sábado, 30 de março de 2013

Opinião - Predestinado

Título Original: Changeling (#1 A Ordem das Trevas)
Autor: Philippa Gregory
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 312

Sinopse
 Estamos em 1453 e todos os sinais apontam para que o fim do mundo esteja iminente. Acusado de heresia e expulso do seu mosteiro, Luca Vero, um atraente jovem de 17 anos, é recrutado por um misterioso estranho para registar o fim dos tempos por toda a Europa.
Obedecendo a ordens seladas, Luca é enviado a cartografar os medos da Cristandade e a viajar até à fronteira do bem e do mal. Isolde, de 17 anos, abadessa, está presa num convento para impedir que reclame a sua enorme herança. Quando as freiras ao seu cuidado enlouquecem com estranhas visões, sonambulismo e exibindo estigmas, Luca é enviado para investigar e todas as provas incriminam Isolde.
No pátio do convento constrói-se uma pira para a queimar por bruxaria. Forçados a enfrentar os maiores medos do mundo medieval – magia negra, lobisomens, loucura – Luca e Isolde embarcam numa busca pela verdade, pelo seu próprio destino e até pelo amor, enquanto percorrem os caminhos desconhecidos até à personagem histórica real que defende as fronteiras da Cristandade e detém os segredos da Ordem das Trevas.


Opinião 

Autora histórica incontestável, escritora de inúmeros sucessos literários, Philippa Gregory é a senhora da ficção histórica no que à História de Inglaterra concerne. Historiadora e escritora, Philippa estreou-se na escrita em 1987 com a trilogia Wideacre mas foi com os seus livros sobre a corte Tudor que atingiu a fama e o sucesso. Agora a escrever uma nova série sobre os Plantagenetas, a autora que sempre se dedicou à ficção histórica decidiu enveredar por outras épocas e géneros literários. Enquanto escrevia A Filha do Conspirador, Philippa decidiu escrever outro tipo de livro, um livro que a divertisse, que reflectisse um tempo histórico mas que não estivesse enraizado tanto na realidade. Assim nasceu o primeiro livro de uma nova série para jovens adultos, uma série de outra época diferente do que a autora já nos habituou.
Publicado em 2012, Predestinado surpreendeu, deixou alguns de pé atrás e dividiu opiniões mas sem dúvida que deixou curiosos os leitores regulares da autora que nunca a tinham lido fora do género do costume e se viram presenteados com esta aventura pela Itália medievalista num mundo prestes a quebrar-se pela perda de Constantinopla às mãos dos infiéis, mais perto do que nunca...
Demasiado inteligente para o seu próprio bem, Luca passa de herege a instrumento da fé, de rapaz órfão a membro de uma ordem que tem de parar a ascensão do Império Otomano a todo o custo e defender a igreja de todos os males e inquiridor do Santo Padre cuja missão é erradicar tudo o que possa colocar em causa a fé cristã neste momento de desordem. Isolde, criada para herdar o poderio do pai e ser a dama e senhora perfeita, acaba por ver todo o seu mundo virado ao contrário quando o pai morre e descobre que afinal de senhora do castelo vai passar a ser abadessa de um convento, um convento que com a sua chegada vai ser palco de bruxaria e desordem. Os destinos de Luca e Isolde unem-se no meio de desconfiança e meias verdades, por entre acusações de bruxaria, visões e crenças, eles vão ter de aprender a confiar um no outro e deixar que os seus caminhos andem lado a lado.
Philippa Gregory é uma escritora que escreve a história como ninguém mas este livro foi como uma facada directa ao coração. Quem está habituado a sua forma de escrever detalhada, clara e verosímil vai, não só, estranhar este livro como sentir-se muito, muito desiludido. Esta não é a praia da autora e nota-se a léguas pois se ela costume encantar-nos com a forma como desenvolve e recria uma história, como entrelaça história e ficção, aqui isso, pura e simplesmente não acontece. A verdade é que esta narrativa é uma trapalhada imensa, sem pés nem cabeça onde os acontecimentos e as personagens parecem que não se ligam, não se conjugam de uma forma natural mas antes de forma confusa e pouco credível. A culpa não será do género escolhido, longe daquele que é o habitual da autora mas parece-me que do facto de que ela não consegue desenvolver algo que não se baseia nem em personagens nem em factos conhecidos, parece que quando se trata de deixar só a imaginação funcionar que a autora se perde e não consegue construir algo que soe ao leitor.
Claro que o seu costume de apresentar detalhes históricos está lá e estes enriquecem a leitura mas não trazem nada de novo, pelo menos a mim que estudo esta área, parece que servem para encher páginas com pormenores e depois não se reflectem na restante narrativa que se desenvolve rapidamente e sem grandes explicações. Muitos dos acontecimentos como a forma como se resolve o mistério do convento acontecem sem nos apercebermos como pois se nos parece que só as personagens não se estão a aperceber do que se passa, de repente, eles sabem tudo e resolvem tudo sem chegarmos a perceber como é que eles fizeram isso. O mistério nunca chega a ser mistério pois desde o início que se percebe como vai acabar, quem está por trás e porquê e, aqui tenho de chamar a atenção para a sinopse bastante enganadora do livro que nada acaba por ter a ver com mais de metade do livro e parece-me que ou a tradução está uma desgraça ou a autora cometeu uns errozinhos ali pelo meio.
Depois temos as personagens e estas não são nada, nada como é hábito em Philippa que escreve personagens de força e presença imensa e aqui não há profundidade, apego ao leitor, nada. As personagens são bidimensionais, pouco credíveis e apelativas exceptuando Freize e Ishraq pois os protagonistas para além de insonsos nem reais parecem. As ligações estre eles são fracas, pouco desenvolvidas e pontuam por momentos estranhos.
Sim este livro foi uma desilusão daquelas e não vou ler o resto da trilogia. Gosto muito da autora em ficção histórica mas neste género ela não tem a presença a que nos habitou, quer se concorde com ela ou não. Sinceramente nem sei que diga sobre este livro, acho que abismada é a expressão certa para o que sinto dele.

2*

5 comentários:

  1. Olá, deixei te um selo no meu blog http://esmiucar-pag-a-pag.blogspot.pt :)

    ResponderEliminar
  2. Bem, agora que li a tua opinião, vou eu própria tentar inspirar-me para fazer a minha opinião!

    Quando estava a ler a opinião, lembrei-me da parte do lobisomem, e como aquilo parece que caiu do céu na história. Por momentos, pensei que tinha mudado de livro!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ainda bem que pude ajudar =P Quando acabei a opinião estava com uma dor de cabeça daquelas...

      Também eu! É que eu não percebi de onde saiu aquilo...e afinal não era lobisomem nenhum -.-'

      Eliminar
  3. Estou com vontade de te dar um abraço, finalmente alguém que achou o mesmo que eu do livro. Já estava a achar que o problema era meu, de nunca ter lido a autora. :/

    Honestamente, acho que a autora tinha uma ideia errada do que era YA, porque se ela achava que bastava escrever uma história simplória para captar a audiência YA enganou-se. Podia ter feito tão melhor, e captado futuros leitores das suas histórias mais adultas, mas assim... :/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E eu a ti!!!*.* Na, o problema é mesmo da Phi que não dá para isto =/

      É que é mesmo simplória =s Não sei se é por ela escrever histórias com personagens e histórias reais e aqui isso não ter acontecido e ela ter andado perdida...olha não sei! Só sei que isto foi uma desilusão =(

      Eliminar