terça-feira, 18 de junho de 2013

Opinião - O Herdeiro de Sevenwaters

Título Original: Heir to Sevenwaters (#4 Sevenwaters)
Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand Editora
Número de Páginas: 477

Sinopse
Os chefes de clã de Sevenwaters são há muito guardiões de uma vasta e misteriosa floresta, um dos últimos refúgios dos Tuatha De Danann, as Criaturas Encantadas que povoam as velhas lendas. Aí, homens e habitantes do Outro Mundo coabitam lado a lado, separados pelo finíssimo véu que divide os dois reinos e unidos por uma cautelosa confiança mútua. Até à Primavera em que Lady Aisling de Sevenwaters descobre que está grávida e tudo se transforma.

Clodagh teme o pior, uma vez que Aisling já passou há muito tempo a idade segura para conceber uma criança. O pai de Clodagh, Lorde Sean de Sevenwaters, depara-se com as suas próprias dificuldades, vendo a rivalidade entre clãs vizinhos ameaçar as fronteiras do seu território. Quando Aisling dá à luz um filho varão o novo herdeiro de Sevenwaters, Clodagh é incumbida de cuidar da criança durante a convalescença da mãe.

A felicidade da família cedo se converte em pesadelo quando o bebé desaparece do quarto e uma coisa não natural é deixada no seu lugar. Para reclamar o irmão de volta, Clodagh terá de entrar nesse reino de sombras que é o Outro Mundo e confrontar o poderoso príncipe que o rege. Acompanhada nesta missão por um guerreiro que não é exactamente o que parece, Clodagh verá a sua coragem posta à prova até ao limite da resistência. A recompensa, porém, talvez supere os seus sonhos mais audazes...

Opinião

  Nasceu com o nome Juliet Scott mas é como Juliet Marillier que é conhecida por todo o mundo, sendo uma das autoras mais queridas da fantasia mundialmente. A mulher que se formou em Música e Artes em linguagens, que trabalhou no governo australiano durante treze anos e foi cantora de ópera, estreou-se na escrita em 1999, numa trilogia onde o folclore, a história, as relações humanas e as demandas pessoais são os grandes temas, temas que ainda hoje marcam os seus livros. A Filha da Floresta iniciou um caminho de sucesso e desde 2003 que Juliet se dedica em exclusivo à sua escrita.
Sevenwaters é a sua trilogia mais querida e, para muitos a sua obra-prima. A adoração que provocou em leitores por todo o mundo levou a que os seus editores lhe suplicassem por uma continuação e assim surgiram os três livros que continuaria as aventuras na floresta de Sevewaters. A Chama de Sevenwaters é o livro que fecha esta nova trilogia e chega às nossas livrarias no final de Junho.

  O Herdeiro de Sevenwaters é o quarto volume da série, foi publicado em 2008 e foi finalista de dois prémios. Traduzido para seis línguas, tem dividido os leitores, aqueles que adoram Sevenwaters de todas as formas e aqueles que o acharam inferior aos restantes.

  Numa floresta resguardada, a magia, as criaturas, ainda vivem, apesar de escondidos, apesar de esquecidos pelo resto do mundo. Em Sevewaters, as histórias ainda são ouvidas e as lendas vivem no passado de uma família que tem protegido os Tuatha de Dannan, que sofreu nas suas armadilhas, que foi resguardada pelos seus intricados códigos. Parece longe o tempo em que caminharam pelos caminhos tortuosos que o seu sangue lhes concedeu mas nunca se sabe quando a magia e as histórias podem voltar. Clodagh é uma rapariga simples, uma filha dedicada, que cresceu a acreditar nas lições que a sua família transmitiu de geração em geração e, agora, será ela que será posta à prova, será a sua força e dedicação, o seu amor e crença, que a poderão salvar das artimanhas daqueles que apenas vivem na imaginação do seu povo mas que continuam a observar a sua família.

  Contar histórias é uma arte, um talento a que muitos podem ambicionar, alguns alcançar mas muito poucos nascem com um verdadeiro dom, muito poucos sabem usar a sua voz nas palavras, colocar a alma e o coração numa história. Juliet é um desses acasos, um daqueles nomes que simbolizam adoração, respeito, empolgação, expectativa. Um daqueles nomes que fazem milhares ou mais de leitores vibrarem, chorarem, sorrirem. Não há como lhe negar a mestria das palavras, o jeito doce e forte com que nos arrebate página a página, a forma como nos marca irremediavelmente. Por este mundo fora, em tantas estantes existem livros seus, de capas diferentes, línguas tão estranhas umas às outras, mas todos eles, marcados pela idade ou a cheirar a novos, são guardados com carinho, guardam histórias que jamais serão esquecidas.

  Regressar é um misto de sensações. Medo pelo que vamos encontrar, alegria por voltarmos àquele que é o nosso lar e, por isso, é com ansiedade que abrimos as primeiras páginas desta história, é com expectativa e um coração galopante que começamos a desvendar palavras mas quando reconhecemos as cores, os cheiros, os sentimentos de Sevenwaters, tudo isto se desvanece e o que foi regressa tão vívido, tão belo como nos lembrámos. Numa história onde a dedicação está acima do poder, onde o amor continua a ser o estandarte que as mulheres desta família carregam, encontrámos a magia, malvada e sensível, vemos os contos contados à lareira ganharem forma, percebemos que a família é um berço forte se cuidado e preservado. Nesta demanda é o amor, a crença e a aceitação que escrevem em cores delicadas mais uma ramagem, é a coragem e a perseverança que a sustentam enquanto, mais uma vez, nos encantámos, nos perdemos numa floresta da qual ainda não conhecemos todos os segredos mas de que somos velhos amigos.

  Clodagh tem um jeito próprio, uma doçura, um cuidado que muitas vezes é pouco valorizado apesar de sustentar as bases de algo maior. É através dela que regressámos, é por ela que torcemos em cada aventura, cada provação, é com ela que celebrámos as pequenas vitórias. Nesta protagonista pode não haver magia mas existe algo muito maior. Amor doseado com responsabilidade e cuidado, alimentado de dedicação e apoio. Clodagh é um pilar, alguém que ninguém vê mas sem a qual ninguém vive e, para mim, é por isso que ela é especial. Ao longo de uma demanda perigosa, ela é testada e atacada, prova as suas convicções, muda o seu coração mas nunca perde a objectividade, nunca esquece o que a leva para lá do território conhecido. Em descrições muito nossas conhecidas, entre povos que amámos e odiámos e outros a que somos apresentados, vemos mais uma história ganhar fulgor, o fulgor cintilante e único desta história.

  Com as outras personagens encontrámos outro tanto tipo de emoções, aprendemos lições importantes, jubilámos com elas como sempre o fizemos ou como passaremos a fazê-lo. Entre personagens conhecidas e novas, muitas surpresas surgiram ao longo desta leitura e muito carinho foi alimentado por elas. Através das suas paixões, medos, da sua coragem ou paciência, aprendemos a conhecer as linhas ténues que as formam, a ver o passado, o presente e o futuro que as esperam. É como voltar para os braços de uma família que perdoa e ama sempre, é mesmo como voltar ao lar.

  Ao regressar ao seu mundo mais querido, Juliet correu um risco, que muitos diriam desnecessário. Talvez, mas como digo sempre, esta senhora não sabe escrever senão histórias arrebatadoras, preciosas e esta foi mais uma delas. O Herdeiro de Sevenwaters é um regresso querido e acarinhado, é um Bem-vindo que nos aconchega e que nos deixa não com um penoso Adeus mas com um prometedor Até Breve. Mais uma vez, Juliet mostra-nos que o seu dom não esmorece, nunca.

6*

6 comentários:

  1. Olá,

    Concordo com muito do que referes, um livro da Juliet é sempre algo especial, mas sou dos que defendem que a Editora americana foi incorreta com a escritora ao pressiona-la a escrever mais sobre este universo e o resultado, quanto a mim, é visível.

    Perdeu a magia existente, tornou-se algo previsível e todo o mistério que envolvia os seres do outro mundo, acaba por ser revelado e não tão bem desenvolvido.

    Mas esta é a minha opinião, alias até parei por este livro e pelo que percebo o seguinte tambem não está tão bom assim.

    Por muito que goste de Sevenwaters, ainda assim as Crónicas de Bridei são o que mais gosto da escritora, embora considere Somerled, como a melhor personagem criada pela Juliet (Saga das Ilhas Brilhantes).

    Espero não estar a perder o gosto por uma escritora que tanto me arrebatou e ajudou a criar hábitos de leitura, mas os seus livros já foram melhores, ainda assim sempre bons :)

    Bjs

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Fiacha!

      Confesso que devo ser das poucas leitoras que não compara a restante obra da autora à Sevenwaters, é algo que não consigo fazer porque adoro os livros dela, ela não consegue escrever um mau livro e acho tão injusto quererem comparar =/ Obras-primas são raras, é impossível conseguir melhor que o nosso melhor e mesmo assim ela bem tenta.

      As Crónicas de Bridei é a minha trilogia preferida do que li até agora e foi com ela que realmente me apaixonei pela autora. As Ilhas Brilhantes ainda não li porque não consigo arranjar A Mascara da Raposa em formato normal =(

      beijos

      Eliminar
  2. Tanta gente a falar bem, qualquer dia tenho de ler. As finanças é que não deixam. Mas tenho muita curiosidade de ler esta autora. Parabéns pelo texto :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tens mesmo de ler Julier, é uma daquelas coisas obrigatórias para os amantes da fantasia ;) Obrigada!=D

      Eliminar
  3. Adorei este livro. Pensava que poderia não gostar tanto como gostei da trilogia anterior, mas Juliet conquista sempre com a sua escrita fabulosa. Agora tenho de ler o Seer!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É verdade, ela é mesmo fantástica *.* Eu estou a espera que o meu chegue para o ler =)

      Eliminar