quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Opinião - O Regresso do Rei

Título Original: The Return of The King (# O Senhor dos Anéis)
Autor: J.R.R. Tolkien
Editora: Publicações Europa-América
Número de Páginas: 450

Sinopse
 Eis que chegámos à terceira parte de O Senhor dos Anéis.
Esta terceira parte, O Regresso do Rei, trata das estratégias opostas de Gemdalf  e Sauron, até ao fim da grande escuridão, que concluirá esta fantástica viagem pelo estranho mundo criado pela vivíssima imaginação de Tolkien.

Uma epopeia fabulosa que é acima de tudo uma história de Amor e Amizade, de magia e realidade, de guerra e paz, de coragem e entreajuda, de diferença e igualdade, de ambição e poder…Já lido por 100 milhões de leitores em mais de 25 línguas diferentes.


Opinião
A  mãe de todas as fantasias, a inspiração para todos os autores que transcenderam as imaginações e criaram novos mundos, a obra de todas as obras, é assim, e muito mais, que podemos ver O Senhor dos Anéis. Demanda de amizade, lealdade, honra e feitos lendários, terra de hobbits, elfos, anões, ents e homens, escolha entre o Bem e o Mal, onde as canções ganham vida, os mitos têm um fundo de verdade e as profecias se realizam. Assim se escreveu a história da Terra Média, da Guerra do Anel, do regresso do rei a Gondor, assim leitores por todo o mundo, durante gerações, se apaixonaram e descobriram o verdadeiro significado de Épico, assim se fez a aventura mais extraordinária da Fantasia.

Escrita como um trabalho cristão, recheada de temas teológicos, a trilogia de Tolkien é um hino às virtudes, e Frodo, a personificação de “não nos deixais cair em tentação/mas livrai-nos do mal”, algo bem presente na sua luta constante contra o Anel Um. Negada a inspiração nos tempos conturbados que se vivia, negada a visão de Sauron enquanto Hitler, a verdade, é que O Senhor dos Anéis foi uma visão que ultrapassou todas as expectativas, que simboliza a misericórdia, a irmandade e a justiça, e nunca saberemos, se escrito noutra altura, não seria uma obra diferente.

O fim está próximo e toda a Terra Média se mobiliza para uma batalha que à partida pode estar perdida mesmo que a esperança se tenha reacendido nos corações de todos. Amigos estão prestes a reencontrar-se, promessas quebradas serão, finalmente, cumpridas e um destino que há muito aguarda nas profundezas das trevas está prestes a realizar-se e a tomar para si um trono e uma missão com séculos de existência. Enquanto isso, a coragem ganha vida de formas inesperadas, lealdades domam origens e nas pedras e campos novas lendas serão criadas, novos heróis nascem e o mundo, tal como é, renascerá, seja a derrota ou a vitória que os espera, para um amanhecer inundado em sangue onde os gritos e canções se misturam com o som de espadas a cruzarem-se enquanto lágrimas de tristeza ou alívio fluem pelas faces de guerreiros.

Final épico, O Regresso do Rei arrepia, leva-nos a virar as páginas com os dedos a tremer, tal é a expectativa de saber como tudo acabará, se todos os que se entranharam nos nossos corações sobreviverão, quantos perderemos, quantos sacrifícios serão feitos para que Mordor se quebre. Apesar de saber há muito como termina a Guerra do Anel, não consegui evitar ser totalmente transportada para o poder destas páginas que assoberbam o leitor, o meu coração não ouviu a minha mente e deixou-se dominar pelo lirismo e força da escrita de Tolkien, pelas dúvidas e perdas dos nossos companheiros, pelo medo da derrota, pelo sofrimento da espera. Ler cada descrição bélica de Tolkien transportou-me, imediatamente, para a beleza das batalhas da Ilíada e, tal como esta, as palavras inspiram a imaginação, dando imagens vivas de negritude, de desespero e coragem, trazendo consigo presságios e transformando cada um dos combatentes em deuses, verdadeiros mitos que ganham altura e força pelo brilho da sua alma.

Onde a morte e a imortalidade se cruzam, onde a salvação pode depender da simplicidade longe de ser ambiciosa, o destino da Terra Média cruza-se com a existência deste grupo de amigos tão diferentes, que ligados por sentimentos de lealdade e honra, dedicados uns aos outros mesmo depois da queda de outro, separados por obstáculos e inerentes aos perigos que por todo o lado se escondem, lutarão até ao fim pela esperança, pela partilha e por um futuro onde todos possam, pelo menos viver. Aqui, conheceremos, por fim, a profundidade que cada um tem, o que cada um está disposto a fazer pelo outro, quão longe podem e conseguem ir, quando nada mais parece fazer sentido, quando tudo parecer perdido e o fim é uma certeza.

Recheada de momentos surpresa, onde as revelações podem mudar o curso do destino, a narrativa é acompanhada de um lirismo, de uma beleza tal, que mesmo quando a luz nos abandona e as trevas nos sufocam, não podemos deixar de admirar o poder e o encanto das palavras de Tolkien, de como ele molda cada caminho, como cada destino tem escolhas e consequências, de como, mesmo acabando da forma que acaba, temos a noção de que muito tem de ser recuperado, muito se destruiu e que nada será como antes.

Apesar de já saber a história, havia muita coisa que não é transmitida no filme e uma delas é o verdadeiro final da trilogia que, para além de ser surpreendente, traz muitas resoluções, explica outras tantas e consegue acalmar a curiosidade que o filme não mata. Outro tesouro é os vários apêndices que contam tantas histórias, resolvem uns quantos mistérios, explicam facetas deste mundo imenso que a nossa mente não apreende por completo. Um encanto para os nossos olhos que satisfaz o leitor e aguça a vontade de ler mais deste mundo precioso.

Chegada ao fim da minha missão, terminar O Senhor dos Anéis, é com um prazer e um novo entendimento que me confesso súbdita da mestria deste homem, que inspirou muita da fantasia que já li, que transformou o mundo, pelo menos dos livros, e nos deixou como herança obras notáveis que continuarão a ser transmitidas por gerações, seja em papel, digitalmente, ou lá como o futuro quiser, e que nunca perderão o brilho. Obrigada por nos dar Aragorn, Frodo, Gandalf, Sam, Gollum e tantos outros, obrigada por nos ter dado a high fantasy como ela é hoje.

7*

As minhas opiniões da série:
A Irmandade do Anel
As Duas Torres

1 comentário:

  1. Eu adoro todos os livros e filmes desta saga. São simplesmente espetaculares. E agora com a estreia do Hobbit fiquei com uma vontade enorme de a reler.

    ResponderEliminar