segunda-feira, 10 de junho de 2013

Opinião - O Tempo entre Nós

Título Original: Time Between Us
Autor: Tamara Ireland Stone
Editora: ASA
Número de Páginas: 320

Sinopse
 Anna e Bennett nunca deveriam ter-se conhecido. Porque haveria isso de acontecer? Anna é uma jovem de 16 anos em 1995, ferozmente determinada a assegurar uma bolsa de estudo de desporto, para poder sair da sua cidade pacata e enfadonha e finalmente viajar pelo mundo. Bennett tem 17 anos em 2012, vive em São Francisco e tenta controlar a sua capacidade de viajar pelo tempo - um dom incrível mas também uma maldição imprevisível, que constantemente ameaça separá-lo das pessoas que ama. Quando um pequeno erro de cálculo coloca em perigo a sua irmã Brooke, Bennett dá por si a três mil e duzentos quilómetros e dezassete anos de distância - no mundo de Anna. Enquanto procura por Brooke, Bennett é atraído de modo estranho e inevitável para Anna, mas, por mais desesperado que Bennett esteja para ficar com Anna, a sua incontrolável situação irá inevitavelmente mandá-lo de volta ao lugar a que pertence - e Anna ficará sozinha, presa no tempo que os separa.

Opinião

  Quando andava no secundário, Tamara queria ser jornalista e até se andou a treinar no jornal da escola mas quando chegou à faculdade aconselharam-na a seguir Relações Públicas e foi o que ela fez e a verdade é que adorava o trabalho que conseguiu depois de se licenciar, um trabalho que juntava duas das suas paixões, a escrita e os muitos novos aparelhos tecnológicos. Durante oito anos, antes de formar a sua própria firma, trabalhou em várias empresas grandes, viajou muito, trabalhou com Steve Jobs e depois teve de se dedicar a começar do zero mas nunca se esqueceu da sua paixão pela escrita e das pequenas histórias que escrevia no seu bloco, até participou em aulas de escrita mas casou-se, teve um bebé, e outro e o seu negócio cresceu e o tempo livre foi-se.


  Então, um dia, o seu marido perguntou-lhe se ela pudesse ter um algum super poder, qual ela escolheria e, sim, ela escolheu viajar no tempo mas não uma coisa muito longa, nem para o passado nem para o futuro, apenas algo que lhe permitisse voltar atrás cinco minutos e impedir-se de meter os pés pelas mãos. E assim nasceu O Tempo entre Nós.


  Publicado em Outubro passado, está traduzido para seis línguas e será traduzido para mais nove. Chega às nossas estantes pela ASA que já tem os direitos para publicar o segundo livro, Time After Time.


  Dizem que cada um de nós tem uma alma gémea, que todos estamos destinados a encontrar a pessoa certa mas temos sempre medo de nunca a encontrar, que ela viva do outro lado do mundo, que já tenha outra pessoa ou que tenha medo de amar mas o que acontece quando a encontrámos, quando nos apaixonámos e descobrimos que essa pessoa vem do futuro? E se estivermos destinados a perder a nossa alma gémea para o futuro incerto sem jamais a alcançarmos, sem jamais a esquecermos?

Anna tem sonhos como qualquer jovem da sua idade. Sonhos de aventuras, de locais desconhecidos, de arrojo e adrenalina mas apaixonar-se por alguém do futuro não fazia parte dos planos. Ao lado de Bennett, ela vai viver o sonho mas terá de aprender que tudo tem uma razão de ser, que mudar um gesto ou palavra pode esfumar a mais pequena réstia de futuro e que o relógio nunca pára.


  Tamara encanta-nos com esta sua primeira história, uma história de doçuras e primeiros amores, uma história sobre a fatalidade do tempo e do destino que nos permite acreditar na força dos sentimentos e no poder de duas almas que se encaixam na perfeição. Através de uma escrita fluída, simples e doce, a autora aconchega os nossos corações, mantendo-os quentes, permitindo-os bater como se fosse a primeira vez, deixando-nos sonhar com a expectativa de um final feliz. Sem grandes desenlaces mas pautado por muitos momentos ternos, este é um livro para saborear, um livro que nos deixa sorrir, que nos aperta o coração e que nos relembra que o amor não tem de ser feito de grandes dilemas, não tem de nascer de problemas, que pode simplesmente ser feito de gestos, palavras, de momentos, que pode ser efémero e durar a eternidade de um suspiro e mesmo assim ser um grande amor.


  Esta é uma narrativa sobre primeiros amores, sobre a imprevisibilidade da vida, sobre apreciar cada momento como se fosse o último, uma narrativa que não precisa de exageros nem grandes dilemas para ser um livro bonito e enternecedor. Um livro para os românticos, deve ser lido para ser apreciado pela sua simplicidade, para nos deixarmos encantar pela pureza e magnitude de um primeiro amor destinado ao fracasso mas que não se deixa enfraquecer, antes se vai fortalecendo pela inevitabilidade do fim próximo. Ensina-nos que não temos de nos deixar assolapar pelo peso do futuro, antes devemos apreciar as coisas boas que nos aparecem.


  Ao longo da leitura existe algum mistério envolto na capacidade de Bennett e esse mistério precisava de ser melhor explicado para haver uma satisfação plena. Viajar no tempo neste caso permite conhecer as raízes de Bennett, mudar algo de superficial acabado de dizer ou um acontecimento que se pode revelar trágico. O facto de não ser algo de grande magnitude mas um desejo que todos nós partilhámos, afinal quem não gostava de retirar algumas coisas que disse ou desfazer um mal-entendido, acaba por encaixar bem nesta história, exactamente por ser algo simples, algo que não traz grandes problemas nem exige demais da personagem.


  Quanto à relação romântica, gostei muito do facto de ambos aparentarem maturidade e de apesar do tempo deles se estar a esgotar, eles levarem o seu amor com calma, aprendendo coisas um do outro, apreciando os momentos que podem passar juntos sem estarem sempre a bater na tecla da inevitabilidade da separação ou perderem tempo a tentar descobrir como vão fazer as coisas durar. Eles pura e simplesmente vivem e isso é uma grande lição que todos podemos retirar. São as coisas pequenas mas boas da vida que aqui são homenageadas e que muitas vezes damos como certas ou são esquecidas.


  Perante um grupo de personagens que apesar de pequeno é bastante interessante, vivemos muitos momentos caricatos típicos de amizades longas e famílias unidas, em ambientes que nos são familiares, numa rotina que podia ser a de qualquer um de nós. Anna é uma jovem cheia de força interior, uma lutadora e sonhadora, alguém que não perde tempo a queixar-se mas a aprender e não há como não a apreciar. Já Bennett é o típico rapaz querido, maduro, perfeitamente consciente das suas responsabilidades e do tamanho do seu poder, sendo extremamente cuidadoso. Personagem a salientar é a melhor amiga de Anna, Emma, uma desvairada amorosa que nos proporciona muitos risos e momentos embaraçosos a que ninguém resiste.


  O Tempo entre Nós é uma verdadeira história de amor, uma história que nos deixa apreciar a beleza de amar pela primeira vez e que nos relembra que o romantismo não é feito de grandes e enormes mas de pequenos e sinceros gestos. Tamara estreia-se de uma forma enternecedora e pura, deixando-nos a todos com um sorriso sonhador nos lábios.

 
6*

Podem encontrar aqui

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