terça-feira, 5 de março de 2013

Opinião - A Menina na Falésia

Título Original: The Girl on the Cliff
Autor: Lucinda Riley
Editora: Edições ASA
Número de Páginas: 528

Sinopse
 Grania Ryan tem em Nova Iorque a vida com que sempre sonhou. Tudo é perfeito até ao dia em que o seu desejo mais íntimo é brutalmente estilhaçado. Arrasada, Grania decide voltar à Irlanda e aos braços da sua adorada família. E é aqui, à beira de uma falésia, que conhece Aurora Lisle, a menina que vai mudar profundamente a sua vida. A ligação entre ambas é imediata e profunda. Pouco a pouco, Grania descobre que as histórias das suas duas famílias estão estranha e intrinsecamente ligadas... De um agridoce romance na Londres do tempo da grande guerra a uma relação tempestuosa na Nova Iorque contemporânea; da devoção a uma criança terna e carente a memórias esquecidas de um irmão perdido, o passado e o presente das famílias Ryan e Lisle estão unidos há um século. Cem longos anos de equívocos e segredos, paixões e ódios... Apenas a intuição e a coragem de Aurora poderão quebrar o feitiço e vencer as barreiras que o passado ergueu. Assombrosa, terna e comovente, a história de Aurora é uma inspiração para todos nós. Um exemplo de como a esperança e o amor podem ultrapassar todas as perdas.

Opinião

Nasceu na Irlanda mas mudou-se para Londres para ser uma estrela. Trabalhou como actriz em filmes, televisão e teatro mas aos vinte e quatro anos Lucinda decidiu pegar nessa experiência e escrever um livro, um livro que seria o primeiro de sete sob o pseudónimo de Lucinda Edmonds contudo a sua vida pessoal colocou a veia de escritora em pausa mas a paixão pela História e o envolvimento na construção de uma casa na Tailândia fizeram-na regressar as histórias como Lucinda Riley.
Desde 2010, Lucinda escreveu três romances que têm conquistado os leitores um pouco por todo o mundo. A Menina na Falésia, primeiro romance da autora publicado em Portugal, é um bestseller internacional, faz parte da lista do New York Times e já foi traduzido para mais de dez línguas.
Tal como a História, a vida é cíclica, tudo o que aconteceu pode voltar e em cada geração a história pode repetir-se mas ciclo nenhum é igual e os finais dependem não só das linhas escritas pelo destino mas também da alma dos que os reescrevem. Gerações partilham amores, segredos e rancores, duas famílias guardam amargas recordações em cartas envelhecidas, caixas guardadas a sete chaves mas quando uma criança lhes arrebata os corações o perdão torna-se algo possível.
Ao longo de décadas, escolhas e memórias têm deixado a sua marca em duas famílias que unidas por sangue, amores e desilusões se afastaram e esperaram, temendo o passado mas mais ainda a ironia das Moiras e o passado não muito distante. Na falésia, no fim do mundo, passagem para outro mundo uma dança delicada, bela e absorvente pode mudar tudo, devolver tudo e dar o que nunca se esperou. Entre passado e presente, entre três cidades tão diferentes a história escreve-se mas o final, ah esse final, é impossível de se prever.
Lucinda escreve-nos uma história intemporal, mágica onde as ligações familiares são como uma dança de beleza única, uma dança de recuos e decisões, uma dança de tristeza e felicidade que nos arrebata, nos quebra e devolve-nos a vida e as emoções com uma força quase divina. Com uma escrita delicada mas poderosa, a autora cria uma narrativa de acasos e certezas, um enredo onde nada é como esperámos, onde tudo é possível. Como primeira obra lida da autora, A Menina na Falésia é uma vitória agridoce, uma leitura de lágrimas onde a felicidade não pode ser plena mas é humana, recheada de erros e escolhas difíceis, onde o caminho é escrito através de atalhos, de coisas escondidas e monstros reais, uma leitura em que o ser humano e a família, o amor maternal e o crescimento nos são relatados com a verdade crua mas também com soberba mestria e doçura.
Contado na forma de memórias e histórias recontadas, este livro é um relato onde duas famílias se unem e separam, onde as crianças mágicas forçam escolhas e amores indestrutíveis, onde elas são a chave, a chave que pode unir ou separar. Como um bailado de intensa espiritualidade, este livro não é um conto de fadas mas este é ambicionado pelos desejos e sonhos das personagens e, as princesas, as etéreas e inesquecíveis princesas transformam esta história da vida humana em algo mágico, algo cruel, algo maravilhoso. De geração em geração, vamos conhecer medos, anseios, escolhas e amores, vamos conhecer mulheres e homens que escreveram a sua história e dos seus descendentes umas vezes com altruísmo, outras com destruição eminente, vamos sofrer e compreender, vamos perceber que o ser humano pode ser a coisa mais forte e doce ou a mais egoísta e avassaladora.
Entre expectativas e reviravoltas nunca, em página alguma, poderão adivinhar o que vão encontrar a seguir, nunca em momento algum poderão estar preparados para a forma como afinal nós não compreendemos a mente e o coração humano mas que autora conhece tão mas tão bem. Cada capítulo é uma experiência nova e não, a felicidade nunca está garantida porque há que guerrear por entre os tumultos e os erros por ela pois ela exige uma força e uma capacidade que nem todo o ser humano consegue. Em palavras que podiam ser transmitidas numa dança, a autora apresenta-nos as fragilidades, o sombrio fundo da alma humana, o seu egoísmo mas também a luz que ilumina os nossos corações, a vontade férrea de dar e os nossos sentimentos que podem elevar-nos ou quebrar-nos.
Com personagens que marcaram a vossa memória para sempre, personagens que vos provocarão fúria mas também um doce carinho, viverão cada história desta história entrelaçada como se pudesse ser a vossa e conhecerão a doce, inteligente e etérea Aurora, não a Bela Adormecida mas a menina que será os vossos olhos, a vossa voz ao longo desta leitura, a menina que vos conquistará, a menina que é tempestade e a bonança. Aurora é uma personagem que não mais esquecerão, uma personagem que ficará gravada a fogo em nós leitores, uma personagem como poucas são criadas. Com ela entenderão a vida, os sentimentos, as escolhas, com ela iremos viver para todo o sempre.
Esta foi a minha primeira leitura desta autora e não pode ser a última pois Lucinda Riley tornou-se um nome obrigatório na estante com uma história única e soberba, uma história que vive e revive perante os nossos olhos. Uma escritora exímia, de talento incontestável Lucinda é uma autora que todos deviam ler e reler e garanto-vos que não ficarão pela primeira vez.

7*

2 comentários:

  1. \o/ ainda bem que gostaste!!! É um livro maravilhoso e com esta opinião fiquei até com vontade de relê-lo

    Maio chega depressa :P

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