sábado, 29 de junho de 2013

Opinião - Anna e o Beijo Francês

Título Original: Anna and the French Kiss
Autor: Stephanie Perkins
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 288

Sinopse
 Anna Oliphant tem grandes planos para o seu último ano em Atlanta: sair com a melhor amiga, Bridgette, e namoriscar com um colega no cinema onde trabalha. Por conseguinte, não fica muito contente quando o pai a envia para um colégio interno em Paris. As coisas começam a melhorar quando ela conhece Étienne St. Clair, um rapaz deslumbrante - que tem namorada. Ele e Anna tornam-se grandes amigos e as coisas ficam infinitamente mais complicadas. Irá Anna conseguir um beijo francês? Ou algumas coisas não estão destinadas a acontecer?


Opinião

  De cabelo azul ou vermelho e fanática por beijos (a sério, não acham que os filmes e livros têm poucos beijos??) e homens de sotaque britânico, Stephanie tem já uma longa relação com livros. Vendeu livros, foi bibliotecária e hoje é escritora de livros para jovens que os adultos também podem ler. Em 2010 começou a aventura com autora publicada com o primeiro livro da sua trilogia, Anna e o Beijo Francês, publicado em doze países e que tem conquistado inúmeros fãs, existindo uma multidão completamente desesperada à espera do terceiro livro que só sairá em 2014. 

   Apesar de só ter estado em Paris um mês e falar francês de uma forma péssima, Stephanie decidiu escrever um livro nesta cidade porque teve um sonho. Sim, um sonho onde um lindo rapaz de nome francês e sotaque britânico estava sentado nas escadas do Panteão e ela pura e simplesmente não lhe conseguiu resistir.

  Casada com o melhor amigo, Jarrod, Stephanie vive em Asheville, Carolina do Norte numa casa centenária cujas divisões estão pintadas com as cores do arco-íris, pois parece que ela gosta mesmo de cores, por isso ela deve adorar a nossa capa. Ah, com eles vive também Mr. Tummus, o gato.

  E se o teu último ano de secundário fosse não noutra cidade mas noutro país? Um país com uma língua que não fazes a mínima ideia como se fala, com uma cultura de que não conheces praticamente nada e cuja comida ouviste dizer, é muito requintada mas pouco satisfatória? Longe de tudo o que conhece, da família e dos planos fantásticos que tinha para o seu futuro próximo, Anna é deixada sozinha em Paris, cheia de saudades de casa e com medo do ano solitário que se avizinha mas rapidamente consegue um grupo de amigos e, nesse grupo, está Étienne, o americano internacionalizado super giro. Ao longo de um ano cheio de peripécias, loucuras, discussões e lágrimas, Anna vai descobrir uma lição muito importante. Que casa não é um local mas onde as pessoas que realmente importam estão e, que o primeiro amor, é muito mais complicado e belo do que ela imaginava.

   Quem olha para este livro pode pensar que não precisa de o ler para saber o que ele é mas Anna e o Beijo Francês é uma autêntica caixa de surpresas, cheia de doces, cores e magia das emoções que irá surpreender-vos e mostrar que o melhor está nas coisas mais simples, nos gestos mais pequenos e nos sentimentos mais sinceros. Stephanie consegue através de um enredo simples e fluído criar algo fantástico, puro e doce que nos enlaça nas suas palavras, que nos aconchega e faz sonhar, rir, acreditar. Pelas ruas de Paris, nalguns locais emblemáticos ou em sítios típicos da cidade, percebemos que Paris não é só a cidade mais romântica do mundo mas também um local onde todos os dias se aprende, onde todos os dias descobrimos uma surpresa mais brilhante que a do dia anterior. Com um talento e um jeito que só quem ama a vida e o poder dos gestos pode ter, Stephanie leva-nos numa viagem de amizades, tensões familiares, primeiros amores e sonhos por conquistar onde a espontaneidade dos gestos está sempre presente, onde os medos podem esconder desejos, onde a camaradagem está numa palavra, num sorriso. 

  De uma forma deliciosa, romântica e inocente, este livro fala-nos daquele momento em que a inocência começa a ir-se, daquele momento em que os nossos actos passam a ter consequências, daquele momento em que a vida ganha múltiplas cores intensas que antes não estavam lá. Através de momentos em que a vida transpira e as mudanças ocorrem, de descrições maravilhosas que nos deixam lembranças etéreas, vivemos a força, a magnitude de um primeiro amor. De um amor que nasce da amizade, das provocações, das preocupações, do companheirismo. De um amor que vem da vontade de conhecer cada entoação, cada gesto, cada cheiro, cada tique daquela pessoa que virou o nosso mundo do avesso e transformou os nossos sonhos. Um primeiro amor de partilhas de momentos cheios de riso, de solidariedade nos piores, de tensão a medida que os sentimentos mudam e aumentam.

   Mas não só de amor nos fala este livro. A amizade, tão essencial nesta altura da nossa vida, em todas as suas diferentes formas também está presente. Aquele sentimento que nos leva a zangarmo-nos com fúria desmedida, a preocupar-nos histericamente, a fazer coisas idiotas e únicas. Da família, o núcleo de protecção que muitas vezes não o é. As diferentes relações entre mães, filhos, pais e irmãos, o amor e dedicação, a indiferença, a preocupação e as exigências de quem cria, de quem foi criado, o que se espera da palavra família e o que ela muitas vezes é. 

  E depois temos o clima boémio e elegante de Paris. As ruas cheias de cheiros e texturas, os edifícios imponentes e antigos, a história entrelaçada com amor, alegria e irreverência que nos são descritas de forma tão soberba quanto a sensação de estar sozinho porque a solidão também faz parte desta história. Estarmos sozinhos num país diferente sobre o qual nada conhecemos, estarmos sozinhos e longe de tudo o que amámos, estarmos sozinhos contra as vicissitudes da vida, estarmos sozinhos nos nossos sonhos e anseios, estarmos sozinhos na nossa forma de pensar. Porque a solidão também faz parte da vida e é por ela que procurámos uma luz, um gesto, um sorriso, uma palavra. É por ela que querem os lutar, desejar, quebrar. Simples? Não, este livro afinal não é assim tão simples, só que todos nós já conhecemos estas sensações.

  Para além de um enredo muito bem construído, são as personagens que nos fazem devorar este livro com uma satisfação latente. Anna é um encanto tal que até lhe posso perdoar os seus poucos conhecimentos de História. É uma menina crescida que não deixa de fazer asneiras e de aprender com elas, é uma menina-mulher que nos enternece e que já fomos uma vez na vida. Étienne, esse, é uma tentação, um doce pelo qual já todos nos quisemos apaixonar, um rapaz que delicia e nos quebra. E depois, temos um grupinho de amigos diferente e fantástico que os acompanham em todos os momentos e que nos fazem lembrar alguém e sorrir a cada momento.

  Stephanie conquistou-me logo, à primeira palavra e Anna e o Beijo Francês tornou-se um daqueles livros que mais do que nos fazer suspirar e deixar com um sorriso enorme e um brilho nos olhos, que irá ser passado entre gerações quando dúvidas aparecerem e a inocência conhecer as cores intensas do amor.

6*

Podem encontrá-lo aqui

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