quinta-feira, 27 de junho de 2013

Opinião - Ligeiramente Casados

Título Original: Slightly Married (#1 Bedwyn)
Autor: Mary Balogh
Editora: ASA
Número de Páginas: 336

Sinopse
 Como todos os Bedwyn, Aidan tem a reputação de ser arrogante. Mas este nobre orgulhoso tem também um coração leal e apaixonado - e é a sua lealdade que o leva a Ringwood Manor, onde pretende honrar o último pedido de um colega de armas. Aidan prometeu confortar e proteger a irmã do soldado falecido, mas nunca pensou deparar com uma mulher como Eve Morris. Ela é teimosa e ferozmente independente e não quer a sua proteção. O que, inesperadamente, desperta nele sentimentos há muito reprimidos. A sua oportunidade de os pôr em prática surge quando um parente cruel ameaça expulsar Eve de sua própria casa. Aidan faz-lhe então uma proposta irrecusável: o casamento, que é a única hipótese de salvar o lar da família. A jovem concorda com o plano. E agora, enquanto toda a alta sociedade londrina observa a nova Lady Aidan Bedwyn, o inesperado acontece: com um toque mais ousado, um abraço mais escaldante, uma troca de olhares mais intensa, o "casamento de conveniência" de Aidan e Eve está prestes a transformar-se em algo ligeiramente diferente...

Opinião
~ Nasceu um ano antes da Segunda Guerra Mundial terminar e por isso a sua infância foi marcada pelas resoluções que o pós-guerra veio trazer a toda a Europa. Gaulesa, Mary era filha de uma dona de casa e de um escritor e pintor e tem uma irmã que mais do que é a sua melhor amiga, era a sua alma gémea. Juntas leram livros, principalmente os de Enid Blynton que devoravam, escreveram histórias, escolheram a mesma carreira, a de professora de inglês. E por causa da sua escolha de carreira, Mary mudou-se para o Canadá em 1967 e lá deu aulas e não só pois acabou por lá ficar. Casou com Robert Balogh, teve três filhos e estes já lhe deram cinco netos.

  Em 1983, Mary começou a escrever o seu primeiro romance. Escrevia na cozinha, no meio do bulício de uma família activa e feliz e, dois anos depois, A Masked Deception foi publicado. Hoje já publicou mais de sessenta livros e trinta contos, romances históricos passados na Regência, Inglaterra Georgiana ou no País de Gales.

  A saga dos irmãos Bedwyn é dos seus trabalhos mais recentes e mais apreciados. Constituída por seis livros, a autora escreveu três prequelas para a série antes de publicar o primeiro livro em 2003, sendo duas delas os dois livros já publicados da autora cá. Ligeiramente Casados é o primeiro volume desta série que espera conquistar os leitores mais românticos.

  A honra é o seu segundo nome. É ela que comanda a sua vida, que esbateu os seus sonhos, que é a sua razão de viver. Por ela, faz uma promessa, uma promessa que paga uma dívida de vida mas que pudera ter um preço demasiado elevado. Ele é o mensageiro agoirento, a sua presença desfez sonhos e expectativas mas quando lhe faz a proposta que salvará tudo, ela não hesita e aceita, ela só não sabe onde se foi meter. Um casamento de conveniência, uma ligação advinda de juramentos e dívidas, um amor que pode, ligeiramente, apossar-se de duas vidas.

  Este é o primeiro livro que leio de Mary Balogh e, não tendo sido excepcional, foi contudo uma agradável surpresa. A autora tem uma escrita acessível, bastante amorosa que acaba por trazer ao de cima o que de mais terno e doce este tipo de romances têm. Através de um enredo bem construído que, ao contrário de outros do género, tem o seu próprio ritmo, um ritmo cadenciado, lento de uma boa forma e delicado, que se vai construindo a partir de pequenos pedaços de respeito, lealdade, amizade e amor, a autora dá-nos a conhecer uma família meio despedaçada, de pessoas fortes cujos temperamentos variam entre o fogo e o gelo que procuram algo mais da vida por debaixo das carapaças da arrogância, da honra e da ironia. Com alguns pormenores históricos bastante interessantes e o rigor certo que se exige deste tipo de romance, este livro acaba por ser mais do que uma história de amor pois fala-nos das ligações familiares, das diferenças sociais, do papel de cada ser numa sociedade extremamente estruturada mas longe de ser perfeita. Aproveitando a época em que decorre o seu livro, Mary incute-lhe o espírito de uma Inglaterra liberta de Napoleão, não esquecendo que não só de amor se faz este tipo de livros.

  Ligeiramente Casados não nos prende de início. Vai-se recostando, aconchegando, até não conseguirmos parar de o ler, ou seja, vai ganhando ímpeto conforme a história avança e, quanto mais ímpeto e fogo, mais adorável ele se vai tornando. Recheado tanto de momentos caricatos, ora irónicos ora simplesmente divertidos, como de momentos emotivos, este livro foge de alguns clichés, dando menos importância à tensão sexual e mais ao respeito, carinho e camaradagem de casal. Tocando no ponto dos casamentos de conveniência na mais realista acepção do termo, Mary cria algo credível, bem estruturado e em cuja realidade é fácil acreditarmos. Tenho pena que a autora não tenha aproveitado os momentos de corte para nos dar uma imagem do que seria estar na presença da Família Real como bem podia ter feito mas de resto não haja dúvida que este é um livro que prime pelo interesse e pela novidade.

  Quanto à história de amor, apesar de não ser intensa ou arrebatadora é, sem dúvida, terna, doce e amorosa. A forma como a relação vai crescendo sobre bases sólidas e como o casal se vai conhecendo e tentando fazer parte da vida um do outro é de suspirar e deixar os olhos a brilhar. As famílias de ambos são ariscas apesar de muito diferentes e todos eles nos conquistam quer de forma mais temperada, quer de forma mais intensa. As personagens secundárias são, aliás, uma das melhores coisas deste livro a par da narrativa. A começar nos patinhos feios mais maravilhosos de sempre, a acabar nos irmãos mais tempestuosos de que há memória, eles prendem a nossa atenção mesmo quando não tentam e, no caso dos irmãos Bedwyn, a nossa curiosidade é aguçada ao máximo, existindo uma grande expectativa quanto aos volumes seguintes que me pareçam, serão ainda melhores. Wulf e Freyja são os irmãos pelos quais tenho uma maior curiosidade pelas suas personalidades tão diferentes e passados tão misteriosos. Quanto a Rannulf, o próximo protagonista, tenho pena de não ter visto mais dele. Por último, uma coisa que adorei foi a originalidade dos nomes dos Bedwyn, pois apenas lhes dão ainda mais personalidade.

  Eve e Aidan são personagens típicas do seu tempo e se Aindan não é o protagonista que geralmente procuro a verdade é que pode-se considera-lo um protagonista quase perfeito. O seu sentido de honra e lealdade é levado ao extremo e a sua personalidade séria e controlada acaba por ter alguns laivos de doçura e tristeza que muito me agradaram. Já Eve, se por vezes me pareceu insonsa, também acaba por se revelar uma surpresa pela sua força e sentido práctico. Não são um dos meus casais preferidos mas acabam por ser mais reais e humanos, para além de representarem bem a sua época e estatuto social, mesmo que não tenho conseguido sentir por eles aquele clique.

  Para estreia, Mary Balogh deixou-me surpreendida e com imensa vontade de ler a restante série. A autora pode não ter um jeito especial mas leva a sua escrita a sério. Ligeiramente Casados é uma história ternurenta e amorosa mas que tem a sua própria força e personalidade. Um primeiro volume que prometa uma saga de tempestades, paixões e amor dedicado.

6*

Podem encontrá-lo aqui 

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