segunda-feira, 15 de julho de 2013

Opinião - Imperfeitos

Título Original: Uglies (#1 Uglies)
Autor: Scott Westerfeld
Editora: Vogais&Companhia
Número de Páginas: 329

Sinopse
 Num mundo de extrema beleza, a normalidade é sinónimo de imperfeição.
Num futuro não tão distante quanto isso, não há guerras, nem fome, nem pobreza. O mundo é perfeito. Todos são perfeitos. Pelo menos, depois de completarem 16 anos. Qualquer um pode ter a aparência de um supermodelo… e que mal haveria nisso?
Tally Youngblood mal pode esperar pelo seu décimo sexto aniversário, altura em que será submetida à cirurgia radical que a transformará de uma mera Imperfeita para uma deslumbrante Perfeita. Uns lábios bem delineados, um nariz proporcional, um corpo ideal… é tudo o que sempre quis. Já para não falar que uma vida de diversão num paraíso de alta tecnologia espera por si.
Mas quando a sua melhor amiga decide virar as costas a esta vida perfeita e foge, Tally descobre um lado inteiramente novo do mundo dos Perfeitos – e que, por sinal, nada tem de perfeito. É então forçada a fazer a pior escolha possível: encontrar a amiga e traí-la ou perder para sempre a possibilidade de se tornar Perfeita.
Seja qual for a sua decisão, a sua vida nunca mais será a mesma.

Opinião

  Texano de nascença, Scott hoje vive entre Nova Iorque e Sidney e é casado com a autora Justine Larbalestier desde 2001. Nos seus dias mais artísticos escreveu músicas para dançarinos. Scott publicou o primeiro livro em 1989 e, foi ocasionalmente, autor fantasma de vários autores conhecidos. Foi já no século XXI que se tornou mundialmente famoso com as suas séries young-adult, género no qual já escreveu treze livros mas também escreveu livros para adultos.


  Se as suas séries juvenis são o seu trabalho mais reconhecido, Imperfeitos é, sem dúvida, a sua série mais famosa, sendo que todos os livros se tornaram bestsellers do New York Times e a série já vendeu mais de dois milhões de exemplares só nos EUA. Os direitos para o filme foram vendidos para a 20th Century Fox e o produtor de Eragon em  mas até hoje não houve qualquer desenvolvimento sobre o filme.

  Imperfeitos, o primeiro volume que dá nome à série, foi publicado em 2005, está traduzido para catorze países e foi considerado uma “mistura entre 1984 e O Diário da Princesa”.


  O estereótipo de beleza não é o mesmo para toda a gente mas desde sempre que se procura um exemplo que todos devem seguir. A beleza dita modas, tendências, formas de vida. Divide opiniões, cria inferioridade e diferença mas, e se se tornasse uma forma de união e igualdade? E se todos nós fôssemos belos? Numa sociedade onde a beleza simboliza a maioridade, a felicidade e uma vida de sonho, a perfeição está a um passo de todos mas o que todos se esquecem é que por trás da beleza, por trás do brilho, existe sempre algo mais escuro, algo podre e mau que cresce tanto quanto a beleza é valorizada. Tally está quase a tornar-se Perfeita mas uma série de acontecimentos demonstram-lhe que o seu mundo perfeito e organizado está longe de o ser e, agora, ela vai ter de escolher entre lealdade e desejo, entre amizade e sobrevivência.


  Mais do que ser a minha estreia com um autor que muito tem dado que falar, mais do que ser a sua série mais famosa, a verdade é que Imperfeitos é mais uma distopia a juntar às muitas que já li este ano e, por isso, e pela fama do autor, as minhas expectativas eram bastante elevadas. Westerfeld não é um escritor de emoções, é alguém que discorre sobre os mais variados assuntos, fazendo com que a sua obra tenha uma mensagem poderosa mas que em termos de narrativa acaba por ser um bocado mais parada. Com uma escrita simples que denota algumas expressões estranhas como a que encontrámos logo no início do livro, e que deve ser o pior início de livro de que tenho memória, que pouco aprofunda ou apresenta e cujas situações de alta tensão são pontuadas, Westerfeld acaba por ganhar pelas questões que nos apresenta de uma forma simplificada.


  Em redor da genética e da ética, este livro acaba por ser uma lição moral bem conseguida. Num universo que gira à volta da perfeição, algo subjectivo a cada um de nós, existem vários factores para que esta Perfeição seja aceite e compreendida por todos os que viveram sobre esta sociedade. Infelizmente, para lá disto, esta sociedade peca ao lado de muitas outras que já li pela falta de pormenores. Sabemos que estámos perante uma sociedade de tecnologia avançada mas pouco mais se pode retirar da leitura deste primeiro livro. Verdade que é o início de uma série mas falta muita coisa talvez pelo facto deste livro se ter incidido mais nos rebeldes do que na sociedade em questão e os rebeldes acabam por viver como nós e pouco apresentam da sociedade criada mesmo nos momentos em que a acção se situa nela. Uma coisa que me fez confusão foi não se tocar mais profundamente nas questões familiares, não percebi qual é o papel dos pais nesta sociedade e outra foi que numa sociedade perfeita os jovens passam o início da maioridade nas festas e depois? Parece-me que a questão moral desta sociedade me está a escapar grandemente.


  A narrativa acaba por melhorar na segunda parte mas de facto pouco de especial acontece e é o fim que acaba por ter todo o impacto e que nos deixa tentados a ler o segundo. Os supostos rebeldes pouco fazem e se fossem deixados em paz, penso que nunca chegariam a abandonar a vida que levam. Por mais errada que esta sociedade seja, não existe um verdadeiro espírito de mudança neste livro, ou que chamaríamos uma rebelião forte. 


  Um dos pontos fracos do livro é sem dúvida a protagonista Tally que não consegue rivalizar com outras do género. Ela vai melhorando ao longo do enredo, torna-se menos crente na sociedade, mais madura mas há algo que não bate certo nela. Quanto a David, depois de todo o mistério a volta dele fica um pouco a desilusão quando finalmente o conhecemos. Penso que os diálogos e a linguagem algo infantil não ajudaram à ligação com as personagens ou à sua própria personalização. A parte mais interessante acabou por ser os Especiais mas ainda há muito para explicar acerca deles. Já as outras personagens, Shay acaba por ser mais a personalização desta sociedade e da ideia por trás dela do que uma personagem que possámos compreender e a mãe de David esconde muitos segredos que não se revelaram.


  Tinha muitas expectativas para este livro mas elas não se cumpriram. Por mais interessante que a ideia seja, é preciso dar-lhe vida e cor para ela nos ressaltar à vista e este livro é muito apagado para o conseguir fazer. A distopia mais fraca que li até hoje mas uma das concepções mais interessantes, razão porque pretendo ler o que se segue.

4*

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