terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Opinião - A Culpa é das Estrelas

Título Original: The Fault in Our Stars
Autor: John Green
Editora: Edições ASA
Número de Páginas: 256

Sinopse 
 Apesar do milagre da medicina que fez diminuir o tumor que a atacara há alguns anos, Hazel nunca tinha conhecido outra situação que não a de doente terminal, sendo o capítulo final da sua vida parte integrante do seu diagnóstico. Mas com a chegada repentina ao Grupo de Apoio dos Miúdos com Cancro de uma atraente reviravolta de seu nome Augustus Waters, a história de Hazel vê-se agora prestes a ser completamente rescrita.

PERSPICAZ, ARROJADO, IRREVERENTE E CRU, A Culpa é das Estrelas é a obra mais ambiciosa e comovente que o premiado autor John Green nos apresentou até hoje, explorando de maneira brilhante a aventura divertida, empolgante e trágica que é estar-se vivo e apaixonado.


Opinião

Quando acabou de ler A Culpa é das Estrelas, Hank disse ao irmão que ele não fazia a mínima ideia do que tinha acabado de criar e que este livro ia mudar a vida dele. De uma forma profética, ele acertou e este livro tornou-se o melhor e mais ambicioso livro de John, um triunfo luminoso que lhe valeu o primeiro lugar em três listas de bestsellers e as mais fantásticas críticas do mundo editorial. Publicado em 12 línguas, vencedor de três prémios e com os direitos vendidos para a Fox para se tornar um filme, A Culpa é das Estrelas é o sexto livro de Green e foi grande novidade, o grande troféu da literatura do ano passado. Consta em praticamente todos os tops dos melhores livros do ano passado, sendo provavelmente o livro mais recomendado e falado pelos bibliófilos por este país fora e não só. Um livro juvenil que toca nos temas da morte, da doença e do amor de uma forma brilhante e que não tem deixado ninguém indiferente, este é o livro de que todos falam e todos leram.

Depois de À Procura de Alaska eu pensava que estava preparada para o que aí vinha. Pensava, seriamente, que Green não me ia apanhar outra vez na curva. E, arrependo-me solenemente de não ter lido este primeiro, não porque ele não me extasiou mas porque devia, merecia ter sido o primeiro a ser lido porque nada se pode algum dia comparar às estrelas, nada se comparar a inevitabilidade de um dia perdermos o nosso verdadeiro amor da maneira mais esperada e cruel como acontece nestas páginas.

Hazel tem 16 anos e um cancro terminal contra o qual combate há três anos e o facto da mãe e o médico acharem que ela está a passar por uma depressão leva-a a um Grupo de Apoio onde ela não quer estar até ao dia em que um rapaz novo e, por sinal, bastante giro, fica espantado a olhar para ela. Augustus tem uma perna protética e há catorze meses que está bem, sem vestígios de cancro. A pedido de um amigo acede a ir a um encontro para jovens com cancro mas mal ele sabia que estava prestes a conhecer a miúda mais sensacional da vida dele. Juntos, eles vão sonhar, barafustar e filosofar. Vão mostrar que o facto de a morte estar sempre à espreita não os impede de viver, antes os leva a viver cada dia como se fosse o último. Eles apaixonam-se, compartilham-se nas páginas de um livro, no voo pelas nuvens, pelas chamadas silenciosas e pela violência de um videojogo. Eles descobriram o verdadeiro amor.

Num relato introspectivo sobre a vida e a morte, o amor e a perda, a saúde e a doença, Green cria uma obra-prima, um livro onde os sentidos são atacados e as emoções derrubadas, onde diálogos ricos e filosóficos encontram-se com a ironia e a juventude, onde o humor negro serve para combater a dor e as fragilidades, onde as palavras caras são uma cortina para esconder a fragilidade que mora por dentro das nossas personagens. Com uma escrita que mais uma vez mata, quebra e nos coloca a nu, o autor reflecte e ataca-nos, faz-nos rir e chorar, apresenta-nos uma realidade que poucos de nós esperaríamos e conquista-nos por isso mesmo. Onde a morte é uma certeza quase com data marcada, esta história pouco de deprimente tem, antes tem demasiados momentos doces e enfraquecedores, antes está cheia de humor mordaz e naturalidade, antes tem charme e encanto. Desenganem-se. Este não é um livro sobre a morte mas sobre a celebração da vida, este livro será a vossa Aflição Imperiosa e nunca mais o irão esquecer.

Hazel é, sem dúvida, das protagonistas mais excepcionais que alguma vez irão ler. É uma força da Natureza que nada derrota, é uma jovem de 16 anos como outra qualquer. Vê maus programas de televisão, necessita do seu espaço e apaixona-se pelo tipo giro, inteligente e misterioso mas, mais mesmo que ser uma lutadora, Hazel é uma sobrevivente mas nunca nesse termo da palavra pois ela vive e dá vida, faz-nos rir e venerá-la. É inteligente, pouco impressionável e nada fracota, é mesmo um exemplo a seguir. Augustus é encantador, cheio de confiança e com um sorriso que nos derrete mas por trás é de uma fragilidade imensa, um miúdo com necessidade de amor e atenção. No fundo, o pilar da força é Hazel mas juntos eles são assolapadores, jovens, ternos e irresistíveis. Nos últimos momentos do livro apercebemo-nos que o fraquinho tornou-se gostar e que o gostar tornou-se amor, aquele amor que é para sempre, que nos faz lidar com aquelas coisas inconsequentes da vida por mais que doa, por mais que nos mate.

Desarmante, filosófico e doce, A Culpa é das Estrelas é um livro sobre estrelas. Estrelas que brilham mesmo depois de há muito estarem mortas. Estrelas cadentes que concedem desejos. Estrelas que guiam o nosso caminho. É uma história de fragilidades, de sonhos e questões por responder. É uma história importante, com demasiados significados que só com várias leituras poderá ser verdadeiramente alcançada. Por mais impossível que vos pareça, este livro é uma comédia, uma comédia triste com sentimentos arrebatadores e verdades inquestionáveis.

Aqui não encontrarão tristeza mas uma alegria pura condimentada com lágrimas, um hino à vida e à memória. Aqui voltarão a saber o que é amar, o que é estar ao lado por tudo, o que é esconder para não magoar, o que é afastar para não perder. Aqui o significado de para sempre é simplesmente OK. Leiam, percam-se, chorem, voltem a apaixonar-se e nunca se esqueçam que a culpa nem sempre é das estrelas.

7*

4 comentários:

  1. Olá,

    Por acaso estiveram mesmo para me emprestar esse livro, fomos ao café, passear e depois tão distraidos com a conversa que até se esqueceram de me o emprestar, mas já li tantos coemntários positivos ao livro que vou querer ler sem duvida.

    Começo é a ficar algo preocupado com a quantidade de livros que tenho emprestados, por causa disso ainda nem li o Dragão do Assassino da Hobb, ai ai

    Confesso que não li o teu comentário para não apanhar spoiler, mas a nota atribuída diz tudo :D

    Bjs e boas leituras ;)

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    1. Olá!

      Tens mesmo de ler Fiacha,é um livro obrigatório ;)
      Loool pensa que isso significa que tens bons amigos =D Mas por favorb lê lá o último da Hobb xD

      Não tem spoilers lool mas aceito que leias só depois ;)

      beijinhos

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  2. Epá, eu quero ler! Não vou deixar passar uma obra dessas... :)
    Beijinho

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