domingo, 3 de março de 2013

Opinião - Criaturas Maravilhosas

Título Original: Beautiful Creatures (#1 Caster Chronicles)
Autor: Kami Garcia & Margaret Stohl
Editora: Gailivro
Número de Páginas: 480

Sinopse
 Lena Duchannes é diferente de qualquer pessoa que a pequena cidade sulista de Gatlin alguma vez conheceu. Ela luta para esconder o seu poder e uma maldição que assombra a família há gerações. Mas, mesmo entre os jardins demasiado crescidos, os pântanos lodosos e os cemitérios decrépitos do Sul esquecido, há um segredo que não pode ficar escondido para sempre.
Ethan Wate, que conta os meses para poder fugir de Gatlin, é assombrado por sonhos de uma bela rapariga que ele nunca conheceu. Quando Lena se muda para a mais infame plantação da cidade, Ethan é inexplicavelmente atraído por ela e sente-se determinado a descobrir a misteriosa ligação que existe entre eles.
Numa cidade onde nada acontece, um segredo poderá mudar tudo.


Opinião

Margaret Stohl, veterana na indústria de videojogos e professora assistente em duas universidades da Ivy League um dia, conheceu Kami Garcia, professora e artista que liderava grupos de livros de fantasia para crianças e adolescentes e juntas escreveram um livro em 2009, um livro que resultaria numa saga e cujo filme estreou na quinta passada em Portugal.
Criaturas Maravilhosas já foi publicado em 39 países, traduzido para 28 línguas e é um bestseller internacional e muitos não tem pejo em compará-lo à Crepúsculo. Nascido na altura em que amores impossíveis entre adolescentes passaram para o campo paranormal e fantástico e virou moda, obsessão e fascínio, este livro não escapou aos olhares dos fãs que queriam mais e dos que estavam preparados para fazer correr sangue.
O primeiro de uma saga de quatro cujo último volume foi publicado no final do ano passado, Criaturas Maravilhosas chega agora ao cinema envolto em polémica pela má escolha de casting e pela falha de coesão com o enredo do livro mas mostrando que a moda que o trouxe às prateleiras das livrarias continua a ter fãs e que o género veio para ficar.
Ethan é um rapaz do Sul Profundo, um rapaz de uma vila pequena que ainda vive a Guerra Civil e cujas gerações de várias famílias há muito que vivem juntas, fazem parte umas das outras e partilham as mesmas histórias e segredos. Desejoso de partir, Ethan sonha com outros locais, locais onde possa viver uma vida diferente da que lhe está destinada se ali continuar até que a nova miúda chega a Gatlin, uma miúda misteriosa, calada e descendente da família mais antiga e malfadada da região. Juntos, eles vão ter de vencer as hostilidades de uma comunidade pequena mas infelizmente o seu amor tem de vencer outros obstáculos relacionados com os seus antepassados, com segredos e noites de lua. Num local onde a magia e a História pararam no tempo, onde os erros nunca são esquecidos e os segredos são de todos, Ethan e Lena têm o relógio contra eles e cada tique-taque simboliza uma escolha sem vontades, um destino separados e estilhaços de mais um amor perdido nos pântanos do Sul.
Há primeira coisa que nos pensa pela cabeça quando começámos a ler este livro é qual terá sido a razão para o livro ter tido duas autoras pois não notámos uma qualidade fora do vulgar nem uma originalidade que justifique a co-autoria deste livro e será talvez por isso que durante toda a leitura a frustração e a irritação não nos largam. Não que eu o veja como mais um Crepúsculo mas porque num livro com toda uma história de certa profundidade e originalidade onde por trás de cada porta pode estar mais um segredo ele acaba por perder todo o brilho quando as autoras decidem centrar-se quase em exclusivo à parte romântica da história. Numa relação igual a tantas outras em livros deste género, o amor de Ethan e Lena peca por tentar ser mais maduro e peca por determinar, controlar e prender tudo à sua volta quando podia ser apenas um efeito, um acessório numa história de beleza antiga e amaldiçoada que acaba por não ser.
A coisa que adorei neste livro, aquilo que me fez lê-lo e querer mais e sentir-me tão frustrada foi o ambiente, aquele belo, profundo e enfeitiçante ambiente negro de bayou onde o Sul, o seu passado e cultura brilham juntamente com toda a história dos Encantadores, onde a fantasia que as autoras criaram se liga na perfeição com o ambiente que escolheram. Tudo o que depois se relaciona com a magia de Lena e a sua família é uma mais-valia, é aquilo que nos faz devorar as páginas mas infelizmente não é suficiente e o facto do resto do livro não corresponder com isto só faz com que o leitor se irrite durante a leitura e se sinta enganado pois as autoras colocaram tudo isto em segundo plano e meteram o amor meloso, chato, fraco e inverosímil de Lena e Ethan em primeiro e único plano.
A falha grande deste livro será por ao tentar encontrar a originalidade acabar por cair em mais um cliché e esse soar ainda menos credível. Vermos a história pelo lado de Ethan é aborrecido, plano, sem graça pois além de ele não soar a rapaz normal de 16 anos por ser demasiado maduro, demasiado meloso, demasiado perfeito do outro lado temos Lena e eu juro que dava tudo para conhecer aquela personagem e que se tivesse sido contado do lado dela este livro tinha sido algo de bom, muito bom. Mas Lena quase não se vê nem se nota tirando nas cenas que deviam ser românticas mas que soam tão exageradas que não parecem sê-lo e temos Ethan e mais Ethan e não, ele não é o melhor dos protagonistas. Para salvar do aborrecimento atroz que foi esta leitura e fazer frente aos clichés de meninas de claque malvadas, amigos obtusos e malucas obcecadas temos a família de Lena, ou melhor Macon e Ridley e a empegada de Ethan, Amma. Estas são as personagens que salvam o dia e nos fazem ler mais uma página para depois levarmos com o aborrecimento atroz da doçura excessiva do moço.
Este livro podia ter sido algo grande, algo tão bom e tão fantástico que quase ninguém teria um dedo a apontar mas dos alicerces de algo soberbo fez-se algo sem sal, sem piada e que mata tudo o que de bom o livro tinha. Não quero chamar-lhe decepção porque realmente surpreendeu-me em termos de ambiente e história de fundo mas o resto não permite esquecer a frustração que foi ler este livro. Deixou-me indecisa, irritada e sem saber se terei coragem de pegar no próximo pois odeio ver talento desperdiçado mas veremos, para já ainda é uma dor aqui no peito.

4*

4 comentários:

  1. Eu acho que vou ficar-me pelo filme. Esses clichés que falas irritam-me profundamente! Mas pode ser que mude de ideias...

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    1. Se não fossem estes clichés Jojo que livro que ele seria!
      Já me disseram que o filme não tem nada a ver com o livro, é uma daquelas adaptações quase inventadas loool

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    2. Às vezes, os autores não têm culpa de cair nos clichés, só têm o azar de os livros serem publicados imediatamente depois de uma moda ter explodido e eu já estou farta dessa temática. Se bem que gostei muito dos livros da Cassandra Clare.

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    3. Nisso tens razão até porque elas tentaram sair deles o problema é que acabaram por se enterrar ainda mais visto que o livro saiu depois de não sei quantos...
      Ainda não li Cassandra Clare mas espero ler este ano antes do filme sair =D

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