quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Opinião - A Vidente de Sevenwaters

Título Original: The Seer of Sevenwaters (#5 Sevenwaters)
Autor: Juliet Marillier
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 413


Sinopse
 Sibeal sempre soube que estava destinada a uma vida espiritual e entregou-se de corpo e alma à sua vocação. Antes de cumprir os últimos votos para se tornar uma druidesa, Ciarán, o seu mestre, envia-a numa viagem de recreio à ilha de Inis Eala, para passar o Verão com as irmãs, Muirrin e Clodagh.
Sibeal ainda mal chegou a Inis Eala, quando uma insólita tempestade rebenta no mar, afundando um barco nórdico mesmo diante dos seus olhos. Apesar dos esforços, apenas dois sobreviventes são recolhidos da água. O dom da Visão conduz Sibeal ao terceiro náufrago, um homem a quem dá o nome de Ardal e cuja vida se sustém por um fio. Enquanto Ardal trava a sua dura batalha com a morte, um laço capaz de desafiar todas as convenções forma-se entre Sibeal e o jovem desconhecido.
A comunidade da ilha suspeita que algo de errado se passa com os três náufragos. A bela Svala é muda e perturbada. O vigoroso guerreiro Knut parece ter vergonha da sua enlutada mulher.
E Ardal tem um segredo de que não consegue lembrar-se - ou prefere não contar. Quando a incrível verdade vem à superfície, Sibeal vê-se envolvida numa perigosa demanda.
O desafio será uma viagem às profundezas do saber druídico, mas, também, aos abismos insondáveis do crescimento e da paixão. No fim, Sibeal terá de escolher - e essa escolha mudará a sua vida para sempre.


Opinião

  A autora de Fantasia mais aclamada do mundo conquistou-nos com A Filha da Floresta, o seu primeiro livro e o início de uma das trilogias de Fantasia mais amadas dos últimos tempos. Sevenwaters foi o primeiro mundo que criou e, até hoje, segundo os fãs, não mais houve algum que lhe igualasse. Tal foi a paixão que a trilogia causou aos leitores que a autora se viu obrigada a regressar à floresta encantada que a todos deixou saudades e assim nasceram aqueles que esperámos, sejam o adeus final e sentido a um dos melhores mundos alguma vez criados. 

  A Vidente de Sevenwaters é o segundo volume desta segunda trilogia, foi publicado em 2010, traduzido para português e holandês, estando também publicado na Austrália e EUA. Foi nomeado para melhor livro de Fantasia no Goodreads em 2010 e venceu o Tin Duck Award for Best Professional Long Written Work. O seu sucessor já se encontra traduzido em terras lusas.

  Regressar a Sevenwaters após tanto tempo de a ter descoberto tem sido uma aventura maravilhosa, que tanto mata as saudades como as aumenta, que tanto nos deixa satisfeitos como um bocadinho frustrados. Quinto livro da saga e segundo fora da trilogia original que conquistou leitores por todo o mundo, A Vidente de Sevenwaters tem um lado mais doce, mais ingénuo do que estamos habituados e menos intensidade e poder do que as histórias anteriores mas mantêm a magia da escrita de Marillier que mais uma vez nos conta uma história de encantar sobre lendas, amores e batalhas, com a sua voz única, uma voz que transborda das palavras e nos enreda como poucas hoje o sabem fazer, demonstrando mais uma vez que continua a possuir o dom dos bardos dos contos.

  Este livro é o que chamo um caso bicudo, porque é um bom livro de fantasia mas não corresponde às expectativas de um livro de Marillier, ou seja, é bom dentro do género mas de todos os livros que já li dela é sem dúvida o mais fraco. A razão dever-se-á muito provavelmente ao facto de esta ser uma história saudosa, cheia de recordações como se a própria autora nos quisesse dizer que sabe que história alguma poderá arrebatar-nos como as primeiras, como se fosse impelida a recordar connosco os irmãos cisnes, o Homem Pintado, histórias que nos apaixonaram e que remetem para segundo plano a história da Vidente Sibeal. Ao longo da narrativa revivemos histórias e revemos personagens da trilogia original, o que nos deixa ainda com mais saudades da floresta mágica de Sevenwaters, uma saudade que nos relembra o encanto e nos faz perceber o quão aquém esta história fica de todas as outras.

  Contada a duas vozes, uma coisa inédita num livro de Marillier, A Vidente de Sevenwaters tem uma alma própria mas acaba por ser uma alma um tanto inocente, um tanto apagada em relação a todas as outras. A história de amor de Sibeal e Felix, tão doce e inocente não acarreta a paixão e intensidade de outras e acaba por ser consumida pelos acontecimentos que se impõem e se mostram muito mais interessantes. Contudo, neste caso, acabámos por conhecer melhor ambos os protagonistas, já que temos a oportunidade de ler os pensamentos de Sibeal bem como os de Felix, o que nos permite abranger muito mais da história e das suas personalidades, ainda que, o amor entre o casal tenha sido um tanto descurado, deixando a impressão que algo não encaixou na perfeição.

  O enredo é bem construído como já é habitual e o naufrágio e a história de Svala acabam por ser os temas de maior destaque. Enquanto vamos revelando as ligações entre os dois, a nossa curiosidade é aguçada ao limite e é com um enorme maravilhamento que vemos ser desvendado o mistério das origens da misteriosa Svala, o ponto alto da história, ainda que eu já o adivinhasse mas a forma como é desenvolvido acaba por superar o facto de o factor surpresa já estar um tanto estragado. Já o desfecho em si acaba por ser muito rápido e abrupto e falo por mim, a minha atenção estava mais focada em Ciarán, uma das minhas personagens preferidas, do que no casalinho. O problema acaba por ser, a meu ver, uma grande atenção a antigas personagens que não deixaram Sibeal e Felix tomar a dianteira. 

  Sibeal é uma personagem que nos adoça mas não uma protagonista de peso pois foi muito apagada pelos acontecimentos e pelas outras personagens bem como Felix, o que é uma pena pois ambos são bastante ternurentos e gostava de ter visto mais desenvolvimento na relação dos dois. Rever as pessoas de Inis Eala, os antigos companheiros de Bran, deixou uma vontade imensa de reler O Filho das Sombras, o meu livro preferido da trilogia, e cada vez gosto mais de Johnny, um rapaz bem à altura da mãe e do pai. Rever Finbar e Ciarán foi outro grande momento para mim mas de facto a personagem deste livro é Svala, alguém selvagem e misteriosa que comprova que uma personagem não precisa de falar para nos marcar.

  Mais um livro maravilhoso de Juliet Marillier, ainda que não tão inesquecível quanto os restantes, A Vidente de Sevenwaters apresenta algumas falhas e talvez um certo cansaço deste mundo mas não deixa de nos entreter e de comprovar o talento da sua autora.

5*
 
As minhas opiniões da série

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