segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Opinião - Across the Universe

Título Original: Across the Universe (#1 Across the Universe)
Autor: Beth Revis
Editora: Razorbill
Número de Páginas: 323

Sinopse
 Amy is a cryogenically frozen passenger aboard the vast spaceship "Godspeed." She expects to awaken on a new planet, 300 years in the future. But fifty years before "Godspeed"'s scheduled landing, Amy's cryo chamber is unplugged, and she is nearly killed.
Now, Amy is caught inside an enclosed world where nothing makes sense. "Godspeed"'s passengers have forfeited all control to Eldest, a tyrannical and frightening leader, and Elder, his rebellious and brilliant teenage heir.
Amy desperately wants to trust Elder. But should she? All she knows is that she must race to unlock "Godspeed"'s hidden secrets before whoever woke her tries to kill again.


Opinião
Ao longo da sua vida, Beth teve uma mania. Em vez de tirar apontamentos nas aulas, escrevia histórias, histórias essas que na faculdade se tornariam livros. Sem nunca perceber o fascínio pelos clássicos e jurando que só gostava de Shakespeare por causa das piadas obscenas, Beth percorria os corredores da literatura juvenil nas livrarias e eram esses os livros que realmente gostava e apenas eram substituídos por As Crónicas de Nárnia. A sua paixão por C.S. Lewis levou-a à tese de mestrado sobre No Reino de Glome e ainda hoje procura por uma entrada para Nárnia.
Com uma área de estudo diversificada, desde à História à Literatura Inglesa especializada em fantasia, Beth tornou-se professora e descobriu que realmente adorava o que fazia até que teve de optar entre dar aulas e escrever a tempo inteiro. Across the Universe é o seu primeiro livro, o início de uma trilogia passada no futuro e que nos fala da congelação de humanos e da vida numa nave espacial. Traduzido para 24 línguas com mais a caminho, foi premiado e reconhecido por várias entidades nos EUA e é uma das distopias mais aclamadas pelo público. A última parte da trilogia foi publicada no passado mês de Janeiro e era um dos livros mais aguardados.
Quando os pais são chamados por causa das suas carreiras para uma missão espacial, Amy tem de tomar uma decisão que mais do que mudar a sua vida a vai parar. Durante 300 anos ela ficará adormecida e acordará num novo mundo séculos de tempo e distância longe do que ela foi, dos que deixou para trás, da vida que conhece. Ao decidir ser congelada ao lado dos progenitores Amy não sabe o que a espera conhece apenas o que deixou para trás, os sonhos de uma vida pela frente. Apesar da sua curta vida, Elder já sabe o peso que terá de carregar, a paz e a união de uma comunidade presa dentro de uma nave a caminho de um novo planeta mas sente que há quem pense que ele não está pronto e sem perceber porquê paga todos os dias pelos erros de alguém de quem ninguém fala. Um dia, ele descobre o que nunca devia ter descoberto, as estrelas e alguém que dorme, tão diferente e distante dele quanto o sol que nunca viu.
Longe de ser um livro como os outros, Across the Universe mostra logo nos primeiros capítulos que é. Uma força esmagadora que nos arrepia e choca, uma realidade longe dos sonhos, um livro sobre escolhas, sobre dar importância ao que se perde e a adaptação a um novo mundo e uma nova sociedade. Com uma escrita forte, viciante e que agarra o leitor pelo colarinho, Beth dá voz a uma história diferente de tudo o que terão lido, dando-nos uma nova visão sobre a opressão, o controlo, as meias verdades e as consequências dos actos, sobre uma vida presa dentro de quatro paredes, controlada, estagnada e esmagada por uma ilusão e um sonho difícil de alcançar. Numa narrativa onde cada acontecimento pode surpreender e chocar, onde tudo o que é para nós banal é o impossível, onde a nossa noção de vida foi alterada, corrigida para a perfeição, onde a liberdade e a diferença são males corrompidos que não devem ser pensados, a autora mostra-nos o poder dos gestos e das palavras, de como os sonhos e os pensamentos mesmo controlados podem ultrapassar o que foi ensinado a ser, como uma mentira gigantesca pode virar uma verdade de que ninguém duvida.
Não uma história sobre um rapaz e uma rapariga que se apaixonam mas de dois jovens que unidos pela idade e por sentimentos fortes estão tão longe um do outro como o sol da lua, este livro não é o típico livro juvenil sobre o amor numa sociedade corrosiva mas sim, sobre aceitação, confiança e descoberta, sobre amizade e escolhas, sobre acreditar e conhecer profundamente. Amy e Elder não são os típicos protagonistas, são o resultado das suas sociedades, das suas verdades e dos seus ensinamentos, são mais adultos que os seus 16 anos e mais ingénuos do que pensam. Duas pequenas peças num logro maior do que eles podem pensar, vão combater, escolher e acreditar no que aprendem e descobrem, vão perceber que para lá dos sentimentos mútuos é preciso aceitarem-se e estarem lá um para o outro, que é preciso contar a verdade e, às vezes, esconder uma mentira.
Dentro de uma nave perdida no espaço, uma sociedade perfeita que foi ensinada, enganada e controlada sem se aperceber, vive com as regras que sempre conheceram enquanto esperam puder pisar um solo verdadeiro, sentirem a verdadeira chuva a cair-lhes na cara, o verdadeiro calor do sol a aconchega-los. Num espaço mínimo, onde o verde termina no metal das paredes, eles são escolhidos, selecionados, tratados como animais premiados, distinguidos por melhores e piores, mais inteligentes ou menos capazes. Este livro não pode ser lido de ânimo leve, é um livro para apreender e fazer pensar, para chocar e maravilhar, para compreender a profundidade da alma e da mente, para dar valor aos sentimentos.
Uma descoberta surpreendente, Across the Universe é uma leitura que aconselho aos que gostarem do género e não sou, para os que lêem em inglês e para os que querem tentar e que merecia ser editada por cá. É uma distopia acima de muitas, pela sua simplicidade e profundida, pela imaginação da autora, pelo poder das palavras que o formam. Uma história longe dos triângulos amorosos, das indecisões e juvenilidade, uma história que carrega mais do que parece à primeira vista.

6*

12 comentários:

  1. Con cariño:
    http://cuidadocomodalmata.wordpress.com/2013/02/04/liebster-award/
    (volto para ler a review quando terminar o livro :p)

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  2. Ando há séculos para ler isto. Tenho ouvido tão boas críticas e tanta gente a falar bem deste livro. E, ainda por cima, é um livro de FC (creio eu) e eu queria ler mais desse género. E é também um livro dystopian, outro género que quero ler mais. A ver se o compro e se o leio para ver se é mesmo assim tão bom xD

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    1. Crês bem ;) FC e distopia!
      Tens de o ler Pedro, apesar de ser YA e os deuses sabem que leio este tipo de livros preparada para tudo, este é realmente bom. Não se foca quase nada no romance e tem uma sociedade distópica daquelas ;)

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    2. Aproveito para meter a colher e recomendar este, Pedro, está mesmo muito bom. ;) Creio que a autora fundamenta muito bem a vertente FC da história, e cria uma sociedade algo distópica, pelas características da nave e circunstâncias em que as pessoas se vêem. E diria que a autora foge um bocadinho de certos clichés YA, o que é refrescante. :)

      Quanto a ti, Paty, ainda bem que gostaste. :D Pronta para o segundo? Com um bocadinho de sorte ainda me apanhas e líamos juntas o terceiro. ;)

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    3. Concordo com tudo o que a p7 diz!=D

      Pois o terceiro já saiu não já?? Então vou ter de ler o segundo a velocidade da luz (o que não me importo nada *.*)

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    4. Saiu a meio de Janeiro, e já cá canta. Lembraram-se de mudar a capa para o último, não sei se acho muita piada à brincadeira. -.-' Mas teria muito gosto em ter uma companheira de leituras. ;)

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    5. Pois eu reparei -.-'
      Então tenho de ler o segundo rapidamente para depois ler o último contigo =D

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  3. Quem é que está a ler hardcovers? Vi agora que o hardcover do terceiro já saiu, mas ainda vou ter de esperar pelo paperback que só sai em Maio, goddammit. ;A;

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    1. Eu ando a ler em ebook! Tenho de ver se já há! Mas tenho de arranjar o segundo primeiro lool

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    2. Aaah, ok. Eu tenho o segundo a caminho. :D

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