez recordar e o quanto o teria adorado noutra idade.  
Este livro exala o cheiro doce da baunilha misturado com o dos livros e do fumo do cigarro, sente-se o calor forte do Verão, o toque da água fria e o peso das primeiras cores, das primeiras sensações, de quando deixámos de ser crianças para começarmos a ser adultos. Não lhe vou chamar obra-prima porque não achei que o fosse mas é sem dúvida um livro especial.


4*Opinião Clube BlogRing seguindo a classificação do Goodreads

2 comentários:

  1. Ois,

    Bem fico impressionado com o teu ritmo de leitura / publicação de comentários e ainda por cima cada comentário que leio fico sempre com imensa vontade de ler o livro, és mesmo cruel para a minha carteira lol.

    Parece um livro interessante sem duvida ;)

    BJS

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  2. Olá!

    Tenho tido tempo ;) Cruel para a carteira mas simpática para a tua estante!=D

    beijinhos

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