quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Opinião - Milagre de Amor

Título Original: When Beauty Tamed the Beast  (#2 Fairy Tales)
Autor: Eloisa James
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 372

Sinopse
 Miss Linnet Berry Thrynne é Bela … Naturalmente, está noiva de um Monstro. Piers Yelverton, conde de Marchant, vive num castelo no País de Gales, onde, corre o boato, o seu mau humor arrasa todas as pessoas com quem se cruza. E também consta que uma lesão deixou o conde imune aos encantos de qualquer mulher. Só que Linnet não é qualquer mulher. Ela é mais do que simplesmente formosa: o seu espírito e encanto forçaram um príncipe a ajoelhar-se. E calcula que um conde se apaixonará loucamente por ela… em apenas duas semanas. No entanto, Linnet não tem ideia do perigo a que o seu coração é exposto por um homem que poderá nunca devolver-lhe o seu amor. Se ela decidir ser realmente muito perversa … que preço pagará por domar o coração selvagem desse homem?

Opinião


Ao contrário de muitas escritoras, Eloisa não se dedicou à escrita por tempo inteiro e decidiu continuar a dar aulas sobre Shakespeare conciliando na perfeição a escritora, a professora, a mãe, a mulher e a amiga. Mulher de múltiplas actividades, a autora que escreve romances de época e casou com um cavaliere italiano, desde 1999 que tem conquistado os corações românticos das suas leitoras tendo já escrito vinte e três livros, seis contos e participado em dois livros em conjunto com Julia Quinn e Connie Brockway. Até 2005, a autora manteve a sua segunda carreira em segredo mas o facto de ter aparecido pela primeira vez na lista de bestsellers do New York Times fê-la revelar o seu alter ego perante os colegas de trabalho e assumir em pleno que existem duas mulheres em si, a professora universitária e a escritora de romances.
Milagre de Amor é o segundo volume da série dedicada aos contos de fadas, retratando o conto de A Bela e o Monstro. Publicado em 2011 e já com dezasseis edições foi considerado um dos melhores livros do ano e tem conquistado tanto os leitores como autores. O trabalho de Eloisa tem recebido os maiores elogios das suas colegas de profissão Teresa Medeiros e Julia Quinn, duas das autoras mais conceituadas da actualidade.
Ela é a Bela da temporada. Aos seus pés caiem todos os bons partidos enfeitiçados pelo seu sorriso e nem um príncipe consegue resistir à beleza de Linnet mas o passado escandaloso da mãe persegue-a e nem o seu encanto e inteligência lhe valem quando as bocas maldosas lhe arruínam a reputação destruindo qualquer sonho de um bom casamento. Dona de uma herança invejável e supostamente futura mãe de um membro real, Linnet é enviada para a perdida Gales onde o mau humor do seu Monstro assombra a sua reputação de médico genial. Piers é um arrogante, nariz empinado futuro duque e médico, um homem com um passado cheio de mágoas e uma perna que torna a sua vida tão insuportável quanto ele torna a dos outros e que vive enclausurado num castelo até que o homem que o abandonou chega ao seu refúgio com uma beldade destinada a massacrá-lo, a tentá-lo e, se calhar, a quebrar a sua gélida carapaça.
Depois da desilusão que foi Paixão numa Noite de Inverno eu não estava a contar voltar a ler Eloisa James mas as boas críticas a este livro perseguiram-me dias e dias até que tive mesmo de o ler e, coisa rara, dar o braço a torcer. A escrita da autora, tão diferente e original ganha uma luz neste livro que apenas antevi no anterior, uma luz que o torna um romance único, cheio de encantos e ironias mordazes, sorrisos fatais e uma arrogância que só a beleza e a inteligência elevadas dão as pessoas, arrogância que conjuga com um humor negro, um romantismo obstinado e uma sedução entre seres iguais de almas atormentadas. Com uma perspicácia inata, Eloisa dá vida ao meu conto preferido, torna-o uma conjugação de personagens e histórias, usa as inspirações de uma forma soberba e cria um romance que deve e tem de ser devorado e, obviamente, adorado.
Numa narrativa clássica de romance de época vamos encontrar um enredo diferente, mais humorístico, fatalmente mais poderoso e sedutor de uma forma que poucas autoras conseguem, um enredo cheio de peripécias e tiradas espirituosas, onde o amor passa por compreensão e aceitação, onde uma relação cresce do respeito e da admiração antes do desejo. Piers, uma conjugação brutal de Monstro e Dr. House, é um daqueles protagonistas por quem é impossível não nos apaixonarmos assim que lemos o seu primeiro diálogo. Macambúzio, inteligente, mordaz e atormentado, ele é um misto de tentação e irritação pela qual só queremos levar a melhor. Com as suas ironias de mau gosto e aparência de miúdo birrento, Piers arrasa os nossos corações e ganha um lugar na lista de protagonistas preferidos. Já Linnet arrasa. É respondona e por trás da beleza perfeita é tão mordaz e irónica quanto ao seu noivo. Dona de uma personalidade inabalável, ela é uma protagonista digna desse nome e tanto nos faz sorrir de vitória como consegue enternecer-nos.
Ao longo de um romance onde as regras de etiqueta levam a uma situação indesejável para depois serem esquecidas, rimos e sorrimos com as personagens inesquecíveis de Eloisa como Garvan e os pais de Piers cuja relação acrescenta umas lagrimazinhas e um sorriso tolo. Em situações caricatas ou de teor mais sério ou romântico, a autora acrescenta sempre aqueles detalhes deliciosos que me fizeram não desistir dela, pequenos pormenores históricos que vão da rotina ao guarda-roupa, da educação aos saberes medicinais da altura que tiveram grande destaque neste livro e brilharam. Esta narrativa fluída, divertida e romântica está cheia de momentos deliciosos que mostram uma essência do amor poucas vezes captada e transmitida tão soberbamente.
Depois desta leitura, Eloisa ganhou um certo respeito da minha parte e fez-me mudar a opinião acerca dos seus livros apesar de duvidar que algo se compare a este romance tão adorável. Um livro que recomendo às românticas, aos pouco crédulos, aos fãs de Dr. House e aos leitores que como eu duvidavam do talento desta autora. Espero que ela tinha mais livros deste género reservados para nós e, ao mesmo, tempo espero que nada se compare a ele. 

7*

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