terça-feira, 28 de maio de 2013

Opinião - A Justiça de Kushiel

Título Original: Kushiel's Avatar (#3.2 O Legado de Kushiel)
Autor: Jacqueline Carey
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 384

Sinopse
 Kushiel barra o caminho de Phèdre, severo e ameaçador. Numa mão, segura uma chave de bronze, e na outra… um diamante, enfiado num cordão de veludo. Phèdre nó Delaunay, a eleita dos deuses para suportar um indizível sofrimento com infinita compaixão é a vítima perfeita, a "oferenda sem igual" cuja profanação assegurará a ascendência de Angra Mainyu, O Senhor das Trevas. A morrer, pensa Phèdre, será às mãos do amor. Mas o amor é uma força assombrosa, e amor há que desafia todas as probabilidades…

E o Amor reina em força neste volume pungente, a encerrar a saga de Kushiel. O amor de Joscelin por Phèdre, seu Companheiro Perfeito que tudo dá por ela. O amor de Phèdre pela sua rainha, que quer Imriel de la Courcel de volta, o amor de Phèdre por Hyacinthe, seu único e verdadeiro amigo, por toda a eternidade condenado ao cativeiro como Senhor do Estreito. O amor de Phèdre por Imriel, apenas amor simples e destituído de adornos. O Lungo Drom de Phèdre e Joscelin continua, por um lendário rio abaixo até uma terra esquecida de todo o mundo. E até um poder tão imenso que ninguém ousa proferir o seu nome.

Ousará Phèdre? Ousará Phèdre receber o Nome de Deus e com ele obrigar a que libertem Hyacinthe? "Para receber o Seu Nome", instruiu o místico yeshuíta Eleazar ben Enokh, "d'Ele nos deveremos acercar em perfeita confiança e amor, do nosso ser fazer um recetáculo onde o nosso ser não esteja." Logrará Phèdre fazê-lo?

Opinião 


  Formada em Psicologia e Literatura Inglesa, Jacqueline foi desde sempre uma leitora ávida, alguém com uma grande paixão por livros mas a escrita foi um passatempo que apenas lhe adveio na escola secundária. Enquanto esteve a viver em Londres, onde trabalhou numa livraria, o passatempo tornou-se uma paixão e escrever profissionalmente um sonho. Como Jacqueline adora fazer pesquisa sobre os mais variados assuntos, principalmente os de tipo misterioso, e uma grande afinidade por viagens, material para os seus livros não lhe faltava e, uma década depois, essa paixão deu finalmente frutos. 

  O Dardo de Kushiel foi o seu primeiro livro e o início de uma carreira brilhante na fantasia. Fazendo parte de uma trilogia que mais tarde haveria de se tornar em três passadas no mesmo mundo, este livro recebeu vários prémios e críticas entusiastas de autores como George R. R. Martin com quem Jacqueline já colaborou num livro de contos, entre outros autores. Para além das trilogias passadas em Terre D’Ange, a autora tem outra de fantasia épica e duas de fantasia urbana.

  A Justiça de Kushiel é a segunda parte do último volume da Saga de Kushiel, ou seja, é o fim das aventuras de Phèdre e Joscelin, por isso, imensamente aguardado pelos fãs da saga.
Ela foi escolhida para ser um dardo, o dardo de um deus sem misericórdia, um instrumento de dor e tormento. Amaldiçoada, abençoada, Phèdre tornou-se uma lenda, uma personagem de cantigas, histórias sussurradas e gritadas, uma personagem cujo nome percorre as estradas das intrigas e da paz. E, mais uma vez, a sua coragem, a sua entrega é necessária mas esta demanda é a mais preciosa, a mais perigosa que a anguissette já viveu e nela, pode reconquistar alguém dedicado ou perder tudo o que venceu à custa de sangue e lágrimas. Por entre terras imaginadas, há muito perdidas, por pedaços de mundo esquecidos pelos deuses, por caminhos que gelam a vontade dos mais poderosos, Phèdre e Joscelin vão arriscar o que de mais precioso têm e descobrir a verdadeira essência do mote das suas vidas. Ama à tua vontade.

  Com uma mestria incomparável, Jacqueline termina aqui uma saga de intrincados segredos, complexas conspirações e amores atormentados, uma saga que livro a livro tem arrebatado os leitores e que provou que a rendição é a arma mais poderosa que podemos ter. De uma beleza sem par, a escrita da autora enreda-nos numa teia de encantos obscuros e fascínios obsessivos que nos tortura e enfeitiça ao longo de momentos intensos, poderosos, momentos que nos arrancam o fôlego e partem o coração. Do início ao fim, Jacqueline assombra-nos com a elegância, cuidado e complexidade com que dá vida a esta história, uma manta de retalhos de pequenas histórias e lugares aos quais a autora adiciona o negrume, a opulência, a beleza e o poder do seu mundo onde o amor é a chave para todos os actos, o caminho para a redenção e a base para a vida.

  Aqui visitaremos o inferno, o local dos horrores, o sítio onde os desejos mais obscuros nos são arrancados. Aqui conheceremos o paraíso, o lugar onde a paz e a cura devolvem o que abruptamente foi tirado. Aqui compreendemos o que é o amor perfeito, o amor que vence tudo e renasce em glória. Pois esta história é sobre o amor em todas as formas, das mais cruéis às mais doces, e conta-nos como ele jamais pode ser perdido, como ele sempre se encontra. Entre intrigas cortesãs e lendas antigas, por terras inóspitas, longínquas e esquecidas, vemos a imensidão, a complexidade do mundo que Jacqueline criou, um mundo de um requinte tortuoso, de uma voluptuosidade estudada, onde tudo se interliga da forma mais espantosa, onde os sussurros escondem vontades e decisões que podem mudar tudo e todos.

  Na mais perigosa e sentida das demandas, tudo nos é arrancado e se este é o livro mais negro da saga é também o mais luminoso, pois é preciso ver a escuridão total para abarcar a luz etérea. Da destruição ao perdão há um longo percurso, cheio de perigos, monstros e insanidades. Há a probabilidade de a morte nos levar, há a possibilidade de nada sarar mas há destinos, há dores que nos exigem isso e muito mais, por isso, arriscar é a única maneira e a força a única de forma de reconquista. Num relato que nos doí, atormenta, existe também paixão, doçura e ao longo da leitura, percebemos que aquilo que Phèdre é está espelhado em cada momento deste livro. A luz e o escuro, a maldição e a bênção, o prazer e a dor, são dois lados da mesma face, são as raízes dos seus opostos, são os pares inseparáveis porque nesta história, tal como na vida nada é bidimensional.

  Através de personagens apaixonantes, personagens que nos marcam e conquistam, vivemos cada folgo, cada lágrima, cada grito desta aventura que chega agora ao fim e com Phèdre e Joscelin aprendemos o que é amar incondicionalmente, o que é o amor na sua essência. Inesquecíveis, eles são o casal perfeito, e por eles chorámos, bradámos, trememos. Por eles exigimos um final feliz, pois amor como o deles jamais existiu. 

  Estas são personagens em que nos reconhecemos. São humanas, são frágeis e poderosas, têm um bom lado e muito a esconder mas, também têm um lado divino, o lado dos heróis que tudo arriscam e tudo vencem. E é por isso que esta não é uma história de cortesãs mas sim de amores, de deuses, de lendas.

  Sublime, A Justiça de Kushiel é o final que todos esperávamos e mais ainda. Um fim perfeito para uma saga que melhora livro a livro, o fim ideal para uma história de sacrifícios e paixões, este livro prova mais uma vez o imenso talento de Jacqueline e o porquê desta ser uma das melhores sagas da fantasia histórica. Deixa saudades, muitas horas de leitura desenfreada e uma vontade imensa de ler o restante trabalho da autora. Obrigada Jacqueline.

7*
 
As minhas opiniões da série

6 comentários:

  1. Olá,

    Que grande comentário e ainda por cima sem spoilers, consegues transmitir tudo o que de bom a escritora tem e depois de ler o teu comentário, fiquei com vontade de interromper o livro que estou a ler (tem a ver com uma parceria) e pegar de imediato neste, pois já o tenho e saber como fica encerrado este ciclo de Kushiel :)

    Penso que este tempo todo sem publicar o livro não foi bom, dado a complexidade do enredo e poder ser algo difícil enquadrar-nos devidamente no enredo, mas acredito que apenas aconteça nas primeiras páginas ;)

    Já se sabe que a Editora não pensa editar mais livros desta escritora, é cruel pois tem imensa qualidade e na minha opinião não vence muito por culpa de a Editora não divulgar devidamente os seus livros (e digo-te que tenho consciência que é muito caro divulgar os livros, falar é fácil)mas a Carey merecia.

    Da minha parte será sempre uma escritora recomendada e estarei sempre a divulgar os seus livros.

    Parabéns pelo comentário está excelente ;)

    Bjs

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    1. Olá,

      Foi muito difícil fazer esta opinião pois não há palavras para descrever a beleza e o requinte desta saga mas acho que consegui transmitir as sensações e ideias que ela transborda. Eu diria para te agarrares a ele xD É um grande fim para este ciclo da vida deles e deixou-me com mais vontade ainda de ler a trilogia do Imriel =)

      De facto foi um longo ano mas penso que não haja muita dificuldade em voltar a reentrar na história.

      Acho uma tristeza eles não apostarem mais nesta autora, pelo menos na trilogia do Imriel. Falta divulgação a esta saga mas a verdade é que também não é um livro fácil de gostar porque a divisão dos livros acaba por retirar a vontade aos leitores de continuarem. Nós fãs sabemos que muita coisa muda ao longo dos livros mas quem leu o primeiro e não conseguiu entrar logo na história não pode saber isso...

      Eu faço questão de a aconselhar a toda a gente. É uma saga maravilhosa de uma qualidade imensa!

      Obrigada ;)

      beijinhos

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  2. Ai, a tua opinião deixou-me torturadinha para o ler... tinham de lançar o livro durante a Feira do Livro, quando uma pessoa anda deslumbrada com as promoções! xD

    Vais-te rir, mas li esta opinião na minha cabeça com a tua voz, como se ma estivesses a ler em voz alta. xP

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    1. Era essa a intenção xD

      A sério??=O Espero que isso seja bom sinal lool Se quiseres eu também te a leio em voz alta e o vivo para te torturar ainda mais =p

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  3. Como já tive oportunidade de dizer no forum Bang é pena sermos poucos pois a autora tem muita qualidade, mas nisto, como já bem sabemos, a qualidade não é um predicado para se ter boas vendas, o que é uma pena.

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    1. Tens toda a razão Marco, infelizmente qualidade não é sinónimo de vendas o que neste caso e noutros é uma tristeza e depois nós fãs ficámos agarrados =/

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