quarta-feira, 30 de maio de 2012

Opinião - O Fogo Errante

Título Original: The Wandering Fire (#2 Tapeçaria de Fionavar)
Autor: Guy Gavriel Kay
Editora: Livros do Brasil
Número de Páginas: 304
 
Sinopse 
 «O Fogo Errante» é o segundo volume da célebre trilogia de Guy Gavriel Kay, A Tapeçaria de Fionavar. O poder de uma mago arrebata cinco estudantes universitários ao nosso mundo, para os transportar para um universo onde um antigo e terrível mal se libertou da sua prisão....

Opinião

Guy Gavriel Kay e a sua Tapeçaria de Fionavar marcaram uma geração, um género, um método. Ao criar algo em bruto, rudimentar, o escritor estava a dar a essa geração e a todas as que se seguiram um marco e um exemplo para tudo o que a Fantasia devia ser.
Depois de um primeiro volume cheio de novidades, profecias e aventuras, a viagem dos cinco amigos por Paras Derval atingiu o seu expoente e agora cada um tem uma missão que pode ou não salvar uma guerra contra o Mal que parece perdida. Por entre lendas antigas, artefactos perdidos e heróis improváveis, O Fogo Errante promete ser muito mais do que o seu antecessor havia prometido.
Depois de um primeiro volume fantástico, a minha busca pelos outros dois livros da trilogia levaram a correr alfarrabistas na Feira do Livro até acabar na Livros do Brasil, porque eu não vinha para casa sem eles de jeito nenhum. Foi com muitas expectativas que peguei neste livro e esperava que ele fosse ainda melhor que o anterior. Não me enganei, é mesmo muito melhor.
Com um início prometedor, rapidamente a acção se desenrola e vimos mistérios serem resolvidos, novas profecias a nascerem, seres e lendas antigas a levantarem-se para participarem numa guerra que terá repercussões em todos e novos laços a juntarem-se para criar algo fenomenal. É fácil gostar ainda mais deste livro e a simpatia por todas as personagens permitem-nos viver cada aventura com emoção acrescida, para além de que, a cada nova revelação, a nossa mente é levada a sonhar mais alto e a acreditar que tudo é possível.
A escrita de Gavriel puxa a nossa simpatia, não fosse ela cativante, inteligente e cheia de timing perfeitos que põe a nossa adrenalina no auge e não nos deixa largar o livro até terminarmos. A demonstrar ainda mais o seu génio, o escritor soube ligar os elementos da fantasia épica que lia nos anos 80, percussora da de Tolkien à lendas ainda mais antigas e amadas, dando-nos uma nova perspectiva que empolga ainda mais a leitura, nos deixa abismados e nos faz adorar cada bocadinho desta aventura.
A seu favor, tem também as suas personagens. Sombrias, heroicas, lutadoras, épicas, onde é difícil escolher um favorito, onde cada destino é importante para os leitores e para a história. Ou não se cingir de criar personagens profundas com histórias individuais próprias que se entrelaçam umas nas outras, o escritor permite-nos conhecer todas e lamentar a morte e dor de cada uma delas.
O destino de muitas das personagens é já nos revelado e, se algumas nos surpreende, também vemos outras partirem em actos de grande coragem, enquanto os que ficam desafiam o Mal sem qualquer escudo, mesmo que a morte seja uma resposta certa. Perante revelações surpreendentes, vemos a evolução de muitas destas personagens para algo inimaginável. São elas a lama deste livro e sem elas, a Tapeçaria de Fionavar não brilharia da mesma forma.
Com elas, através de um enredo emocionante, cheio de acção e poucos enrolanços, somos levados pelos territórios de Paras Derval até ao covil do inimigo, vivemos batalhas e sofremos baixas numa leitura que catapulta a nossa imaginação.
O Fogo Errante é uma leitura dinâmica através de lendas e cantigas, onde o épico é homenageado na sua forma mais pura e qualquer amante da Fantasia devia ler esta trilogia pelo menos uma vez na vida.

7*

Picture Puzzle #14


Regras:

  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título
Na semana passada o Puzzle #1 ficou por resolver. Querem saber a resposta? Sim?

Puzzle #1 do Picture Puzzle #13 era:

A Demanda do Visionário

Ah pois era... Deixa-vos os desta semana que espero sejam menos tricky

Puzzle #1

Pistas:titulo em português;  capa roxa; o Outono é uma...; Bertrand Editora



Puzzle #2

 Pistas:título em português; autora chilena





Opinião - Helena de Esparta, Princesa de Ninguém

Título Original: Nobody's Princess (#1 Nobody's Princess)
Autor: Esther Friesner
Editora: Bertrand Editora
Número de Páginas: 304

Sinopse
 É bela, é uma princesa e Afrodite é a sua deusa favorita, mas Helena de Esparta anseia por mais alguma coisa na vida. Ao contrário da irmã bem-comportada, Clitemnestra, não sente qualquer prazer em tecer ou bordar. E, apesar do que a mãe diz, não está interessada em casar-se. Ao contrário, quer treinar técnicas de combate com os irmãos mais velhos, partir em aventuras heróicas e ter liberdade para fazer o que deseja e descobrir quem é. Não sendo pessoa para contar com os deuses - ou a sua beleza - para velar por ela, Helena lança-se na obtenção do que quer com determinação e uma postura assertiva. E embora seja essa postura que lhe granjeia alguns inimigos (como o autoproclamado «filho de Posídon», Teseu), é também o que cativa, encanta e diverte os que se tornam seus amigos, desde a caçadora Atalanta à jovem sacerdotisa que é o Oráculo de Delfos. Em "Helena de Esparta, Princesa de Ninguém", Esther Friesner entrelaça com perícia histórica e mito ao examinar com novo olhar a adolescente que virá a ser Helena de Tróia. A história resultante oferece humor, acção e uma heroína sedutora por quem não podemos deixar de torcer.

Opinião 
 Determinados temas e personagens têm detido um fascínio profundo por gerações em todas as épocas. Um desses temas tem sido a Guerra de Tróia, mas mais do que esta, tem sido aquela que a causou, a mais bela mulher do Mundo, que tem exercido uma influência constante na literatura: Helena de Tróia.
Autores se basearam nela para criar outras personagens femininas com o mesmo impacto mas ainda hoje, ela é a mais bela. A sua vida foi vista e revista tantas e tantas vezes, mas o impacto da sua história nunca morre. Nesta adaptação de Esther Friesner, revisitámos mais uma vez essa história e, através dela, retornámos à Hélade antes de ser Grécia, quando era apenas o território daqueles que falavam grego.
Esta é uma das personagens das quais eu nunca me farto. Posso ver montes de filmes e ler outros tantos livros sobre ela, que há sempre algo diferente, mesmo que não me agrade, e por isso agarro qualquer oportunidade de ler mais sobre o tema. Tenho procurado este livro sem nunca o arranjar até que finalmente, lá troquei outro livro por este e pude finalmente ler a adaptação de Friesner sobre a princesa espartana que seria princesa de Tróia.
Esta é uma versão diferente, algo pessoal e vinda directamente da imaginação da escritora. Ao iniciar-se com a infância de Helena, da qual se sabe muito pouco, este livro teve liberdade para se expressar a vontade e a autora aproveitou cada bocadinho que pode para o fazer, adaptando vários mitos gregos ao de Helena de Esparta. Apesar de alguns desses mitos não terem qualquer ligação ao da Guerra de Tróia e temporalmente não serem coincidentes como o de Teseu, outros como o dos Argonautas e a maldição dos Atridas ficaram perfeitamente equilibrados com a restante história. Coincidentes ou não, foram bem estruturados e permite que se conheça outros mitos para além do de Helena.
Contudo, este livro não é perfeito e nem tudo foi construído com o mesmo zelo já que a autora podia ter aproveitado a liberdade que tinha para escrever sobre esta altura da vida de Helena sem mexer com determinadas coisas. Se por um lado colocou histórias não conhecidas do público geral mas que fazem realmente parte do mito e permitem um aumento de conhecimento, por outro algumas alterações não nos permitem imaginar que esta história levará à Guerra de Tróia, e é aí que o livro perde o seu encanto, infelizmente.
A grande falha desta história é as personagens e, a partir daí, o caminho que autora lhes dá, logo o enredo do livro, estragam o conjunto geral. As personagens onde a diferença abismal, no meu ver, se nota é em Helena e Clitemnestra. A Helena de Tróia não poderia ser assim em criança, não faz qualquer sentido e, por isso, não a conseguimos ligar ao mito, sem tirar que ela tem uma personalidade tão irritante que já não conseguimos gostar dela. Depois, se ela soubesse usar uma arma, teria ficado atrás das muralhas dez anos? Não me parece. Quanto à Cli, eu tenho uma preferenciazinha por ela, confesso, e detestei ver a forma como a autora banaliza esta criança que sofrerá e amará de tal forma que cometerá um crime hediondo. Mais uma vez, não a identifico com a personagem do mito.
Já a acção do livro, é interessante, divertida e faz com que este livro se leia bem e rapidamente mas pelos erros acima, não consegui gostar dele como queria, esperava mais e fiquei um pouco desapontada.
Este é mais um daqueles livros que a editora em causa não lançou a continuação nem avisou que a tinha, com muita pena minha, mas parece que há manias que são difíceis de mudar, e o respeito pelos leitores deve ser uma coisa difícil de se manter.
Não é das melhores coisas que li sobre o tema mas lê-se e, sinceramente, talvez sem as minhas esquisitices tivesse mais pontuação. 

5*

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Opinião *II Parte* - O Cavaleiro de Westeros & Outras Histórias

Autor: George R. R. Martin
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 480

Opinião I Parte

 
O Caminho de Cruz e Dragão
Este conto leva-nos a um futuro onde a Inquisição está de volta mas anda de nave espacial. Sendo a religião um tema que nunca esgota, neste discute-se o que é heresia e o que é verdade. Um conto interessante onde o tema é abordado de forma diferente e original, e onde temáticas e géneros se misturam para criar algo insólito e brilhante.
6*

Reis-de-Areia
Eu sou daqueles pessoas que nunca ligam muito aos insectos mas que não percebe o fascínio que certas pessoas têm por eles e depois disto, possivelmente, nunca mais vou olhar para uma formiga da mesma maneira. Um conto espantoso e horripilante, onde se mostra que quando há talento e génio por trás até a coisa mais nojenta ganha qualidade e, até pode fazer uma mente pensar. Longe de gostar do género, tenho de aplaudir de pé estes rei-de-areia mas dispenso tê-los por perto.
7*

O Homem em Forma de Pera
Assustador, horrendo, péssimo para se ler às 4 da manhã e não vou puder ver Cheetos por uns tempos. Se valeu a pena? Podem crer que sim! O típico conto de terror, simples, sem grandes engenhos e que prima exactamente por isso. Por vezes, não é preciso sangue para algo ser assustador, basta mexer com o psicológico para algo nos afectar e é exactamente isso que este conto faz.
6*

Sob Cerco
O que dizer deste conto? Adorei-o, sem espaço para dúvidas. A própria ideia do conto já é genial mas a forma como Martin lhe dá vida ultrapassa quaisquer expectativas. Sendo-me um tema muito querido, foi lido com muito entusiasmo e cada detalhe fez a minha mente proliferar com ideias, engenhos e dúvidas. Brilhante.
7*

Negócios de Peles
O conto maior, é talvez o que levará os leitores ao êxtase e a forma perfeita de terminar este livro. Se os vampiros de Martin são geniais, os seus lobisomens não ficam nada atrás e só tenho pena que ele não tenha podido dedicar-se mais a este tema.
Magia, crime e licantropos à mistura, cá este um conto que enche as medidas a quem acha que os lobisomens de hoje em dia mais parecem uns “gatinhos”. Para ser lido de seguida com a respiração suspensa e que já não se fazem coisas como antigamente.
7*



domingo, 27 de maio de 2012

Opinião *I Parte* - O Cavaleiro de Westeros & Outras Histórias

Autor: George R. R. Martin
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 480

Sinopse
 Cerca de um século antes dos eventos narrados em A Guerra dos Tronos, um jovem escudeiro parte em busca de fama e glória num dos mais famosos torneios de Westeros. Mas o destino prega-lhe uma partida e coloca-o no caminho de um rapaz misterioso que irá mudar a sua vida para sempre. A não perder para os fãs da melhor série de fantasia da atualidade.

O Cavaleiro de Westeros abre esta colectânea com os melhores contos de George R. R. Martin. Nela encontrarão também uma cidade dominada por uma elite de lobisomens, onde ocorrem horrendos acontecimentos; um magnata excêntrico com gosto por espécies exóticas que vai ser confrontado com o que não esperava; um padre em crise de fé num mundo distante; uma mulher que vasculha universos em busca do amor perdido; ou um homem que se vê confrontado com a derradeira escolha, num mundo em que o fim da vida não equivale necessariamente à morte. Dez histórias nascidas da imaginação do criador de As Crónicas de Gelo e Fogo.


Opinião  
 Sendo um livro com dez contos, eles serão “opinados” e classificados individualmente para que eu possa dar um parecer mais concreto a esta leitura variada que teve vários temas, personagens e sensações mas sempre, a qualidade inerente à escrita de Martin. Conhecer o seu contributo na ficção científica e no horror, dois géneros que não domino nem costumam predominar na minha estante, foi uma aventura do início ao fim e, em geral, bastante produtiva. Uma leitura inédita que fez uma fã feliz.

A opinião será dividida em duas partes, contendo cada uma, a opinião a cinco contos do livro.

As Solitárias Canções de Laren Dorr
Para começar, este foi o conto perfeito. Não são muitas as vezes que o lado mais sensível de trovador de Martin vem à tona mas quando vem, é de uma beleza e um encanto tão imensos que parece transbordar das páginas. Esta história tem esse feito, através de duas personagens que se encontram num momento entre mundos, o amor e a esperança são celebrados de uma forma magistral. Adorei e tenho imensa pena que o escritor não tenha aprofundado esta história.
7*

O Cavaleiro de Westeros
Conto que deu origem ao título do livro, este é tudo aquilo que podíamos esperar de uma aventura em Westeros. Em pleno torneio, com algumas das figuras lendárias do clã Targaryen, entre outros, cem anos antes dos acontecimentos de As Crónicas de Gelo e Fogo, vivemos uma lenda, uma parte da história dos Sete Reinos, daquilo que eles eram com os dragões no trono. Serviu para matar as saudades mas não para satisfazer a imensa curiosidade.
7*

Uma Canção para Lya
Para mim, este conto teve um início estranho mas deve-se ao facto de eu não ser uma habitual neste género de leitura. Penso que perdeu pela falta de explicação, mesmo sendo um conto, era tudo demasiado novo e bizarro a meu ver mas à medida que fui avançando a história acabou por se entranhar, muito devido ao tema e à forma como Martin o aborda. Acabei por sentir um certo fascínio e quando o interesse começou a tomar forma, chegámos ao fim. Definitivamente, gostava de ter outro contacto.
5*

A Cidade de Pedra
Para mim, o mais confuso dos contos e o que me disse menos. Não estando à vontade com a ficção científica, e sendo este uma curta narrativa, não tive tempo para apreender esta história. A história em si era interessante mas faltou-me compreendê-la enquanto a lia e sentir uma ligação.
4*

Flormordentes
Um dos meus preferidos. Senti uma necessidade imensa de saber mais e mais desta história, adorava conhecer mais detalhes deste mundo, tal foi a forma que ele me tocou. Uma mensagem poderosa acerca da mente humana, de como pudemos manipular e mentir e acreditarmos que essa seja a verdade, de como, no fim, queremos tudo menos a verdade. Simples, sem grandes rodeios, é um conto maravilhoso.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Desafio 55 Livros 2012

Eu e a Kel do A Rapariga dos Livros combinámos ler 55 livros este ano, pois foi o que eu consegui atingir em 2011 e ela esteve lá perto.

E, bem, é com grande satisfação que informo de que, apesar de dois semestres cheios de trabalho e de bons rendimentos, eu consegui em 5 meses...


SUPERAR O DESAFIO!

55 Livros estão lidos e ainda faltam 7 meses para acabar o ano, nada mal pois não?

Comparando com o ano passado, em que durante um ano inteiro li exactamente 55 livros, as estatísticas neste momento estão assim:


2011 (todo o ano)

Maior Livro: O Espelho Negro de Juliet Marillier - 664 páginas

1* dois livros
2* sete livros
3* treze livros
4* dezassete livros
5* dezasseis livros
(pelo Goodreads)

25 Novos Autores

20 499 páginas lidas

2012 (Janeiro até Maio)

 Maior Livro: O Nome do Vento de Patrick Rothfuss - 966 páginas

1* cinco livros
2* dez livros
3* oito livros
4* dezanove livros
5* treze livros
(pelo Goodreads)

31 Novos Autores (isto significa que também já superei o New Authors Challenge 2012!)


19 958 páginas lidas




Isto no geral. Estátisticas mais aprofundadas só no fim do ano ;) 
 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Trocar Livros ou Ficar com Eles? I

Eu sempre fui daquele tipo de pessoas que nem se podia imaginar a livrar-se dos seus ricos livrinhos, jurava a pés juntos que os ia guardar a todos para toda a vida, blá, blá, blá...

Bem, esta ideia durou até ter mudado de casa. A verdade é que eu tinha livros espalhados no quarto, onde não tinha uma estante decente, outros no bar da sala, outros em caixotes no sótão e quando chegou a hora de arrumá-los para trazer para a casa nova e para a nova estante, linda e muito espaçosa, tive de repensar seriamente porque a verdade, é que tinha muitos livros que não tinha gostado ou só tinha lido uma vez, ofertas de que eu não tinha gostado, o que resultou numa selecção do que vinha e do que ficava.

Alguns livros dei a duas amigas, que tal como eu gostam muito de livros, outros dei à minha tia mais nova a espera que ela se decidisse a ler mais e outros continuaram encaixotados no sótão da casa dos meus avôs. Mesmo assim ainda trouxe uns bons 300 livros comigo, sem contar com os da faculdade. Ups! Mas coube tudo e ainda há espaço!

Bem de há uns tempos para cá, tenho pensado no sistema de trocas devido aos livros que ainda tinha guardados, mas tinha algumas dúvidas e medos e andei a adiar. Cheguei mesmo a dar uma volta pelo Winkingbooks mas depois de uma pesquisa não fiquei convencida e adiei outra vez essa decisão até que percebi que tinha mesmo de fazer alguma coisa, já que desde que tenho o blog tenho comprado muito mais livros do que era costume, devido a recomendações e a ter andado a aproveitar passatempos e promoções e tal.

Assim, quando recebi um convite para me juntar a um grupo de Trocas no Facebook (obrigada Nuno Mateus!), achei que estava na hora e arrisquei. A verdade é que já me juntei a mais uns quantos grupos e desde que lá estou, dois meses, a coisa tem rendido muito bem como irão perceber quando virem a rubrica das Aquisições deste mês.

Irei contar-vos o resto da minha aventura para a semana, agora recomendo-vos os grupos dos quais faço parte:

Troca e venda de livros em segunda mão
Livros - Compra, troca e procura
Grupo dos Livros :) livros para trocas e vendas
Troca Livros

Experimentem e boas trocas e leituras!





quarta-feira, 23 de maio de 2012

Opinião - Escravos do Amor

Título Original: Simply Sexual (#1 House of Pleasure)
Autor: Kate Pearce
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 292

Sinopse
 Satisfação sexual...
Os dez anos como escravo sexual num bordel turco fizeram com que Lorde Valentin Sokorvsky tivesse um insaciável apetite sexual. Agora, chegou a hora de casar, mas encontrar uma mulher que consiga satisfazer os seus luxuriosos desejos representa um autêntico desafio para ele... Até que conhece Sara e tudo em que consegue pensar é em tê-la sob o seu corpo viril, suplicando-lhe que o saboreie e o acaricie.

Sedução sensual...
Sara Harrison sabe que deveria ficar escandalizada e assombrada pelos atrevidos avanços de Lorde Sokorvsky, mas, ao invés, sente-se secretamente excitada e atraída por aquele homem sensual e sedutor. Escondida atrás da sua calma e das suas maneiras requintadas, encontra- se uma mulher sensual que deseja as carícias íntimas de um homem e anseia ser educada na arte da sensualidade para dar e receber prazer e sucumbir a um louco desejo que não conhece limites.


Opinião 
 Autora do Romance Writers of America, Kate Pearce é uma mulher simples com um estilo algo controverso. Vampiros na época Tudor, cenas cheias de sensualidade e erotismo, por todas as razões, esta é uma escritora que se adora ou se odeia, mas todos devem admitir que não é fácil ficar-se indiferente à sua coragem ou honestidade.
A Série Casa do Prazer estreia-se em Portugal com o seu primeiro volume na editora mais romântica do panorama nacional, contudo, poucas parecenças tem com aquilo a que essa editora já habitou os seus leitores. Este é um romance erótico com uma forte carga sexual, tal como se pode ler no aviso que se encontra na parte de trás do livro, e, por isso, se tem uma mente sensível e se choca com fantasias mais usadas, evite lê-lo. Se por outro lado, gosta de ir a aventura e descoberta, ler não custa e pode descobrir algo que nunca imaginou.
Enquanto leitora e mulher, os romances fazem parte da minha experiência literária a muito tempo, considero-me até uma mente aberta e acho que pudemos descobrir sempre algo com qualquer experiência. Daí, que apesar dos avisos, comentários e opiniões, que me tenha “atrevido” a pegar neste livro, pois apesar das queixas, as pontuações dadas ao livro e as críticas não têm sido assim tão más, logo o livro não podia ser assim tão terrível. Pois não?
Apesar do tal aviso que se encontra no livro, a verdade é que há muita boa gente que pode olhar para a capa e não ver mais nada, pois a capa é linda e mesmo o tal aviso não prepara ninguém para a forte carga erótica deste livro. Da primeira página até ao último capítulo, e não, não estou a exagerar, temos sexo, sexo, sexo e mais sexo. E mais sexo. Não é que as cenas sejam ordinárias, eu até penso que algumas têm um grande condimento sensual e uma beleza inerente ao desejo e à paixão, mas duzentas páginas seguidas sem mais nada em que as últimas partes ultrapassam e bem a escala do cru, do promíscuo e da perversidade, são em demasia, ninguém pode estar a espera do que este livro acaba por ser. Um livro em que se vive os mais obscuros desejos humanos, em que a parte animal do ser humano é levada ao extremo, até chocar ou maravilhar.
Tive pena, no fundo, porque além de ser mais do mesmo, este é um daqueles livros que podia ter sido melhor se a escritora tivesse sabido conjugar a parte erótica, para a qual a senhora tem muito jeito, não é toda a gente que consegue manter imagens cruas de sexo longe da mediocridade, mesmo que ache que ela se excedeu um pouco no fim, pois a história em si era boa, teria dado uma trama maravilhosa, crua e humana acerca dos medos e desejos, dos sentimentos mais fundos da alma mas o que acabámos por ver da trama é no último capítulo e foi tão banal que nem aqueceu nem arrefeceu.
Condizente com o enredo, temos as personagens. Se não fosse o Valentin, eu tinha largado o livro no início mas até essa personagem foi mal explorada. Não têm qualquer tipo de profundidade nem de sentimento, não me disseram nada, e mais uma vez, irritou-me o facto de que podiam ser muito melhores personagens com um pouco mais de empenho. Já quanto à parte romântica do casal, bem, não existiu, acho que é a única coisa que posso dizer acerca do assunto.
Acabou por ser uma leitura que não me disse nada, pois não provocou qualquer sentimento profundo ou o que fosse. É sensual e interessante em certas partes mas de resto… Ah, a parte histórica resumiu-se a sabermos que tipo de brinquedos sexuais existiam para a época e que tipo de casas do prazer haviam, de resto, muitas vezes eu nem me lembrava que era um romance histórico.
Lido na diagonal a partir de certa altura, não vai deixar saudades e acho que vou evitar a autora até traduzirem a série dos vampiros na época Tudor. Continuo a achar que havia mais potencial, e que isto podia ter sido melhor, muito melhor.

3*

Picture Puzzle #13


Regras:

  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título

Picture #1

Pistas:titulo em português; fantasia; faz parte de uma saga; a arte surrealista é v.....





Picture #2

 Pistas:título em inglês; romance; autora conhecida pela adaptação cinematográfica de outro livro muito doce


terça-feira, 22 de maio de 2012

Teaser Tuesday (25)

Regras:

  • Pegar no livro que estamos a ler
  • Abrir numa página à sorte
  • Partilhar duas frases dessa página. Não incluir spoilers!
  • Partilhar o título e o autor do livro

"De novo sonhos. Mas de novo, à alvorada, a memória escapuliu-se-me. Tudo aquilo era muito aborrecido. O sonho fora agradável, confortável. Queria-o de volta, e nem sequer conseguia recordar sobre o que era."
p. 148, O Cavaleiro de Westeros & Outras Histórias, George R. R. Martin  

Rubrica original do blog Should Be Reading

sábado, 19 de maio de 2012

E se os primeiros livros da cultura ocidental nunca tivessem existido?


Imaginem que a Ilíada e a Odisseia nunca tivessem sido transmitidas a gerações de um povo ou que nunca tivessem sido escritas ou, mesmo, que nunca tivessem chegado a outras épocas, que tivessem sido esquecidas ou só fossem descobertas hoje...
 Será que a literatura como a conhecemos teria sido a mesma?

Muito possivelmente não.

 A verdade é que ambas as obras abriram um caminho no pensamento ocidental que em pleno século XXI se mantém pois a maneira de escrever pode mudar, o formato pode evoluir, ideias podem se alterar mas na essência, por mais racional e científica que a Humanidade hoje seja, o homem ainda sonha, ainda acredita em heróis e há "receitas" que irão funcionar sempre, quer tendo como cenário a Antiguidade ou um futuro onde as naves espaciais e os alienígenas proliferam.


 Se há séculos atrás Alexandre, o Grande dormia com os poemas homéricos debaixo da almofada e sonhava conquistar a glória dos grandes homens que ficaram enaltecidos para a eternidade, o que de facto, conseguiu, hoje são outras obras que povoam o imaginário dos homens e mulheres deste século, mas será que existe uma diferença? Claro que sim, houve evoluções técnicas, culturais e sociais mas, mais uma vez, a base dos nossos ideais foi construída a partir das motivações desses outros povos que originaram a Europa Ocidental, foram eles a base para tudo o que se lhes seguiu, mais tarde ou mais cedo.

O sentido de epopeia, no sentido lato, é de uma narrativa de feitos grandiosos de um único indivíduo ou de um povo, de acontecimentos excepcionais e servem para enaltecer um "homem ideal", um exemplo para a sociedade. Ora, esta ideia não vos parece familiar?

Dos grandes poemas, passou para romances, para a ficção científica, para a fantasia. Da literatura ao cinema, até à ópera, quantas das obras da cultura ocidental têm parecenças com os poemas de Homero? Será que a lenda do Rei Artur seria a mesma sem estas influências?

Deixo-vos alguns desses exemplos:


  • Eneida  século I a.C.; Vergílio
  • Argonáutica século III a.C.; Apolónio de Rhodes
  • Canção de Roland século XI; Turoldo (?)
  •  Tristão e Isolda  século XII; Béroul
  • Demanda do Santo Graal século XIII; origem desconhecida
  • El Cantar de Mio Cid século XIII; origem desconhecida
  •  Gesta de D. Afonso Henriques século XIII; origem desconhecida
  •  Divina Comédia século XIV; Dante Aligheri
  • Peregrinação século XVI; Fernão Mendes Pinto
  • Lusíadas século XVI; Luís Vaz de Camões
  • D. Quixote de La Mancha século XVII; Miguel de Cervantes
  •  Paraíso Perdido século XVII; John Milton
  • Viagens de Gulliver século XVIII; Jonathan Swift
  • Robinson Crusoé século XVIII; Daniel Defoe
  • Guerra e Paz século XIX; Leon Tolstoy
  • Tetralogia O Anel do Nibelungo século XIX; Richard Wagner
  • 2001 - Odisseia no Espaço século XX; Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke
  • Guerra das Estrelas século XX; George Lucas
  • Ulisses século XX; James Joyce

Como estes, tantos outros livros, filmes, óperas, não seriam a mesma coisa sem as primeiras influências que caracterizaram a cultura ocidental. Sem Heitor, Aquiles ou Ulisses e Páris, não teriam existido Aragorn, Romeu, Gulliver, Tyrion Lannister, Paul Atreides ou tantos outros.
Ou melhor, poderiam mas não seria a mesma coisa.