quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Opinião - Transformar-se em Maria Antonieta

Título Original: Becoming Marie Antoinette (#1 Maria Antonieta)
Autor: Juliet Grey
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 351

Sinopse
 Criada pela formidável imperatriz da Áustria, com numerosos irmãos e irmãs, Maria Antónia, aos dez anos, já sabia que a sua existência idílica seria, um dia, sacrificada às ambições políticas da mãe, mas nunca lhe passou pela cabeça que a sua imolação fosse tão prematura. Antes de passar dos piqueniques em Viena, na companhia das irmãs, para o brilho, o fascínio e as bisbilhotices de Versalhes, Antónia tem de mudar por completo para ser aceite como Delfina de França e mulher do estranho adolescente que um dia será Luís XVI. Mas possui ela o engenho e influência necessários para se tornar rainha.

Opinião
 Apaixonada pela história das famílias reais europeias, Juliet Grey pesquisou tudo o que havia para pesquisar sobre as uniões, as intrigas e os segredos dos reis e rainhas que durante séculos, em salas fechadas ou salões de baile, decidiram o destino de vários povos e nações por actos de dedicação ou puro egoísmo mas, houve uma rainha que suscitou na escritora uma admiração que a levaria a escrever um livro sobre a sua vida. Desde princesa mimada a rainha guilhotinada, do Império mais poderoso da Europa para um reino em decadência, símbolo do poder antigo e vítima do novo espírito revolucionário, Maria Antonieta foi filha, esposa e mãe nas duas casas reais que dividiram o mundo antigo com o seu poder, os Habsburgo e os Bourbon.

Por mais que tenha descortinado a vida desta mulher em livros, filmes e aulas, tenha visto e revisto cada pormenor da sua época e da sua vida, não consigo deixar de me sentir fascinada com esta personalidade que, para o bem ou para o mal, se imortalizou na sua morte como um símbolo de um novo mundo, de um novo pensamento e de uma nova abordagem. Escandalosa, doce e apaixonada, Maria Antonieta foi recordada para a posterioridade como a causa de uma decadência que há muito corrompia a França, como culpada pelos crimes de opulência que toda uma corte cometia, como a austríaca cheia de moral e ironia que não conseguiu fazer com que um rei fraco se tornasse digno do seu trono. De menina a mulher, de arquiduquesa a delfina e, por fim, rainha, esta é a história da difamada e famosa Maria Antonieta, esposa de Luís XVI.
Através de uma escrita divertida, detalhada e cheia de brilho, Grey apresenta-nos uma menina de dez anos que será responsável pela união das duas casas reais mais poderosas da Europa, desde que é prometida ao Delfim de França até se tornar rainha. Da rigidez da corte imperial austríaca até à ostensividade da corte francesa, a autora leva-nos numa viagem decadente, brilhante e, muitas vezes, opressiva pela vida desta mulher que subjugada pela imponência da mãe e assustada com o seu destino delicado, viveu sempre com a certeza que não era perfeita, que tinha demasiados defeitos mas que teria de se superar para demonstrar a todos que era capaz de realizar os planos de dois monarcas e os desejos de duas nações.
Por entre pormenores da infância de Maria Antonieta, vamos conhecendo a sua família, a sua cultura e educação e quem era antes de se tornar rainha. Sem esquecer todos os que fizeram parte da criação e aperfeiçoamento da futura delfina, a autora delicia-nos com o rigor com que nos descreve a corte de Maria Teresa e a própria pessoa desta mulher que com mão de ferro governou um Império, teve dezasseis filhos, viveu múltiplas guerras e casou por amor, as personalidades dos irmãos mais chegados a Antonieta, as  nuances por trás de cada tratado, cada exigência e desafio que significava ser princesa. Na rigidez e moralidade desta corte, conhecemos as diabruras da arquiduquesa, os seus medos e anseios, vemo-la tornar-se uma jovem desafiante, doce e encantadora que teme o seu destino, espera honrar a mãe com todo o seu ser e caí no esplendor daqueles que rodeiam o seu futuro marido.
O contraste entre ambas as cortes vai surpreender os leitores e a autora consegue transmitir de uma forma brilhante, as diferenças existentes na pessoa de Maria Antonieta, que longe do controlo da família, vai tentar aprender a viver numa nova corte que, longe da simplicidade do seu berço, a vai ofuscar e tentar de todas as formas. Intriguista, sumptuosa e luxuosa, a corte de Luís XV vai ser o maior desafio da delfina e cada queda dada por uma jovem inexperiente, insegura e longe do lar que sempre conheceu, vai ensiná-la que por baixo do brilho existe decadência, por trás de um sorriso existe uma mentira e que em cada canto uma reputação pode ser destruída por uma palavra.
Assistir ao crescimento desta jovem vai ser pautado por muitos momentos de diversão, de pena e admiração, desde casa até Versalhes, Maria Antonieta conquista-nos com a sua ingenuidade, com as suas tiradas irónicas e jovens, pela forma como desafia as convenções mas não deixa de saber o que se espera dela. Caracterizada de uma forma soberba pela autora, ela cresce perante os nossos olhos, estrebucha e adapta-se, passa de menina tonta a mulher supérflua, ri-se nas adversidades e nunca desiste até mostrar que é muito mais do que todos pensam.
Cada personagem histórica é nos dada pela autora de uma forma humana, única e refrescante, longe do pedestal em que a História os colocou. Degradantes, venenosos, tontos, invejosos, toda a corte francesa nos vai deixar perplexos, irritar-nos e divertir-nos por entre momentos de uma simplicidade e detalhe que vão agarrar o leitor. Desde o inseguro Luís Augusto à berrante Du Barry, passando pela rígida Maria Teresa até ao conquistador Luís XV, Juliet dá-nos a História pela sua perspectiva, ridiculariza-os, humaniza-os, torna-os mais compreensíveis aos nossos olhos, descreve-nos a beleza e decadência de Versalhes, os rituais intermináveis, as intrigas e segredos, os vestidos e penteados, o dia-a-dia da corte mais invejada e admirada da Europa, numa visão que está longe da seriedade dos temas sérios mas que não deixa de ser realista.
O primeiro livro de uma nova trilogia, Transformar-se em Maria Antonieta é um livro cheio de brilho, com muita ostentação, um espelho da época e da mulher, que vai levar até os que não gostam de História a pegar neste livro e devorá-lo.


6*

3 comentários:

  1. E na pilha dos livros Planeta «a ler», este já subiu uns quantos degraus! x) Confesso que desde o início me senti tentada por este romance. Não sou grande adepta de romances «puramente» históricos no sentido em que não leio tantos quanto gostaria, mas algo nesta obra em particular, talvez por retratar Maria Antonieta, talvez por ir buscar a opulência de Versalhes... não sei, cativou-me! E como vi que gostaste, que lhe deste uma excelente pontuação e que só dizes maravilhas sobre a escrita e perspectiva da autora, não haverá nada que me faça resistir por muito mais tempo! =)

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    1. Espero que leias brevemente Homónima e que gostes!=D é um livro divertido e nada cansativo, surpreendeu-me muito pela positiva!

      beijinhoosss

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  2. Gosto tanto de histórias enquadradas na própria história!

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