sábado, 28 de abril de 2012

Opinião - Mansfield Park

Título Original: Mansfield Park
Autor: Jane Austen
Editora: Book.it
Número de Páginas: 448

Sinopse
 Mansfield Park é seguramente a obra mais controversa e menos amada pelos apreciadores da escrita de Jane Austen. O problema parece estar na personagem principal, a frágil, tímida e insegura Fanny Price, em tudo distinta das heroínas de Sensibilidade e Bom Senso, Orgulho e Preconceito, Persuasão ou Emma. Nascida no seio de uma família pobre, Fanny Price é levada com apenas 9 anos para Mansfield Park, a rica propriedade dos Bertrams. Infeliz e maltratada pelos tios e pelas duas primas, só no primo Edmund encontra afecto. Curiosamente, e ao contrário do que seria expetável da protagonista de um livro de Jane Austen, Fanny não se rebela contra os códigos e as condutas dominantes, acentuando o final feliz da narrativa a passividade da protagonista. Por estas e outras razões, Mansfield Park - publicado pela primeira vez em 1814, em três volumes - é um romance complexo e de alguma forma estranho para os leitores assíduos de Jane Austen.

Opinião 
 Jane Austen é uma das maiores romancistas do século XIX, senão mesmo de sempre. Os seus romances ainda hoje proliferam em fãs, são adaptados ao cinema e à televisão, ainda vendem milhares de cópias por todo o mundo. Criadora de personagens que se tornam exemplos ou desejos para os seus leitores, como o afamado Mr. Darcy, é através de uma perspectiva irónica que nos dá a conhecer o quadro social do seu tempo.
Com heroínas prontas a combater as injustas regras da sociedade, esta é uma das razões para o choque deste Mansfield Park. Diferente de todos os seus outros romances, este livro baralhou os seus leitores e deixou para muitos, uma desilusão. Para outros, foi uma surpresa inquestionável.
Eu considero-me uma fã de “primeiro ciclo” de Jane Austen. O Orgulho e Preconceito é um dos livros/filmes mais marcantes da minha vida e li Persuasão e detestei a Paltrow como Emma e é por isso que nem consigo pensar em ler o livro. Ando feita maluca para ler/ver o Sensibilidade e Bom Senso mas graças ao Clube de Leitura Bertrand da Jane Austen, no qual me inscrevi recentemente, foi este o próximo livro nos muitos que ainda tenho de ler desta senhora.
Realmente, a primeira coisa em que se nota neste livro é na “falta de sal” de Fanny Price, uma jovem muito bem comportada e ajuizada, que faz a vontade a todos e por todos é mal tratada, tirando o nosso protagonista, Edmund, outro excelente exemplo de comportamento. Comparados com os outros protagonistas de Jane, deixam realmente a desejar e não consegui sentir afinidade com eles, sendo que a dada altura, só conseguia pensar que eles eram tão aborrecidos que eu só queriam que eles não ficassem juntos e ganhassem um pouco mais de vida, o que aconteceu mas não chegou para me convencer.
O que estes protagonistas têm de chato, as outras personagens são um delírio em termos de caricaturas. Cada uma delas representa as falhas de uma sociedade altamente pudica, disfarçadas de qualidades, o que nos deixa estupefactos a olhar para a página. As críticas assentes a cada personagem, são apresentadas de uma forma tão doce e educada, tão disfarçada que não pudemos deixar de admirar a personalidade por trás das palavras. Miss Austen devia ser uma grande senhora e acho que teríamos uma conversa muito interessante se séculos não nos separassem.
Outra coisa que reparei, é que a ironia característica da autora, está muito mais saliente, não é subtil nem disfarçada, está ali a vista de todos para nos rirmos bem alto do quão ridículo certas situações chegam a ser e, no meu ver, foi o que salvou o livro. Gostei desta faceta menos trágica e romântica da autora, que me proporcionou uns bons momentos de divertimento à conta do belo humor inglês, das suas regras e hipocrisia.
No fim, o que me deixou insatisfeita, foi exactamente o fim. Muito rápido, pouco explicado após acontecimentos tão escandalosos, deixou um sabor amargo na boca, como se a própria escritora não estivesse para aturar mais ninguém. Um fim insonso para protagonistas insonsos.
Mesmo assim, não posso deixar de dizer que gostei realmente deste livro e que toda a paródia que se desenvolveu ao longo do enredo, cada momento em que o horror e a tragédia abatiam a pobre Fanny, me proporcionaram uma leitura maravilhosa.
Agora fico a pensar o que se seguirá e espero que todos tenham oportunidade de ver esta faceta de Jane Austen. Quem ainda não leu esta senhora, ainda vai a tempo, por isso, aproveitem!

6*

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Picture Puzzle #9




Regras:

  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título

Picture #1

Pistas:título em português;YA




Picture #2

Pistas: título em português






    

terça-feira, 24 de abril de 2012

Opinião - O Vampiro Lestat, 1º Volume

Título Original: The Vampire Lestat (#2 1/2 The Vampire Chronicles)
Autor: Anne Rice
Editora: Publicações Europa-América
Número de Páginas: 254

Sinopse
 "Lestat, personagem de Entrevista com o Vampiro, tem uma história para contar. O segundo volume da saga «Crónicas dos Vampiros» acompanha Lestat ao longo de várias eras, à medida que ele procura as suas origens e desvenda o segredo da sua obscura imortalidade.
Extravagante e apaixonado, Lestat mergulha nos lascivos lupanares de Paris do século XVIII, na Inglaterra dos druidas e na Nova Orleães finissecular. Após um sono profundo de cinquenta e cinco anos, Lestat está fascinado pelo mundo moderno. Quando quebra o código de honra dos vampiros, que lhes impõe o silêncio sobre a sua condição, Lestat revela-se na esperança de que os imortais se ergam e se unam para descobrirem o mistério da sua existência. E é então que Lestat, o caçador, se transforma numa presa."


Opinião 
 Crónica Vampíricas tornou-se um sucesso em 1976 quando o seu primeiro volume foi publicado e, em pleno século XXI, ainda não perdeu a sua personalidade cativando as novas gerações que procuram um tipo de vampiro “à moda antiga” num mundo recheado de literatura vampírica. Dois filmes e onze livros depois, apesar de Anne Rice actualmente se dedicar à religião esta será sempre a série que a tornou um dos nomes da literatura gótica e vai marcar sempre a forma como os vampiros são vistos, logo a seguir ao Drácula de Bram Stoker.
O Vampiro Lestat conta-nos a história da personagem com o mesmo nome, sendo que nesta primeira parte, é nos relatados acontecimentos muito anteriores aos que ocorrem em A Entrevista com o Vampiro. Se o primeiro serviu para aguçar a curiosidade dos leitores, este é a intensificação, a (re)descoberta, o livro que vai manter o leitor agarrado até às últimas páginas. Se Anne Rice é a “mãe dos vampiros” e Bram Stoker “o pai”, podem ter a certeza que Lestat é um “irmão mais novo” à medida para Drácula.
Mais uma vez, foi difícil resistir à escrita desta escritora e, mais uma vez, vi confirmado o seu enorme talento pois neste livro ela apresenta-se com uma obscuridade e beleza superior as do livro anterior, tornando impossível não seguir Lestat pelas ruas de Paris do século XVIII completamente enfeitiçados. Quer pelas descrições da cidade em pleno “Século das Luzes” com a Revolução à porta, quer pelos cenários animalescos ou pela intensa narração que vai nos vai prendendo a cada parágrafo. É inevitável não nos arrepiarmos com a sedução de algumas cenas macabras, como lemos algo que nunca aceitaríamos com um espanto mudo, completamente rendidos à voz que se solta de cada palavra.
Já referi que Lestat é tudo o que odiamos e amamos. Neste livro é menos e mais, ao mesmo tempo, permitindo-nos conhecer o antes e o que levou ao vampiro que Louis tão bem recorda, deixando-nos antever as fragilidades e lutas, permitindo-nos conhecê-lo ainda melhor e seduzindo-nos com o seu eu de uma forma tão descarada e brilhante, umas vezes, introspectiva e frágil, noutras, Lestat é a personagem “excelência” deste livro, é a alma e o carácter de uma história sombria sobre uma época luminosa construída em cima de sangue e obsessões. A maneira como a escritora consegue transpor a época e o ambiente para a personagem, para a própria história deixou-me maravilhada por aquela Paris escura e efervescente, pela maneira como o velho e pagão se mistura e separa do novo e racional.
Com as novas e restantes personagens, fiquei muito com a sensação de que, com as suas presenças curtas e fortemente acentuadas, elas marcarão Lestat para o resto da série, mesmo que não sobrevivam muito mais. A verdade, é que ele as monopoliza mas a sua influência é enorme nele e, apesar, de vermos maioritariamente Lestat, elas estão tão vincadas na história quanto ele. As mudanças bruscas de carácter são justificadas pela liberdade, pela loucura, pelas descobertas interiores e são necessárias para chegarmos a uma conclusão que me parece ainda vir longe. Referencio que existe uma personagem que nunca pensei reencontrar neste livro e me fez querer juntar peças e saber muito mais!
Por fim, o livro não seria o mesmo sem os pensamentos e dúvidas de Lestat, acho que se tivesse sido escrito de outra forma, não teria o fascínio que o caracteriza nem nos agarraria da mesma maneira. A maneira filosófica e por vezes ingénua e egoísta com que o vampiro lida com as coisas marca muito este livro e penso que faz com que tenhamos sempre uma predileção por este vampiro.
Ansiosa por mais e completamente fascinada por Lestat, espero ler em breve a continuação e depois de um final assim, preciso de saber mais, muito mais. Estou rendida a estas Crónicas Vampíricas.

7*

82ª Feira do Livro de Lisboa



Desde que me lembro que todos os anos esperava ansiosamente pela ocasião em que as barraquinhas começavam a aparecer no Parque Eduardo VII. Quando isso acontecia, eu contava o dia, as horas, até que finalmente, chegava o dia e a minha mãe e a minha avó lá me levavam.
Ainda hoje, assim que entro na Feira, a sensação é a mesma, uma ansiedade e felicidade só ultrapassada pelos saquinhos que eu trazia para casa. Antes havia, sol e gelados. Agora é chuva e farturas e, infelizmente, a paciência das companhias de sempre já não é a mesma, muito por culpa do tempo chuvoso de Abril. Tenho saudades de passear na Feira com o sol radioso e um calor agradável. Tenho pena das gerações que não puderam comemorar o dia da criança como eu tantas vezes o fiz. Na Feira do Livro de Lisboa.

Hoje saúdo, mais uma vez, o evento porque espero todos os anos e apesar de hoje não dever lá ir, já conto com a promessa de uma presença amanhã. Os gastos serão mais contidos, as listas estão feitas e organizadas, a Europa-América já me defraudou os planos, a Saída de Emergência já me deixou satisfeita. Agora só falta colocar lá os pézinhos e arrastar a companhia de cima a baixo até regressar a casa satisfeita.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dia Mundial do Livro


Hoje é um dos dias mais importantes da existência de um bibliófilo, é o dia do seu objecto preferido em escala mundial!
Num dia que devia ser dedicado ao livro ainda não consegui pegar em nada mas espero ainda dedicar umas horas a este objecto que sempre me fascinou e se tornou na primeira das minhas paixões e que se manterá eterna.
Hoje sentem-se e apreciem as vossas estantes e prateleiras, os montes nas mesas de cabeceira, os amontoados na secretária, e sorriam, seja a vossa biblioteca grande ou pequena, pois o LIVRO  faz-vos sorrir e sonhar todos os dias.

sábado, 21 de abril de 2012

Opinião - Inverso

Título Original: Momenttus
Autor: Liliana Lavado
Número de Páginas: 432

Sinopse
 Numa pequena vila costeira do norte do país, um acidente do destino faz com que dois mundos se toquem.

Ivana, uma adolescente sonhadora com cabelos cor de fogo, está prestes a viver o seu amor de infância com Bernardo, quando uma figura de negro envolta em mistério entra na sua vida trazendo consigo a magia e pondo tudo em causa.

Gabriel é a figura de negro, e o seu amor por Ivana vai reacender uma guerra ideológica no seio de uma sociedade nómada que desde o século XVII tem vindo a evoluir à margem do resto do mundo: os Hekat.

A sua história será rodeada por um conjunto de personagens muito singulares, algumas coloridas outras sombrias, mas todas complexas, procurando influenciar os dias e as noites numa luta pelo desfecho final em que acreditam.


Opinião

Depois daquela que tem sido uma relação cheia de surpresas e alegrias nestes meses de convívio eis que chega a hora de me despedir, por agora espero bem, do meu papel de leitora Beta da Liliana Lavado. Três livros e vários e-mails depois, aguardo com expectativa os próximos projectos, um em especial, e desejo ferverosamente que as editoras vejam o que têm estado a perder e anseio por ter estes livrinhos na estante, autografados e com direito a dedicatória.
Numa versão YA, Liliana dá-nos este Inverso, uma história de amor juvenil com elementos sobrenaturais em pleno Norte português que irá pôr em causa a coexistência de um povo e as suas tradições. Como bem sabem, este está longe de ser um género que eu aprecie e que já me tem dado largos desgostos e muitas dores de cabeça mas eu não poderia deixar que esta aversaozita me impedisse de ler um último livro desta escritora que aprendi a admirar.
Realmente quando entrei na história senti logo os nervos a bulir, parecia que conseguia ouvir os gritinhos histéricos na minha cabeça mas a dada altura já não os ouvia e o grupinho de adolescentes já não parecia interferir com os meus nervos mas, mesmo assim, fica claro que eu e livros com adolescentes não é uma boa combinação.
Apesar disso, devo admitir que alguns destes adolescentes conseguiram ganhar a minha estima como Ivana, Lia e Fernando. Estes dois últimos pelas personalidade díspares, pelo mau feitio e racionalidade dela, ele por ser divertido e engatatão mas não esquecer as pessoas de quem gota, proporcionaram-me muitos bons momentos de riso. Quanto à Ivana, é uma personagem que engana. No início temos uma pita histérica, noutro temos a protagonista certa e pela qual tanto esperamos. A Ivana cresce ao longo do livro, rapidamente demonstra que sabe o que quer e que sabe pensar, sendo uma alegria ver o seu desenvolvimento ao longo do livro. Já o outro protagonista, o Gabriel, que eu já não considero um adolescente, é uma doçura de rapaz apesar do negro e parece-me a personagem mais forte do livro.
Quanto à história de amor que acaba por ser o cerne do livro, está bem estruturada, nada enjoativa e vai reservar-nos muito surpresas. Para os mais românticos, este é um livro que vai tocar o vosso coração pois serão muitos os obstáculos que a autora nos preparou. Adaptada a ela estão os elementos fantásticos, quanto a mim, bem escolhidos e encaixam perfeitamente na história, dando-lhe pontos e mexendo com a nossa imaginação. Gostei muito dos Hekats, gostei da sua estrutura e da forma como a Liliana pensou esta sociedade e foi muito interessante poder conhecê-los de mais perto.
O amor não condiciona todo o livro, havendo margem para o paranormal e para muitos momentos de riso. Mais uma vez o humor da autora se faz sentir e também a forma como dá sentimento as palavras, arrancando-nos risos e lágrimas.
Este livro é muito mais leve, sem as habituais bombas mas com muitos momentos intensos, demonstrando que a Liliana sabe adaptar a sua escrita a vários géneros e formas. Foi um prazer acompanhá-la mais uma vez nesta viagem. 

5*

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Martin no Villaret

Ainda com as emoções ao rubro, com os pés dormentes da dor de ter estado em pé das 18.10h até as 21.38h para finalmente ver os meus dois exemplares autografados e ouvir um "How are you?" do George R. R. Martin sinto-me feliz e realizada por hoje!

Depois de ter estado uma hora a espera, Mr. Martin lá entrou na sala do Villaret ao som do genérico da série. Com um humor impressionante lá nos contou a história de cada um dos contos da nova antologia, respondeu às perguntas que lhe fizeram com simpatia e pediu desculpa por não puder colocar dedicatórias nos livros.


Ficámos a saber que saberemos o que aconteceu a Lyanna e Rhaegar no último livro (ainda estás tão longe!!), que Tyrion Lannister é a personagem preferida do escritor e que ele acha os goldfish muito estúpidos (também eu!). Mais importante, há notas sobre a direcção que a série deve seguir caso ele não consiga terminá-la mas o George vai ver muitos anos ainda e terminar os nossos livrinhos, não vai?

Nota: Para além de parecer o Pai Natal, adorei os suspensórios e a boina!

Deixo-vos uma imagem cuja qualidade não é muito boa mas digo já que é o Martin a autografar-me os livros =p


Deixo-vos também uma foto dos autógrafos e do livro novo!





Picture Puzzle #8


Regras:

  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título
Atenção: Depois das 14 horas eu não devo responder aos comentários durante umas boas horas porque vou estar no Villaret para aquele acontecimento importante que vocês sabem. Por isso não desesperem, dêem palpites à vontade e entretenham-se!

Picture #1

Pistas:Título em português; Fantasia







Picture #2
Pistas:  Título em português; Romance




 

terça-feira, 17 de abril de 2012

Opinião - O Circo dos Sonhos

Título Original: Night Circus
Autor: Erin Morgenstern
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 464

Sinopse
 Um misterioso circo itinerante chega sem aviso e sem ser precedido por anúncios ou publicidade. Um dia, simplesmente aparece. No interior das tendas de lona às listas pretas e brancas vive-se uma experiência absolutamente única e avassaladora. Chama-se Le Cirque des Rêves (O Circo dos Sonhos) e só está aberto à noite.
Mas nos bastidores vive-se uma competição feroz – um duelo entre dois jovens mágicos, Celia e Marco, que foram treinados desde crianças exclusivamente para este fim pelos seus caprichosos mestres. Sem o saberem, este é um jogo onde apenas um pode sobreviver, e o circo não é mais do que o palco de uma incrível batalha de imaginação e determinação. Apesar de tudo, e sem o conseguirem evitar, Celia e Marco mergulham de cabeça no amor – um amor profundo e mágico que faz as luzes tremerem e a divisão aquecer sempre que se aproximam um do outro.
Amor verdadeiro ou não, o jogo tem de continuar e o destino de todos os envolvidos, desde os extraordinários artistas do circo até aos seus mentores, está em causa, assente num equilíbrio tão instável quanto o dos corajosos acrobatas lá no alto.

Escrito numa prosa rica e sedutora, este romance arrebatador é uma dádiva para os sentidos e para o coração. O Circo dos Sonhos é uma obra fascinante que fará com que o mundo real pareça mágico, e o mundo mágico, real.


Opinião

Numa estreia absolutamente brilhante, Erin Morgenstern cria um livro mágico a preto e branco, onde as ilusões ganham outra dimensão e onde os sonhos são vividos à noite completamente acordados. Um assalto aos sentidos, esta é uma história que vos fará recordar os antigos contos de fadas e que lhes dá uma nova vida. Por trás de uma capa de sonho, está uma história que irá conquistar qualquer amante do circo, dos livros e da magia.
«Este é com certeza um dos mais belos romances do ano», foi uma das críticas que O Circo dos Sonhos recebeu, e com infinita rapidez, os leitores portugueses podem agora atestá-lo e experimentarem uma nova escritora que conseguiu, no seu primeiro romance, acorrentar todos aqueles que tiveram de prazer de o ler, nesta história onde a cor não está no exterior mas no interior.
Já há algum tempo que ouvi falar neste livro e, como adoro magia e ilusionistas e tudo o que tenha a ver, decidi que tinha de comprar o livro, portanto, imaginem a minha alegria quando soube que o livro ia sair dentro de pouco tempo cá traduzido. Não sou de tempo uma amante do circo, não como ele é feito hoje. Há anos que não entro num porque já não sinto a magia que este espaço deveria ter e como detesto palhaços evito entrar onde quer que eles estejam. O meu ideal de circo tem ilusionistas, contorcionistas, engolidores de fogo, domadores de feras e trapezistas. É mágico e único. E é exactamente isso que este livro é.
Ao princípio parece um livro sem cor mas desenganem-se porque a cor deste livro está nas palavras e não nas descrições, está nas emoções que exalam a cada linha e na beleza deste circo único. A escrita de Erin é complexa, subtil e mágica, profundamente encantadora e agarra o leitor sem amarras nem promessas relembrando-nos outros tempos, outros contos.
Não só o circo em si, mas também a história, é uma ilusão, um sonho que nos é contado de uma forma magistral que arrepia em cada passagem. O circo é a base da história mas lá dentro temos um desafio, um amor impossível e todos aqueles que estão enredados em ambos, e torna-se difícil a cada página, deixarmos de sentir as emoções fortes que cada momento nos dá. Esta é uma história de ilusões, sobre a vida e a magia, sobre a amizade e as coisas importantes, sobre o espectáculo quer público, quer privado.
As personagens são o complemento perfeito para este enredo. Construídas soberbamente, fazem com que amemos cada uma à sua maneira, não existindo quem roube o protagonismo e sentimos a necessidade de saber o que cada uma guarda e esconde, qual a sua história de vida. Diferentes umas das outras, encontram-se ligadas entre eles pelo circo e cada uma é importante à sua maneira, sendo necessário entendê-las para perceber como o circo pode ser possível.
Apesar deste livro não ser apenas uma história de amor, é impossível esquecê-la porque cada momento entre Celia e Marco é singular e de uma beleza e sentimentalismo tal, que se torna impossível não compactuar com estes dois ilusionistas e não sermos arrastados pelos precisosos momentos que passam juntos. É uma história de amor como poucas têm sido feitas, e à muito que não lia nada assim, tão tragicamente belo.
Este livro arrebata-nos também pelas descrições inimagináveis que a autora nos dá, tanto no Circo, um sonho tornado realidade, como em outras ocasiões, tal é a beleza com que Morgenstern construiu cada acto. As suas cores podem ser o preto e o branco na superfície mas no interior, este livro é um arco-íris intenso que deslumbra. Sinto que não tenho palavras mais para descrever o que este livro é, na sua essência. É basicamente uma descoberta do sobrenatural, uma história encantadora com um enredo peculiar.
Não é um livro sobre viver felizes para sempre mas sim sobre desafios e obstáculos, de como a vida é bela e deve ser vivida, de como os nossos sentimentos podem criar algo inestimável.
O Circo dos Sonhos é um espectáculo único que é nos transmitido com uma mestria exemplar que nos deixa maravilhados e atónitos e nos faz olhar pela janela a procura das tendas às listas pretas e brancas de tanto que desejámos que seja real.
Espero que tenham oportunidade de ler este livro porque eu sei que vou regressar a ele muitas vezes nos próximos anos e que se tornou um dos livros da minha vida.

7*