domingo, 19 de maio de 2013

Opinião - Crossed

Título Original: Crossed (#2 Matched)
Autor: Ally Condie
Editora: Penguin
Número de Páginas: 255

Sinopse
 The highly anticipated second book in the Matched trilogy!
Chasing down an uncertain future, Cassia makes her way to the Outer Provinces in pursuit of Ky--taken by Society to his certain death--only to find that he has escaped into the majestic, but treacherous, canyons. On this wild frontier are glimmers of a different life . . . and the enthralling promise of rebellion. But even as Cassia sacrifices everything to reunite with Ky, ingenious surproses from Xander may change the game. On the edge of Society, nothing is as expected, and crosses and double crosses make Cassia's path more twisted than ever.

Opinião


  Ally era professora de Inglês mas hoje com o seu sucesso do seu primeiro livro, é escritora a tempo inteiro. Apesar disso continua a actualizar a sua licença porque nunca se sabe quando irá precisar dela. Mãe, esposa, Ally tem três filhos e uma filha com quem vive mais o marido em Salt Lake City. Continua a fazer as mesmas coisas de antes, como ler e correr, e está actualmente a trabalhar no seu novo projecto, uma história que se passará numa cidade debaixo de água e cuja protagonista deseja viver à superfície. Fãs de União e Pequena Sereia esta poderá ser a vossa nova história preferida mas só deverá ser publicada no final do ano que vem.

  A continuação muito ansiada de União e cuja publicação em Portugal ainda é uma incógnita, Crossed foi publicado em 2011 e já foi traduzido para mais de trinta países. Quanto ao filme, parece que é desta que irá acontecer. A Disney comprou os direitos e o realizador deverá ser David Slade, o mesmo de Twilight: Eclipse. O último livro da trilogia, Reached foi publicado em Novembro último.

  Para lá da segurança que sempre conheceste existe um vazio, um vazio onde ninguém sabe o que acontece, um vazio que todos fingem não existir. Mas para encontrares o que mais queres vais ter de te aventurar nas terras desconhecidas, vais ter de te colocar numa posição vulnerável. Podes ter de desaparecer, podes ter de te colocar em risco. Mas no inóspito está mais do que aquilo que procuras, pode estar a mudança que o teu coração deseja. Resta saber se será aquilo que esperas… Numa fuga por amor, as mentiras e a revolta ganham protagonismo e em esconderijos e aliados inesperados pode-se encontrar as verdades que os que amámos calam. Só que os sonhos e a realidade não são muitas vezes a mesma coisa.

  Mais uma vez, Ally arrebata-nos com a sua bela escrita lírica que demonstra bem o porquê da sua trilogia ser um caso excepcional nas distopias que têm sido publicadas. Com uma beleza única, União e, agora, Crossed são casos onde não é necessário a brutalidade expressiva para os leitores se sentirem agoniados com uma realidade onde escolha, liberdade e decisão não nos pertencem. Através de um enredo onde a opressão é subtil, onde as amarras são invisíveis, Ally leva-nos agora à luta, à fuga e ao mesmo tempo, ainda nos dá as réstias de uma confiança numa sociedade onde parecia existir segurança e verdade. Numa corrida contra o tempo, num cenário isolado e deserto, a autora leva-nos mais longe neste livro, apresenta-nos uma outra realidade e aposta no inesperado para adensar a trama. 

  Depois da simplicidade e poder do primeiro volume, esperava que este livro mantivesse as mesmas qualidades que me haviam conquistado mas Crossed consegue ser mais e menos ao mesmo tempo. Mais porque surpreende, sem dúvida. Não só com a mudança de ambiente como também com os segredos que vão sendo desvendados ao longo do decorrer da leitura. Menos porque acaba por não ter o mesmo impacto que União teve. Apesar das surpresas que nos traz, não consegue manter um ritmo constante e coerente, o que, como livro intermédio de uma trilogia era necessário pois alguns pontos continuam sem explicação e muitas dúvidas nos esperam no final do livro. Muitas vezes parada e agoniante, a acção tanto nos prende pela expectativa como nos deixa frustrados, daí que este seja um livro difícil de julgar.

  Ao longo da leitura o sentimento de expectativa mantem-se sempre. Esperámos pelo reencontro, esperámos pelo desvendar dos segredos e das vontades, esperámos para ver como tudo acaba e acabámos a esperar o que se segue. Este é um livro que vai deixar os fãs num estado caótico por isso mesmo e se numas situações isso é bom pela forma como a autora consegue fazer evoluir a relação de Ky e Cassia ou como nos apresenta o que existe fora da sociedade ou como a revolta está a ser preparada, por outro lado, cria situações em que parece faltar coerência às personagens pelas dúvidas que a autora lhes parece impor e essas mesmas dúvidas criam um conflito entre o leitor e a história que acabam por tornar este livro um caso de amor/ódio. 

  O melhor elemento deste livro é o facto de podermos ver as perspectivas de Cassia e Ky. Dessa forma compreendemos as indecisões, as vontades e desejos dos protagonistas e conseguimos no meio de algumas coisas incoerentes encontrar algo que faça sentido. A perspectiva de Ky é muito mais empolgante que a de Cassia, tudo porque ele se mantem fiel à personagem que conhecemos no livro anterior. Ele continua a ser um lutador, um mistério e um rapaz apaixonado e capaz de tudo. Já Cassia perde pelas incoerências que a autora nos parece querer impingir. Nas acções, Cassia é a mesma personagem que conhecemos, mas mais adulta, mais forte, mais corajosa mas em pensamentos parece-nos fraca, ilógica e indecisa, tudo porque a autora acha que deve ter um triângulo amoroso que a meu ver não existe neste livro. E aqui tenho de falar de Xander. Apesar de não aparecer muito, esta personagem foi a minha grande dor de cabeça. No início o típico menino perfeito, Xander começa a revelar-se e afinal não é nada mas nada perfeito, só que parece existir uma tentativa de o meter num pedestal. Lamento, não funcionou comigo pelo menos.

  Aqui a autora continua a usar o psicológico como arma da Sociedade e mais uma vez é brilhante nisso. Apesar de não estarmos geograficamente dentro da Sociedade nunca sentimos segurança mas sim a sensação que ela nos persegue ao longo de gestos, momentos e palavras. Jogada inteligente visto que as personagens nunca baixam a defesa a espera do que se seguirá. Este controlo psicológico funciona ainda melhor na protagonista. Cassia já não confia na Sociedade mas tem os costumes de uma vida enraizados e vemos muitas vezes essa luta nas suas acções. 

  Uma leitura complexa e difícil de classificar, Crossed acaba de uma forma que nos impele a querer ler o próximo no mesmo instante em que o terminámos mas deixa-nos um sabor agridoce na boca.

6*
 
As minhas opiniões da série

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