quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Opinião - Outlander, Nas Asas do Tempo

Título Original: Outlander (#1 Outlander)
Autor: Diana Gabaldon
Editora: Casa das Letras
Número de Páginas: 774


Sinopse
Claire leva uma vida dupla. Tem um marido num século e um amante noutro…
Em 1945, Claire Randall, ex-enfermeira do Exército, regressa da guerra e está com o marido numa segunda lua-de-mel quando inocentemente toca num rochedo de um antigo círculo de pedras. De súbito, é transportada para o ano de 1743, para o centro de uma escaramuça entre ingleses e escoceses. Confundida com uma prostituta pelo capitão inglês Black Jack Randall, um antepassado e sósia do seu marido, é a seguir sequestrada pelo poderoso clã MacKenzie. Estes julgam-na espia ou feiticeira, mas com a sua experiência em enfermagem, Claire passa por curandeira e ganha o respeito dos guerreiros. No entanto, como corre perigo de vida a solução é tornar-se membro do clã, casando com o guerreiro Jamie Fraser, que lhe demonstra uma paixão tão avassaladora e um amor tão absoluto que Claire se sente dividida entre a fidelidade e o desejo… e entre dois homens completamente diferentes em duas vidas irreconciliáveis.
Vive-se um período excepcionalmente conturbado nas Terras Altas da Escócia, que culminará com a quase extinção dos clãs na batalha de Culloden, entre ingleses e escoceses. Catapultada para um mundo de intrigas e espiões que pode pôr em risco a sua vida, uma pergunta insistente martela os pensamentos de Claire: o que fazer quando se conhece o futuro?
Um misto de ficção romântica e histórica, Outlander – Nas Asas do Tempo já foi publicado em 24 países.


Opinião 

  Diana Gabaldon nasceu em Janeiro de 1952, no Arizona mas é de ascendência mexicana e inglesa. O seu pai, Tony Gabaldon era senador do estado de Arizona e a sua mãe era do Yorkshire. Licenciada em Zoologia, mestre em Biologia Marinha e doutorada em Ecologia, foi professora universitária durante 12 anos, período durante o qual escreveu artigos e críticas de software para revistas como PC Magazine ou Byte Magazine.


  Em 1988 decidiu escrever um livro e, quando estava a ver um episódio de Dr. Who a ideia de o situar na Escócia do século XVIII surgiu naturalmente bem como a de usar viagens no tempo. Ainda esse ano, quando publicou um excerto do seu livro, o autor John E. Stith apresentou-a ao agente literário Perry Knowlton. Ele conseguiu um acordo para uma trilogia e o livro de Diana seria publicado com o título Cross Stitch, título que os americanos mudariam para Outlander, o nome porque ficou conhecida a saga que hoje já conta com sete livros e cujo oitavo vem a caminho. Neste momento, Diana dedica-se exclusivamente à escrita e vive em Scottsdale, Arizona, com a família.


  Publicado em 1991, Outlander – Nas Asas do Tempo está traduzido para 38 línguas e está prestes a passar no pequeno ecrã. O casting para a série está a ser feito e Claire, Jamie e Frank/Black Jack já estão escolhidos. Este livro venceu o RITA em 1991.


  Esta leitura foi uma montanha-russa de sensações. Ao longo de mais de setecentas páginas odiei-o e adorei-o, ri e amuei, sorri e gritei de exasperação mas a verdade é que nunca consegui ficar indiferente. Com uma escrita rica e fluída, Diana leva-nos através do tempo, dos costumes, da História numa viagem intensa e fascinante que termina com todas as ideias pré-concebidas que pudéssemos ter não só quanto aos nossos limites perante o inimaginável como perante as limitações do tempo, do espaço e dos sentimentos. Historicamente bem detalhado, repleto de momentos inesperados e inundado pela aura de fatalidade, Outlander não é o que se espera, em momento algum.


  Com um enredo bem estruturado, rico em pormenores e reviravoltas, malvadez e romance, humor e tensão, esta leitura tinha tudo para conquistar desde a primeira página mas durante algum tempo andei às avessas com ele. Apesar de historicamente muitos acontecimentos e detalhes estarem correctos e, sem dúvida, bem trabalhados, penso que houve algum exagero em determinados momentos e o cuidado que a autora dedicou aos mais variados assuntos tornam ainda mais evidente, algumas irrealidades e estranhezas que fui encontrando ao longo da leitura. A verdade é que por melhor que este livro seja, não é um livro equilibrado pois tanto demonstra um realismo excessivo com chega a roçar o absurdo, algo que se nota bem na primeira metade do livro em que algumas coisas me pareceram fora de contexto. Outro problema foi o facto da protagonista ter aceitado demasiado bem logo de início a mudança temporal e por momentos nos fazer parecer que esqueceu por completo a sua vida no presente. A própria personalidade da protagonista e a relação com o protagonista masculino, que de início é ainda muito crua e distante de uma maneira mas intensa de outra, acabaram por me dificultar o início da leitura.


  Contudo, à medida que avançámos essas pequenas falhas vão desaparecendo e, a partir do momento em que a relação dos protagonistas muda, a minha leitura mudou também, pois este é um ponto de viragem importante na história. A história tornou-se mais realista apesar de não menos exagerada mas as emoções fortes são uma grande valia desta narrativa por isso passam a estar menos em evidência, a beleza da escrita da autora e das suas descrições passam para primeiro plano e os protagonistas, principalmente Claire, tornam-se mais agradáveis. Aliás, a meu ver, Claire é a principal culpada de eu não ter conseguido apreciar este livro em pleno numa primeira parte mas acabou por me ir conquistado aos poucos. A partir daqui a história tornou-se mais fluída e bem mais aprazível e, a verdade, é que Diana sabe como prender a atenção do leitor, como jogar com os elementos que tem à sua disposição, como mexer com os nossos sentimentos e mente. Através de cenas fortes e intensas, extremamente emotivas, ela acaba por nos prender por completo.


  A melhor parte deste livro é, sem dúvida, o fundo do histórico. Mesmo com pequenas falhas, os detalhes, as descrições, a forma como a Escócia e os seus clãs e conflitos vivem através destas páginas são impressionantes. Também a estrutura e a ideia por trás da narrativa, as viagens no tempo, um coração dividido por duas épocas diferentes e dois homens diferentes, acaba por apelar e muito à nossa curiosidade. Sendo o primeiro volume de uma saga grande, Outlander é uma longa e profunda apresentação a um núcleo de personagens que ainda terá muito porque passar e, acaba por atingir o objectivo que é levar as pessoas a ler pelo menos o próximo volume.


  Com um elenco de personagens interessantes, este livro tem como falha Claire. Não é fácil estar na sua situação mas muitas atitudes de Claire são para mim incompreensíveis sem contar que parece faltar-lhe algum fogo e personalidade bem como controlo. Já Jamie, bem, Jamie é irresistível. Ele compensa por completo Claire e é a personagem que adorámos neste livro. Quanto à Jonathan, há poucos vilões que me façam estremecer como este senhor.  Crueldade temperada com loucura e falta de amor é algo demasiado forte para ser ignorado.


  Outlander começou mal mas a pouco e pouco conseguiu fazer-me ver a sua qualidade e prender-me a sua história que está longe de terminar. A passo trôpego e por fim com um passo firme, Diana Gabaldon lá conseguiu apresentar um livro que consegue mudar por completo a nossa opinião. Estou muito feliz por não ter desistido da leitura e vou sem dúvida ler o próximo.

5,5*

7 comentários:

  1. Ainda bem que gostaste, fico muito contente! O Jamie é sem dúvida um dos personagens masculinos mais interessantes e complexos que já li.
    Devido ao actual hype com a série tenho andado a convencer muitos a pegarem neste livro e até criámos um grupo no FB para discutir livro e novidades da série de TV. Se te quiseres juntar, basta ir aqui: https://www.facebook.com/groups/outlanderportugal/
    Beijinhos.

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    1. Eu fiquei ainda mais contente por ter gostado *.* Espero ler o segundo em breve... E sim, o Jamie é uma das personagens masculinas mais fantásticas que já tive o prazer de ler e, só por isso, esta leitura já valeu a pena =)
      Irei certamente juntar-me ao grupo, obrigada pelo convite!=D

      beijinhos

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  2. Eu não achei que hajam falhas históricas. Acredito que ela investigou muito bem, até porque a produção da série televisiva já elogiou precisamente a qualidade dessa investigação e vai manter-se fiel ao livro. Duvido que eles quisessem adaptar à TV um livro com falhas históricas. É sem dúvida mais cru e diferente do que se costuma ler, mas é por isso mesmo que estas história me conquistou sem reservas. Estou ansiosa para ler os outros que me faltam.

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    1. Olá Anónimo!

      Exactamente por estar tão correcto e detalhado historicamente (como digo na opinião) é que se notam mais essas pequenas falhas. Porque elas existem pode ter a certeza, apesar de serem falhas que podem escapar a quem não tem formação na área de História (como é o meu caso, que tenho).
      Quanto ao que se adapta para TV, quantas vezes foram coisas más adaptadas porque venderam e eram garantia de sucesso televisivo? E muito mais são as vezes em que os detalhes históricos NÃO são respeitados (o que espero que não aconteça com a adaptação deste livro) porque dá jeito aos produtores e afins?

      Também estou ansiosa pelos restantes.

      Boas leituras!

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    2. Talvez depois nos próximos deixes de achar isso pois ela é muito minuciosa em certas coisas porque a série é toda um grande emaranhado de mistérios. Eu estou a ler o 5º livro e há coisas do livro 1 que ainda não vi esclarecidas. Fora os mistérios que vão aparecendo nos seguintes. Uma coisa te garanto, esta autora não dá ponto sem nó. E até quando parece que te está a dar palha, não está.

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  3. Olá! Estou neste momento a ler este livro. Vi criticas muito feias no goodreads que o equiparavam quase ao 50 sombras de Grey. Felizmente não me parece que tenha alguma coisa de semelhante! Concordo ctg em como há varias falhas, principalmente quando a protagonista ainda não foi transportada para o passado, como quando ela fala em "antibioticos", quando em 1945 só havia UM antibiotico - a penicilina. Além disso coisas como descrições de turistas a tirar fotos não fazem mt sentido em 1945, quando a fotografia não era para qualquer um! Esses pequenos detalhes irritam-me um bocadinho, mas ainda assim...não é tao horrivel como se dizia!!

    Cumps!

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    1. Sim, é um livro com falhas históricas, maioritariamente na primeira parte, e eu confesso que sou um bocadinho dura demais com isso porque acho que é algo facilmente possível de evitar (mas isso sou eu). Mas como disse, acabei por apreciar esta leitura e no fim acabei por gostar imenso dele. Espero que o segundo, que espero ler este mês, venha consolidar a minha posição quanto a este livro.

      Boas leituras!

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