sábado, 16 de fevereiro de 2013

Opinião - O Erro da Rainha

Título Original: The Queen's Mistake: In the Court of Henry VIII
Autor: Diane Haeger
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 344

Sinopse 
 Como quinta rainha de Henrique VIII, Catarina Howard não estava preparada para o que o futuro lhe reservava...
Quando a jovem e bela Catarina Howard se converte na quinta mulher de Henrique VIII, na época com 50 anos, este parece ter alcançado a plena satisfação. O reinado da futura rainha está, contudo, destinado a ser breve e doloroso, pois é forçada a lutar com inimigos muito mais poderosos e calculistas do que previra, numa corte onde qualquer movimento errado pode significar a sua desgraça. Querendo apenas amor, , Catarina é compelida a negar os desejos do seu coração a favor da ambição da família. Mas, ao fazê-lo, oferece involuntariamente aos que procuram derrubá-la uma arma muito eficaz: o seu próprio passado romântico.
O Erro da Rainha é uma narrativa trágica de uma mulher apaixonada e idealista que se esforça por lidar com as intrigas da corte e com os anseios do seu coração.


Opinião

Há quinze anos atrás, a meio do Doutoramento em Psicologia Clínica, Diane descobriu uma história de amor que durou duas décadas, a de Diana de Poitiers e Henrique II de França, história essa que mudaria a sua vida para sempre e que inspiraria o seu primeiro livro, Courtesan. Autora de romances históricos com protagonistas femininas, passados em várias épocas e nações, Diane já escreveu treze livros sendo quatro deles baseados na corte de Henrique VIII. Actualmente, vive em Newport Beach com o marido e os filhos.

O Erro da Rainha é o segundo volume da série Na Corte de Henrique VIII e incide sobre a história da quinta rainha de Henrique, Catherine Howard, acusada de adultério e decapitada por traição. Numa série em que a autora tem buscado percorrer personagens menos visíveis da corte Tudor como a princesa Maria, esposa do duque de Sufolk e irmã do rei e Bess Blount, amante do rei e mãe do seu filho ou as rainhas Catherine Howard e Jane Seymour, podemos encontrar histórias nunca contadas ou um lado que nunca conhecemos da corte mais poderosa, sensual e intriguista do século XVI.
Ela foi a quinta. Ela foi a mais jovem rainha de Henrique. Usada como moeda de troca por notoriedade e glória para uma família derrotada, fútil e encantada com a beleza da corte, Catherine ou Kathryn, era a rosa sem espinhos, a luz da vida de um rei derrotado pela vida que condenou os que mais amou a perder a cabeça e que acabou por também perder a sua. Vista como arma contra o homem mais poderoso do reino, prima da inteligente Anna Bolena, sobrinha do ambicioso Norfolk, ela teve tudo e perdeu tudo por luxúria, amor e juventude. Rainha por quase dois anos, amante do camareiro preferido de Henrique VIII, antiga aia de Anne de Cléves e odiada por Maria Tudor, ela foi a glória e a perda, a última facada num rei demasiadas vezes traído, demasiado poderoso, demasiado inconstante. Decapitada por traição, a última esperança dos Howard ainda hoje assombra Hampton Court mas as cartas de promessas, as companhias incriminatórias e um passado de folia condenou-a a levar à letra o seu lema, Nenhuma Outra Vontade senão a Sua.
Numa escrita acessível e envolvente, Haeger conta-nos a história da quinta rainha de Henrique VIII pela sua pessoa, arrastando-nos para a glória e intriga que assoberbavam a corte Tudor e conseguindo mostrar uma outra Catherine que não deixando de ser fútil e infantil acaba por nos conquistar o coração. Através de uma perspectiva única, a que não falta detalhes históricos, a autora conquista o interesse dos seus leitores e traz um pouco de humanidade a estas personagens relembradas através dos séculos, romanceando-as e tornando-as mais do que nomes, factos e datas.  Do momento da chegada de Anne de Cléves à morte de Catherine vamos ver o espelho das traições e ambições, os medos e segredos, as chantagens e favores que governaram sobre uma corte poderosa e longe de se deixar abalar pelos inimigos pois as quedas podiam ver do sorriso ao lado.
Não sendo a rainha que mais interesse tem provocado nem a mais amada ou odiada, Catherine Howard foi esquecida e rotulada de prima de Ana Bolena, a outra rainha decapitada mas a verdade é que ela foi uma peça mais importante do que todos gostam de pensar. Maravilhada pelas jóias e luxo dos palácios, apaixonada e fútil, Catherine é usada por tudo e todos e o que ela realmente queria foi-lhe negado logo à partida e as regras do jogo foram esquecidas. Dando vida a uma jovem que apesar da beleza não podia se comparar às restantes rainhas de Henrique, a autora mostra-nos a inocência da incompreensão, o perigo de confiar e o poder mortal do desejo, mostra-nos como uma jovem do campo pode chegar à rainha pela beleza e pela ânsia de juventude, como meias verdades não passavam de omissões, como o poder podia fazer arriscar tudo quando tudo já estava perdido.
Humanizadas, as personagens são um ponto a favor deste livro mas gostava de ter visto um bocadinho mais de realidade na sua construção e não tanto ficcionadas mas, mesmo assim, são personagens que acabam por facilitar a compreensão do autor e, se calhar, acabam por ser mais reais do que esperaríamos. Neste livro como noutros, acho que tem falhado a construção de Henrique VIII pois é uma personagem muito complexa que apesar de ter passado por uma fase frágil nesta altura não deixa de ser um rei que todos controla. Pessoalmente, gostei das referências a Ana Bolena apesar de duvidar que nessa altura o nome dele aparecesse tantas vezes nas bocas da corte mas penso que não é improvável que muitas vezes não se pensasse nela, tirando Henrique VIII que sabe-se, nunca mais voltou a tocar no seu nome.
Numa narrativa que não esquece os factos mais importantes e onde a vida privada da rainha é o palco principal, O Erro da Rainha é uma dança, entre salões e quartos, salas de concelho e salas vazias, entre desprezo e ironia, entre passado e aquelas que se pensa ser as verdades. Um retrato de como a inocência e a ignorância podiam ser usadas pela ambição, de como gestos podem condenar e os sonhos se podem desfazer, a história de Catherine Howard está repleta de paixões, luxúria, desejo e insensatez e Haeger aproveitou cada bocadinho para criar um livro onde o leitor se sente transportado e dono e senhor dos segredos e verdades.
Em mais um livro sobre os Tudors, Diane Haeger acaba por ser diferente, mais humana, mais sentimental e isso dá ao seu livro toda uma nova perspectiva que o torna um bom romance sobre esta época e que irá agradar aos fãs de leituras incididas sobre os Tudors que não procurarem verdades absolutas pois essas não existem.
  

6*

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