quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Opinião - A Voz

Título Original: The Voice (#3 prequela Efémera)
Autor: Anne Bishop
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 128

Sinopse
 Uma obra original da autora da Trilogia das Jóias Negras, escritora consagrada nos tops do New York Times

Uma novela pertencente ao mundo Efémera

Numa aldeia vizinha da cidade de Visão ninguém conhece o sabor da mágoa e da angústia, mas essa comunidade, aparentemente idílica, esconde um segredo tenebroso. Quando era pequena, Nalah não percebia porque a mandavam levar um bolo à menina muda a quem chamavam «A Voz» sempre que se sentia mal. Sabia apenas que isso a ajudava a melhorar. Já crescida, desvenda esse mistério e anseia por fugir da aldeia opressiva onde sempre viveu. Só depois de visitar a cidade de Visão e de conhecer o Templo das Mágoas, compreende o que tem de fazer para se libertar…


Opinião

Efémera é possivelmente o mundo menos amado de Anne mas não é de certeza, inferior ou menor que qualquer um dos outros. Pontes levam-nos onde o nosso coração pertence, mundos mudam de lugar, coisas surpreendentes podem aparecer quando menos esperámos e ao longo do caminho a nossa vontade pode ser decisiva para chegarmos onde queremos.

Sebastian e Belladonna são os livros onde podem encontrar este mundo. Livros independentes entre si mas que acabam por se entrelaçar pelas ligações das personagens e do passado e presente, os livros de Efémera trazem-nos um mundo diferente do das Jóias Negras mas não deixam de transmitir a obscuridade, a beleza e a profundidade que marcam a escrita de Bishop. Publicados em 2006 e 2007, respectivamente, aguardaram até ao ano passado para verem a sua história continuada nesta prequela, prequela que antecede o terceiro livro que continua as vidas de Sebastian, Belladonna e Lee.

Bridge of Dreams, que será publicado ainda este ano em Portugal, continua os acontecimentos de Belladonna e este conto A Voz é um antecedente para o que iremos encontrar no livro sobre Lee, o irmão da poderosa e incompreendida Belladonna, preparando-nos para futuras personagens e locais que iremos de certeza encontrar neste terceiro livro.

E se todas as mágoas e ansiedades podem ser apagadas com um gesto? E se oferecer um bolo a alguém nos fizesse ser felizes e esquecer tudo? Em Visão , uma aldeia perdida, uma jovem recebe oferendas diárias, oferendas que poupam ao ofertante maus dias e maus sentimentos mas nunca ninguém questionou a razão até que uma menina descobre o segredo tenebroso que vai mudar toda a sua vida. Nalah cresce com medo e apreensão, cresce a ver o verdadeiro interior dos que a rodeiam, cresce a sentir a raiva a aumentar dentro de si até que um dia sabe que pode fazer algo para mudar a sua vida, algo que a libertará do falso paraíso em que vive, que soltará das amarras de segredos doentios e sorrisos falsos.

Mesmo escrevendo um conto, Anne Bishop consegue esmerar-se e ultrapassar tudo o que já tenham lido, criando em poucas páginas algo que vos marca, que vos faz parar, algo que mais uma vez vos irá surpreender. A sua escrita continua igual, um misto de negritude com beleza, uma complexidade inata às suas histórias, uma violência escondida por um sorriso, uma doce aparência que esconde uma alma profunda. Pegando em algo simples, a autora cria um início cheio de tudo o que ela já nos habitou, um conto que todos podem ler mesmo os que não conhecem o mundo em que a história se insere.

Numa paisagem idílica, o seu fundo é podre, negro e todos fingem não ver os abusos que todos os dias são feitos em nome de todos, todos fingem não ver a dor e o sofrimento que um simples gesto provoca, todos fingem que nada há de errado. A hipocrisia que leva toda uma aldeia a causar mal é desculpada, diminuída até alguém se levantar e dos sonhos há muito quebrados e espezinhados surgir uma nova luz de esperança que poderá salvar as magoadas, as que vêem a verdade, as que sofrem pela ganância e sentimento de bem adulterado. Aqui fala-se de poupar a dor causando-a a outro mais fraco, sozinho, esquecido. Aqui fala-se da importância da aparência, de virar à cara aos gestos errados porque aquele é o melhor da aldeia. Aqui, encontrarão as verdades esquecidas das suas vestes e tiaras, aqui podemos ver o fundo sujo das almas simples.

Com personagens tão profundas como as que já nos habitou, Anne reconta mais uma vez temas que lhe são caros e mais uma vez é soberba no que escreve. Apesar do tamanho minúsculo do livro depois de o terminarem sentirão uma satisfação, uma calma que só autores assim conseguem construir. As dívidas são sempre pagas, e os males um dia podem encontrar uma força maior.

Mais um conto onde o talento de Bishop se esmera e assalta os nossos sentidos deixando a vontade de voltar àquele mundo e reencontrar algumas personagens, de as conhecer melhor, de saber o que lhes foi feito. Um conto que se lê numa hora e nos deixa fechar a última página com um sorriso de prazer.

6*

3 comentários:

  1. Anne Bishop! <3 Também já o tenho aqui por casa, só está à espera que eu acabe o Cinder. :D

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    1. Eu li-o assim que ele chegou xD Foi tirá-lo da caixa, abri-lo e só o larguei quando acabei *.*

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  2. Olá,

    Bem não há hipótese, quando temos livro novo da Bishop para tudo :D

    Eu gosto muito da Bishop, em especial de praticamente todos os livros do universo das Joias Negras, embora foi melhor a escritora parar de escrever sobre esse universo e ainda comecei a ler este universo, até para ver como se dava fora das Joias Negras.

    Li Sebastian, um livro bom ainda assim, mas que não me puxou para ler o seguinte, provavelmente porque não calhou.

    Mas pronto aqui o importante é que o tenhas adorado ;)

    Bjs

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