quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Opinião - Sangue Maligno

Título Original: Bad Blood (#3 A Casa das Comarré)
Autor: Kristen Painter
Editora: ASA
Número de Páginas: 400

Sinopse
 Chrysabelle é uma comarré que ousou desafiar o destino. Agora tem de tomar uma decisão de vida ou morte… Uma série de violentos assassinatos está a semear o pânico em Paradise City. Os alvos são comarrés falsos. Chrysabelle, em casa a recuperar lentamente de graves ferimentos, recusa-se a ver Malkolm. Mas nada conseguirá travar o vampiro, decidido a ver se o amor da sua vida está bem, dê por onde der. Com a ameaça da fusão iminente entre o mundo dos mortais e dos imortais, não há tempo a perder. Malkolm e Chrysabelle partem para Nova Orleães, para recuperar o Anel do Sofrimento. Forçada a tomar uma decisão de vida ou morte, Chrysabelle vai-se aperceber de que a sua relação com Malkolm pode ter consequências fatais e que a força do amor que os une pode não ser suficiente. Intenso e arrebatador, Sangue Maligno é o terceiro volume da série Casa das Comarré, de Kristen Painter, e um best-seller internacional.

Opinião


  A Casa das Comarré tem dividido os leitores no seu país de origem mas a verdade é que apesar de algumas desilusões já é um bestseller internacional. Obra mais conhecida de Kristen Painter, a série tem marcado pela diferença, sendo alvo de elogios de autoras bem conhecidas do género, entre elas Patricia Briggs, uma das preferidas dos portugueses pela sua Mercedes Thompson. Também a série de Painter tem coleccionado fãs por cá, estando a série quase toda traduzida em Portugal.

  Depois de ter tido os mais diversos e estranhos trabalhos, Kristen dedicou-se à escrita e elegeu a fantasia urbana como género de eleição, um género que permite juntar a fantasia à contemporaneidade e que tem dado muitas cartadas nos últimos tempos mas não dispensa escrever noutros géneros como o steampunk. A autora conjuga a escrita com a administração do Romancedivas, um website de que foi co-fundadora, e a manutenção do seu blogue pessoal.

  Sangue Maligno é o terceiro volume da série cujo último volume foi publicado nos EUA este ano. Publicado em 2011, ainda só foi traduzido para Portugal. 

  Confesso. Esta série é o meu último guilty pleasure. Para além de me ter proporcionado desenfreadas horas de leitura e me colocar num estado de ansiedade até ao próximo volume, A Casa das Comarré tem levado a minha paixão pela fantasia mais obscura e gótica a outro patamar, pois apesar de não ter a suprema qualidade de outras duas autoras que venero, marca pela originalidade e adrenalina constante bem apimentadas por um gótico urbano sensual. Painter consegue equilibrar subtileza com temperamento volátil, crueza com alguma fraqueza, unindo tudo com um humor negro pleno de sarcasmo que se torna uma tentação para qualquer leitor que aprecie estes ingredientes. Sangue Maligno transcende os dois volumes anteriores, não só pelo intensificar da trama como pela apresentação de novas personagens e mudanças inesperadas no enredo, trazendo uma nova energia a série e conseguindo continuar a surpreender-nos.

  Tão envolvente e surpreendente como os anteriores, este volume marca pelos novos elementos que traz, pela maior complexidade do enredo e pelo aumento da acção e densidade da trama. Desde o início somos bombardeados com cenas onde a surpresa e a adrenalina tomam conta, sendo a acção uma constante ao longo de todo o livro através de cenas que nos levam de um lado ao outro do globo e a conhecer mais a fundo algumas personagens, proporcionando-nos uma leitura empolgante que se vai adensando com a introdução não só de novos elementos como de novas personagens que trazem uma lufada de ar fresco e grandes mudanças. Para além disso, há surpresas atrás de surpresas. Nada é como esperámos e o que tomámos por garantido sai-nos completamente gorado. Algumas personagens são muito mais desenvolvidas e as suas histórias vão se tornando mais complexas e surpreendentes o que intensifica ainda mais os vários POV’s. 

  Se espaços e personagens já conhecidos, passam para segundo plano, outros espaços e personagens ganham uma nova dimensão. As casas nobres recebem uma maior atenção, bem como alguns vampiros a elas pertencentes e outra cidade acaba por ser palco de algumas das cenas mais interessantes da história bem como uma espécie de alternaturais. Os acontecimentos do livro anterior mudaram as condições de vida dos alternaturais e o perigo é cada vez maior neste livro, onde humanos e raças que deviam ser apenas lendas acabam por se confrontar, tornando os problemas a enfrentar cada vez maiores.

  O triângulo amoroso que surgiu no segundo livro acaba por ficar resolvido neste como eu esperava pois a verdade é que não havia muito espaço para ele e acabei por gostar de ver Creek neste livro. Chrysabelle tornou-se mais dura, mais sarcástica e, talvez, um pouco mais louca e sensível mas sem dúvida aprendeu a tomar as rédeas e finalmente resolveu as crises irritantes do livro anterior.  Por outro lado, Tatiana enlouqueceu. Esta súbita fraqueza da vilã não me convence e esta obsessão com a comarré está a ultrapassar um bocado os limites. As restantes personagens continuam a convencer e penso que estão melhores, já não sinto que lhes falta algo o que é muito bom.

  Mais uma vez, Painter arrebata-nos com um livro de pura adrenalina onde o gótico urbano é não só irresistível como tende a ser cada vez mais intenso. Surpreendente, maligno e ousado, Sangue Maligno leva a série a outro patamar e promete deixar-nos a salivar pelo próximo que esperámos que traga ainda mais surpresas.

6*

As minhas opiniões da série

4 comentários:

  1. Não sei se já fizeste este, mas aqui fica, tagged! :p http://cuidadocomodalmata.wordpress.com/2013/09/12/alfabeto-literario-tag/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Já mas não me importo de voltar a fazer =p Obrigada Jen!!!

      Eliminar
  2. Li os primeiros 2. Ainda não li este mas fiquei curioso!

    ResponderEliminar