terça-feira, 22 de outubro de 2013

Leitura Não Terminada *Pede-me o Que Quiseres*

Título Original: Pídeme lo que quieras (#1 Pídeme lo que quieras)
Autor: Megan Maxwell
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 448


Sinopse
 Após a morte do pai, o prestigiado empresário alemão Eric Zimmerman decide viajar até Espanha para supervisionar as filiais da empresa Müller. Nos escritórios centrais de Madrid conhece Judith, uma jovem inteligente e simpática, por quem se enamora de imediato. Judith sucumbe à atracção que o alemão exerce sobre ela e aceita tomar parte nos seus jogos sexuais, repletos de fantasias e erotismo. Com ele aprenderá que todos temos dentro um voyeur, e que as pessoas se dividem em submissos e dominantes…
Mas o tempo passa, a relação intensifica-se e Eric começa a temer que o seu segredo seja descoberto, algo que poderia ditar o princípio do fim de uma relação.


Razões por Não ter sido Terminado
  Ora bem, eu li metade deste livro e tive de desistir porque já não aguentava! A escrita é péssima, horrorosa, histérica, o que lhe quiserem chamar. Não apela nem ajuda ao enredo, que é já agora, inexistente. Expressões como "Meu Deus", "que cena", "temperamento espanhol" e "mórbido" proliferam neste livro e dão vontade de gritar e arrancar cabelos. Cliché, é a palavra certa para este livro. Ela gosta de carros e futebol, não é virgem mas não tem muita experiência, grita mas depois amansa, aquilo que alguns homens chamam mulher perfeita. Ele é bom, rico, maluquinho e esconde terríveis segredos sobre o seu passado. Onde é que eu já vi isto? 

  Esta é mais uma história cliché entre um empresário possessivo e uma mulher abaixo da condição social dele que faz tudo o que ele quer e mais alguma coisa. Jud não é virgem (mas parece!), Jud reclama, chama-lhe nomes, grita-lhe mas depois corre que nem um cachorrinho para ele e faz tudo o que ele quer. A mim parece-me que ela é bipolar e tenta se fazer de durona (não consegues filha!) para além de histérica e pouco segura. Eric é a coisa mais sem sal, bipolar (também) e sem personalidade que pode existir. Então ele pode impingir-lhe os gostos sexuais dele desde o primeiro encontro mas o que ela quer e gosta não interessa. Aliás se ela expressa uma opinião contrária ele amua e arma-se em chefe mauzão. Ele quer uma relação aberta em que podem entrar todo o tipo de jogos mas depois é possessivo, ciumento e controlador (e este nem justifica como sabe onde ela anda, com quem está e etc.). Esfrega-lhe mulheres na cara e ainda a coloca em situações desconfortáveis sem pensar na opinião dela só porque ele gosta e ela só tem de se aguentar! Que macho Eric, que macho idiota e irritante me saíste!

  As cenas de sexo podiam ser interessantes. Marcam pela diferença porque não são sado (a única coisa que a Jud está sempre a dizer que não alinha até querermos que ele lhe dê com o chicote só para a calar) e acabam por demonstrar várias situações pouco usuais do submundo do sexo e do vício do sexo em si mas depois são tão impessoais, tão sem química, tão pornográficas e pouco eróticas e sem bom gosto que acabam por passar ao lado. E depois, ele tem gostos tão devassos mas com ela faz sempre da mesma maneira, beija-a sempre da mesma maneira, usa os mesmos brinquedos, não passa do mesmo! Hummm, cheira-me a falta de imaginação! Ah, e depois diz que o sexo convencional é um problema e que ele é de certeza o melhor que ela já teve porque oh faz coisas tão perversas e torna o sexo tão mais interessante. Corta os pulsos, Eric!

  Ou seja, este livro não choca pelo sexo, choca pela visão de que a mulher é um joguete nas mãos do homem, que tem de fazer o que ele quer, calar-se, chorar por ele e dizer sim, sim a tudo enquanto ele não a ouve, não lhe pede opinião, não pergunta o que gostas? nem a quer conhecer, apenas quer o corpo dela, mais nada, como se fosse um brinquedo para ele e todos os outros usufruírem. Que amor, que romance, que perfeição que para aqui vai!

  A mim não me convence. Nem um bocadinho. 

1*

8 comentários:

  1. A maioria dos livros deste genéro que são editados agora apresentam a mulher segunda esta perspectiva, o que confesso me choca...Estamos em pleno seculo 21! Não sei como é que as pessoas leem estas coisas e acham a quinta maravilha enfim...

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    1. É verdade Sara!! Como é que depois de séculos a tentarmos libertar-nos das amarras do sexo inferior, ainda há pessoas que aceitam isto?=s

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  2. quase sempre nos livros eróticos e até naqueles menos eróticos mais romance :) as personagens femininas são sempre mais fracas do que o personagem masculino. isto para não falar de casos extremos em que ela é um joguete nas mãos do homem ( para usar as tuas palavras)
    Seria um case study para psicólogos tendo em conta que os livros são escritos por mulheres. Confesso que é algo que me intriga :)

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    1. Verdade, verdade! Também já me tinha questionado sobre o facto deste tipo de livros serem escritos por mulheres para mulheres, acaba por ser não só contraditório como nos faz perguntar o que espera afinal uma mulher de uma relação e se a nossa forma de pensar não está a regredir

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  3. Bolas! É por essas que eu nem penso duas vezes na minha vontade de não pegar nesse tipo de livros que tem proliferado que nem ratos pelas livrarias fora. Que medo! Que mediocridade! Realmente depois de tanta luta contra o machismo, contra a condição inferior da mulher, chegamos a isto? Que vergonha! :S
    Beijinho

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    1. Realmente Neptuno, é muito triste pensar que este é o tipo de relação que a literatura mais na moda passa e que se é uma moda é porque as pessoas concordam com o que se escreve =s

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