sábado, 1 de dezembro de 2012

Opinião - Shadowfell

Título Original: Shadowfell (#1 Shadowfell)
Autor: Juliet Marillier
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 384

Sinopse
 Na terra de Alban, onde o jugo tirânico de Keldec reduziu o mundo a cinzas e terror, a esperança tem um nome que só os mais corajosos se atrevem a murmurar: Shadowfell. Diz a lenda que aí se refugia uma força rebelde que lutará para libertar o povo das trevas e da opressão.

E é para lá que se dirige Neryn, uma jovem de dezasseis anos que detém um perigoso Dom Iluminado: o poder de comunicar com os Boa Gente e com as criaturas que vivem nas profundezas do Outro Mundo. Será Neryn forçada a fazer esta perigosa viagem sozinha? Ou deverá antes confiar na ajuda de um misterioso desconhecido cujos verdadeiros desígnios permanecem por esclarecer?

Perseguida por um império decidido a esmagá-la e sem saber em quem pode confiar, Neryn acabará por descobrir que a sua viagem é um teste e a chave para a salvação do reino de Alban pode estar nas suas próprias mãos.


Opinião 
 Esta é a senhora da Fantasia, isso é um facto que poucos se atrevem a discutir pois desde que publicou a sua primeira trilogia e, a mais famosa, Sevenwaters, Juliet tornou-se um marco neste género e uma das autoras mais amadas mundialmente pelas suas histórias cheias de mitos, folclore e História, onde a magia se une aos contos para dar ao leitor uma experiência que ninguém conseguirá igualar e que todos irão recordar.

Licenciada em Música e Línguas, a autora neozelandesa nunca esqueceu as suas raízes e a cultura gaélica-céltica sempre fez parte da sua vida e é o maior componente das suas histórias, a verdadeira raiz da sua imaginação e, por isso, ler um livro seu é como ouvir um bardo a cantar uma cantiga antiga sobre heróis lendários, poderes ancestrais e manhas do destino, onde o três e o sete são números mágicos, onde as histórias para adormecer crianças vivem lado a lado com os homens e o Bem pode sempre vencer o Mal. Depois de algum tempo em que apenas escreveu sobre o mundo de Svenwaters, a autora surpreendeu os fãs e, este ano, publicou Shadowfell, o início de uma nova trilogia que promete, mais uma vez, conquistar os leitores e trazer a magia aos nossos corações.
No negrume de um mundo em queda, onde as palavras são pensadas e os actos podem levar à morte, onde ser diferente é um desafio ao poder e todos nos podem renegar, Neryn está destinada a lutar sozinha, a percorrer caminhos abandonados e a mostrar que a coragem e a inocência podem reverter a sua vida e o destino de todos. Como sempre, abrir um livro de Marillier é entrar num novo mundo, cheio de encanto, magia e lendas, que se apodera de nós e nos aconchega como um conto que nos recordará as noites da nossa infância, quando cada história era uma lição e cada final feliz era merecido. As palavras da autora enfeitiçam-nos, embalam-nos qual canção antiga de quem já ninguém se lembra da origem. Tão diferente mas, ao mesmo tempo, tão igual às histórias com que Juliet nos conquistou, Shadowfell é um voltar a casa, uma lufada de ar fresco e uma leitura tão bem-vinda quanto o regresso de um amigo chegado.
Através da musicalidade da sua escrita, do seu dom para contar histórias, Juliet leva-nos pela floresta, por entre lendas e fantasia, e mostra-nos criaturas que só vivem nos nossos sonhos, relembra-nos a essência do Bem e do Mal e mostra-nos que a linha entre ambos é tão ténue quanto a bruma, numa demanda onde a bondade, a partilha e a ânsia andam de mãos dadas em busca de um futuro melhor. Longe da imponência de Sevenwaters, este livro tem uma luz própria, uma simplicidade intrínseca que faz dele algo de maravilhoso e belo, onde o poder da amizade e da confiança podem afastar as sombras e construir a esperança de forma sólida e frutífera. Na corrida pela sobrevivência, valores são postos a prova, criaturas lendárias ganham vida, inimigos podem ser amigos e, cada momento, pode decidir qual o caminho e se a profecia será ou não cumprida. Entre provas de coragem, a solidariedade pode fazer a diferença e, mesmo na adversidade, quando existe uma centelha de generosidade, o equilíbrio pode ser testado e alterado.
Acompanhar Neryn pode ser uma viagem solitária mas nunca, em momento algum, eu consegui obrigar-me a pousar este livro, pois cada revelação, cada prova, era um momento de cortar a respiração, cada impasse era capaz de fazer o meu coração bater mais depressa, os meus olhos arregalaram-se de espanto do início ao fim deste livro pois ele contém uma beleza e doçura de que só Juliet é capaz. Numa dualidade singular, o ambiente desta narrativa tanto pode ser charmosa como cruel, o dia pode significar um frio de gelar os ossos e a noite pode vir como um abraço de apoio. A natureza pode ser maldosa mas também pode simbolizar protecção e mesmo em momentos de felicidade as sombras nunca estão longe. Sente-se em cada expressão tanto uma mão carinhosa a ajudar Neryn como o bafo intrépido da maldade a persegui-la. Tudo é intenso, um chamamento para algo maior, algo que irá mudar o destino de tudo e todos.
As personagens marillianas nunca perdem a sua profundidade, podem ser tão claras qual um lago límpido como tão distorcidas quanto as sombras de uma gruta profunda. Neryn é uma protagonista bem ao estilo da autora, um símbolo de bondade, coragem e força, tão humana e insegura como qualquer jovem de quinze anos. Quanto ao Flint, o meu ponto preferido deste livro, ele é profundo, dedicado e misterioso e traz com ele muitos dos momentos mais impressionantes, conquistando-me desde o início. Já os Boa Gente são incríveis, inesperados e tão mágicos que qualquer momento com eles está cheio de significados, duplos sentidos e muitos mistérios. Cada personagem é um motivo para gostar deste livro, e cada uma delas é uma surpresa, capazes dos maiores actos de benevolência como da mais total entrega ou disciplina, cheios de truques e enganos, transparentes, verdadeiros e totalmente irresistíveis.
Um dos livros mais desejados do ano, Shadowfell é a leitura obrigatória para marillianos e amantes da fantasia. Encantou-me, prendeu-me e conquistou-me com cada palavra, tornando-se uma das melhores leituras do ano. É o livro que vão devorar, que vai enternecer-vos e do qual vão esperar a continuação como se a vossa vida dependesse disso. Leiam-no, não esperem por amanhã.

7*

14 comentários:

  1. Preciso tanto de ler este livro... :D Deixaste-me com água na boca. ;)

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    1. Lá está "precisas"! É uma necessidade que te obrigo a cumprires e sei que a Jen deve concordar comigo!=D

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  2. Ai bem me parecia que ia acrescentar mais um livro à minha wishlist --'
    Gostei da opinião ;)

    Boas leituras!

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    1. Diria que é obrigatório Mónica =D
      Muito obrigada!

      beijinhos e boas leituras

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  3. Olá!

    Excelente opinião :)
    Já o tenho na minha wishlist, mas gosto sempre de ler as reviews para quando for comprar ir com uma ideia mais sustentada e também curiosa =D

    Consegui ficar com mais curiosidade, o que é ótimo! Ainda só li três livros da autora, o Danças na Floresta e o Segredo de Cibele; e Espelho Negro. Tenho há anos o desejo de ler Sevenwaters, mas há sempre outros livro a aparecerem no caminho... e eu si que é tão maravilhoso!

    Beijinhos e boas leituras!

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    1. Olá Maria!

      Muito obrigada!=D
      Dos que leste li o Espelho Negro, bem como o resto da trilogia e claro Sevenwaters *.*
      Tens mesmo de ler, não imaginas sequer o quão maravilhosa essa trilogia é! E este livro já agora =D

      beijinhos e boas leituras

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  4. Da autora apenas li a saga de Sevenwaters e adorei :) Gostava imenso de ler este tb!

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    1. Olá Artemizza!

      Espero que quando leres gostes tanto quanto eu *.*

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  5. Hello,

    Bem ainda bem que o livro está bom, pois temia que a escritora estivesse a perder alguma da qualidade que revelou nas suas primeiras sagas, em especial Sevenwaters (devia ter ficado pela trilogia), Saga das Ilhas Brilhantes e as Cronicas de Bridei, pois os outros penso que perderam alguma magia (sei que O Danças da Floresta e o Segredo de Cibele é mais para um publico juvenil).

    mas acredito que isso tambem se deveu aos problemas que a escritora teve que ultrapassar e claro à pressão da Editora Americana de querer mais livros de sevenwaters publicados, o que quanto a mim é injusto mas pronto.

    mas agora ao ler o teu comentário fiquei com imensa curiosidade em o ler e espero que a magia tenha voltado ;)

    BJS

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  6. Olá!

    Como sabes só li Sevenwaters e Bridei, apesar de ter outros cá em casa para ler, e são duas séries que gosto muito mas não me sinto tentada a ler a continuação de Sevenwaters pelos comentários que tenho lido.

    Este livro é maravilhoso, mágico, é sem dúvida uma excelente aposta Paulo!

    beijinhos

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  7. Depois desta opinião tenho mesmo de ler isto. Já ando a olhar para ele há uns dias, e agora convenceste-me. Lá terá de ser em 2013!

    Parabéns pela opinião!

    Beijinhos!

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    1. Muito Obrigada Luís!=D
      Espero que leias e que não te sintas defraudado ;)

      beijinhos

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