segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Opinião - A Rainha Predileta

Título Original: The Favored Queen: A Novel of Henry VIII's Third Wife
Autor: Carolly Erickson
Editora: Bertrand Editora
Número de Páginas: 272

Sinopse
 Filha de uma família nobre e ambiciosa, Jane Seymor é enviada como aia de Catarina de Aragão, a mulher de Henrique VIII. Muito dedicada à rainha, é com tristeza que Jane assiste às manipulações de Ana Bolena para se tornar rainha, que incluem o homicídio de alguém que sabia um segredo seu. Também Jane se torna vítima do ódio de Ana quando esta descobre o interesse do rei pela aia. Como Ana Bolena não lhe consegue dar filhos, o rei pede a Jane que seja a sua próxima rainha. Dividida entre o seu coração e a lealdade ao rei, Jane tem uma difícil escolha a fazer.


Opinião 
 Escritora de biografias e romances históricos, Carolly dedicou a sua escrita às grandes mulheres que marcaram a diferença, as suas épocas e a sua História. Entre as Czarinas da fria e opulenta Rússia, mulheres poderosas como Catarina a Grande ou Alexandra, a última das czarinas, a luxuosa Maria Antonieta, última rainha de França e descendente das Imperatrizes austríacas, as seis mulheres de Henrique VIII que em comum tinham o marido e a vivência nas intrigas da corte inglesa, a sua filha, Elizabeth, a mulher que subjugou um Mundo moldado às mãos dos homens e a sua rival e prima, Maria, destinada a governar toda a Europa, todas elas serviram de inspiração aos romances de sucesso de Carolly.

Vinte e cinco romances, aclamados pela crítica, bestsellers, foram a rampa para a carreira desta escritora, que tem passado meio despercebida pelo público português. Desenganem-se quem pensa que este é o seu primeiro livro publicado por cá pois os seus livros dedicados às czarinas já estão editados em português há algum tempo, pérolas a espera que os leitores lhes ponham a mão em cima.
Este livro é dedicado aos Tudors, mais propriamente a Jane Seymour, a menina bonita de Wolf Hall, a mãe do único herdeiro de Henrique VIII e a sua rainha predileta. Dama de companhia das duas rainhas que a antecederam, Jane veio continuar a tradição do rei casar com jovens inglesas de famílias não nobiliárquicas, tendo a sua família, os Seymour, subido na escala social como mais nenhuma outra família ascendeu neste reinado. A autora apresenta-nos a história da terceira rainha como se de um diário se tratasse, sendo Jane a narradora, o que nos proporciona uma visão mais pessoal e fechada dos acontecimentos. Jane é a personagem principal e é nela que se centra toda a história, sendo todas as outras personagens secundárias, com excepção daqueles que lhe foram mais ligados.
A surpresa desta narrativa foi o facto de ela começar ainda quando Jane era dama de companhia de Catarina de Aragão, o que nos permite conhecer a opinião, os amores e os ódios de Jane enquanto vê o reinado das suas antecessoras caírem e ascenderem e enquanto ela própria cresce e aprende mais sobre o mundo em que vive. Quem espera um detalhe pormenorizado da corte dos Tudor, pode, desde já esquecer essa ideia. Os detalhes históricos estão lá mas este é um relato pessoal dedicado em exclusivo à pessoa de Jane Seymour. A acção do livro decorre durante cinco ou seis anos mas ao leitor parecerá que o tempo nunca passa, que a informação é artificial, que a História foi deixada a um canto. Todos os momentos que marcaram o reinado de Henrique VIII são esquecidos na narrativa, sendo alguns deles falados superficialmente ou nem isso, deixando toda a emoção e força deste tempo de fora do livro, o que não ajuda a acção do livro que tende muitas vezes a ser parada. Esta parte deixou-me bastante desiludida pois esperava encontrar uma presença mais marcante de bastantes personagens esquecidas e de acompanhar o pensamento de Jane acerca dos grandes acontecimentos que terá vivenciado em directo e em primeira fila, o que ao não acontecer, tende a deixar a imagem que nada disso foi relevante ou que Jane nunca teve bem noção do quadro político inglês.
Enquanto retrato político e cultural, A Rainha Predileta não vos dará nada de novo, antes dar-vos-á muito pouco, enquanto quadro social, já é outra história. Se as mudanças religiosas e a política são esquecidas, a autora não se poupou às descrições das roupas e adereços, dos hábitos das rainhas ou do comportamento das suas damas de companhia, o que confere interesse a narrativa mas não brilho suficiente. Mas este livro não é, de todo, uma leitura perdida, apenas porque é uma visão muito própria de Jane Seymour. Neste livro ela não é apenas a doce jovem que conquistou o rei mas alguém humano, que pensa, que luta, que sente amor e ódio, que quebrou as convenções e que no fundo até tinha uma réstia de rebeldia e um respeito inafundável pela coroa.
O leitor poderá não pisar realmente o chão da corte mas acompanha a protagonista nas suas deambulações e pensamentos, nos seus problemas familiares e amorosos, no seu amor a uma rainha e no ódio a outra, conhecerá Jane como nunca pensou e é apenas nisso que esta leitura irá agradar aos amantes desta época. Carolly tem uma escrita agradável mas não profunda, as suas personagens são superfícies sem densidade e o seu relato demasiado conciso e diminuído. Sem ser a protagonista, apenas o seu irmão tem algum relevo mais significativo para a história e achei tanto Henrique, como Catarina e Ana muito estereotipados, sem grandes momentos ou diálogos, nada que realmente me deixasse satisfeita.
Esperava muito mais desta leitura, e se ela me agradou não foi, definitivamente, uma leitura perfeita, penso que com uma época tão rica e detalhada, a autora podia ter feito mais pois a simplicidade do livro irá espantar os leitores deste tipo de leituras, habituados ao estilo de Gregory. Penso ler outro livro da autora para tirar as teimas mas não me parece que se torne uma autora de eleição no género. 

4*

2 comentários:

  1. Homónima, estou... dividida. Se, por um lado, este era um livro que queria muito ler devido à época histórica em que se insere – gosto imenso dos Tudor embora não conheça muito da sua história (acho que, grande parte do que me lembro, em muito se deve à série televisiva) –, por outro, não me sinto tão compelida a tal visto a autora dar maior ênfase aos costumes e não tanto à época em si. Hmmm... Queria muito ler a tua opinião para saber se era, de facto, um relato correcto da vivência Tudor, mas também não me parece que tenha sido, para ti, uma leitura totalmente agradável. :(

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    1. Se quiseres algo para conhecer melhor a Jane Seymour a fundo, este é o livro certo, se queres um livro com toda a magnitude e descrição da corte Tudor, este livro peca por muita falta de informação e por deixar passar ao lado muitas personagens e acontecimentos.
      Estava à espera de melhor e fiquei desiludida, não era bem isto que tinha em mente =(

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