segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Opinião - Duas Vidas

Título Original: This is a Love Story
Autor: Jessica Thompson
Editora: ASA
Número de Páginas: 416

Sinopse
 Quando os olhares de Sienna e Nick se cruzam, poderia ter sido amor à primeira vista... se Sienna não tivesse resistido com todas as suas forças. Se a intensidade dos olhos de Nick não a tivesse intimidado, levando-a a pensar de imediato: Estes olhos. Não. Te. Deixes. Levar. Por. Eles. Nick é igualmente apanhado de surpresa e logo se arrepende de não ter agido a tempo. Mas o ritmo de Londres é implacável. Separados e engolidos pela multidão, sabem que a probabilidade de voltarem a encontrar-se é quase nula. Quase... Mas o impensável acontece: Sienna e Nick voltam mesmo a encontrar-se. Muitas vezes. E no ambiente menos romântico que se possa imaginar. Como esta não é uma típica história de amor, eles estão sempre perto um do outro. Mas nunca suficientemente perto. E o tempo passa e a vida continua. Esta quase podia ser a história de duas pessoas que não estão destinadas a viver o amor das suas vidas. Quase...

Opinião  
 Hoje os pais de Jessica devem pensar que terá valido a pena cada hora que passaram a ouvir a filha ler os poemas e histórias que começou a escrever na infância, e que todo o encorajamento que lhe deram terá valido tanto quanto a inspiração que lhe proporcionaram. Nascida no Yorkshire, viveu em França e em Kent antes de se mudar para a cidade dos seus sonhos, Londres, onde estuda na Open University. Hoje é jornalista freelancer e participa em várias publicações a par da carreira de escritora.
De resto é uma jovem normal. Gosta de cantar, correr, comer fora e passar tempo com os amigos enquanto se dedica a escrita de mais dois romances. Duas Vidas é o seu primeiro romance e conquistou a crítica em tempo recorde. Comparado a Um Dia, de David Nicholls, adorável, contagiante, jovem, são alguns dos adjectivos que mais se vêm ligados a ele mas há quem lhe chame mesmo um triunfo, brilhante e um dos romances debutantes mais inesquecíveis.
As estantes das livrarias estão cheias de histórias de amor. Umas épicas, outras românticas, outras doces ou eróticas, o que não falta é histórias com casais que se apaixonam e vivem felizes para sempre. A verdade é que nunca nos fartamos delas mas há aquelas que nos marcam, as que trazem recordações, as que impulsionam os nossos sonhos, as que nos fazem realmente vibrar com elas. São as que nos apaixonam. Espantem-se então mas Duas Vidas não é, mesmo, a típica história de amor. Está longe disso, só que consegue, por qualquer razão que nos escapa, ser o maior conto de fadas da época moderna. Como? Porque traduz, na sua essência, tudo o que o amor realmente é, esquecendo ideias pré-concebidas, Jessica forja os sentimentos, dá-lhes vida enquanto dois jovens vivem sem saberem, que afinal, sempre souberam o que o amor é.
Com uma escrita fluída, divertida e romântica, a autora transporta-nos para a azáfama de Londres, onde os jovens protagonistas vão vivendo as suas vidas, entre trabalho, festas, concertos e paixões, a típica rotina de um jovem solteiro numa cidade cheia de movimento enquanto no seu interior sonham, ambicionam e esperam. Um momento irá alterar a vida de Nick e Sienna para sempre mas esse momento será guardado no fundo da sua consciência pois os segundos não param e as estações não esperam. Tudo previa uma história de amor mas contratempos, indecisões e medos vão alterar todo o destino destes jovens e em vez de uma relação fogosa eles vão viver uma amizade profunda, cheia de bons momentos e companheirismo, onde os segredos são partilhados, as rotinas contadas e os sentimentos escondidos bem lá no fundo. Esta é uma história sobre a amizade, a solidariedade e a confiança, onde cada momento proporciona boas recordações, onde a felicidade do outro conta mais do que acordar ao seu lado todos os dias.
Os dias passam, o destino atravessa-se no seu caminho mas cada acto, cada estado, cada divergência do caminho certo, apenas leva a que os nossos protagonistas se respeitem ainda mais, a que cada dia se tornem ainda mais chegados. Por mais que lhes doa a separação, cada um valoriza aquilo que tem pelo outro e longe de se atreverem a perderem-se preferem serem o melhor amigo, o ombro para chorar, a pessoa a quem se liga para dizer parvoíces. Assistir à mudança dos sentimentos que nutrem um pelo outro, a cada gesto que demonstra o amor que sentem tão disfarçado no seio da amizade, vai adoçar o leitor, irritá-lo, até mesmo diverti-lo mas nunca o deixará indiferente a este amor tão único e tão mais real, condizente com tantos outros que acontecem no dia-a-dia.
As personagens de Jessica são bem estruturadas, profundas e irreverentes, cada uma tem uma personalidade, uma história para contar e cada uma vai interferir na relação de Nick e Sienna, directa ou indirectamente. Tão únicas quanto este livro, elas são representantes de um estilo, de uma forma de estar e de uma ideia, são amigos, namorados, chefes, pais, são pessoas que acompanham, em quem eles confiam, são suportes e substitutos, vivem tal como todos nós vivem. Numa história tão única e contagiante quanto esta, os protagonistas tinham de ser pessoas com quem nos identificássemos e Nick e Sienna são dois jovens que com personalidades diferentes, gostos em comum, experiências díspares, nos conquistam e nos enlaçam nos seus sonhos, nas suas conquistas e quando estão em baixo, que nos adoçam com cada gesto romântico, que nos fazem rir com idiotices e nos levam a chorar com eles nos piores momentos.
Cheio de momentos divertidos e doces, este é um livro delicioso onde o sentimento maior ganha destaque e as emoções enchem as páginas, os gestos de carinho são mais importantes que os provocados pela paixão, onde a amizade pode reforçar um amor, onde um final feliz pode tardar mas sempre chega. Das histórias românticas mais bem conseguidas que já li, Duas Vidas conquistou-me da primeira página até a última, prendendo-me às vidas destes dois jovens como se os conhecesse desde sempre.
Uma versão moderna de Notthing Hill, este é o livro certo para os que já não acreditam em amor à primeira vista, para os que acham que amor não envolve amizade, para quem já não se lembra de que os pequenos gestos são os que mais contam.


6*

8 comentários:

  1. Ai, Homónima, ai, ai. Lembro-me quando soube, pela primeira vez, que este livro ia ser publicado. Lembro-me da minha reacção repleta de curiosidade e interesse. Lembro-me de lhe pegar... ler as primeiras páginas... ler «o que acontece no metro» e de achar: vou adorar isto! Depois avancei um pouco mais e, não sei porquê, desmotivei-me. É estranho quanto só leio opiniões verdadeiramente positivas. Tenho mesmo de lhe voltar a pegar, pois parece que é um livro que vale bem a pena uma «segunda tentativa». =)

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    1. Pois vale Homónima *.* tens mesmo de voltar a pegar-lhe! E ao "O Grande Amor da Minha Vida" também xD

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    2. O «O Grande Amor da Minha Vida» quero ver se termino ainda este ano. Nem acredito que nunca mais lhe peguei! =O

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  2. *sigh* Parece tão giro... agora puseste-me curiosa. :D

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    1. É giro *.* e tem aquele humor inglês fantástico!

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  3. Estou completamente de acordo com a opinião.Adorei a personagem Nick o facto de ser lamechas, brincalhão e completamente desajeitado ao ponto de não "aproveitar" a mulher que tem ali ao lado fizeram-me rir e pensar "oh meu Deus mas ele é parvo ou que".
    O episodio do concerto ou quando ele se está a vestir e engana-se a pôr a t-shirt são alguns exemplos dos que ri com vontade.
    No inicio da historia não consegui estar completamente atenta mas pelo meio lá me rendi.É fantástica.

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    1. Obrigada Marta!=)
      O Nick é uma "peça" daquelas e dá muita vida ao livro, há momentos dele que marcam de todas as formas.
      Acho que este é daqueles livros que se entranham como a relação deles.

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